É tudo sobre acreditar
1 Uma promessa
Notas iniciais
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“—É amanhã! É amanhã! É AMANHÃ!
—Sim, é amanhã, agora para de nadar de um lado pro outro por favor Agla? Tá me incomodando.
—Kailane... —Se pôs diante de mim e jogou longe minha concha —Será que não entende? Amanhã é o meu aniversário de mil anos, MIL ANOS KAILANE, não sabe o que significa?
—Óbvio que eu sei, você não deixa eu esquecer disso desde que aprendeu a falar.
—Exatamente, eu já estou imaginando, não se lembra de todas as histórias contadas para nós? Sobre todas as aventuras sobre as sereias com seus mil anos completos. Eu posso ver, eu consigo imaginar as espumas, elas devem ser tão suaves, será que haverá algum deles?
—Torça para não haver nenhum, você sabe muito bem que se ver aquela coisa grande que os animais terrestres constroem para atravessar o mar você deve imediatamente descer, não sabe? —Disse enquanto pegava minha concha de volta.
—E quantas vezes eu disse que não iremos fugir? Nós vamos ficar lá, e ver essas criaturas estranhas que não sabem respirar.
—Primeiro, NÓS não vamos fazer nada, VOCÊ completa mil anos amanhã, eu só tenho setecentos e noventa e dois, você vai sem mim para a superfície. Segundo, siga a sua equipe e não faça besteiras, você sabe muito bem que se te pegarem fugindo da rota nunca mais você sai do fundo do oceano, você não é princesa pra fazer besteira e não ser punida.
—Terceiro... —Agla deu continuação à minha fala. —Você vai sim comigo, eu passei os teus setecentos e noventa e dois anos te preparando e você ainda resiste? Você é difícil mesmo. Quarto, eu nunca vou seguir aquela rota, todos os que voltaram de lá voltaram decepcionados dizendo que as coisas são muito melhores aqui embaixo.
—E são Agla, eu não faço a menor questão de ir até a superfície, tudo o que eu preciso está bem aqui, nesse amplo oceano, você nem sabe se as estórias são verdadeiras, e temos mais do que testemunhas que dizem lá ser um tédio.
—Kailane, é meu aniversário, você sabe que eu sonho com isso a minha vida inteira, por favor, eu quero fazer isso com você.
—Você sabe o que pode acontecer com alguém que vai para a superfície antes dos mil anos?
—Se você for presa eu vou ficar com você, e não pensa nisso, não vai acontecer nada, eu tenho tudo planejado desde meus treze anos.
—Eu não confio em você.
—Vamos ter a maior aventura de nossas vidas.
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—É exatamente como eu venho falando nos últimos anos Kailane, o que não entendeu ainda?
—Me perdoa, mas eu nunca prestei atenção realmente nas suas explicações.
—É o seguinte... —Ignorou a leve mágoa no peito. —Chegarei atrasada na fila, ou seja, enquanto já estiverem mais afastados de todos no centro da pérola, antes de sermos liberados para nadarmos livremente, enquanto estiverem chamando os nomes, você vai estar escondida em alguma das pedras por lá, depois eu busco você e partiremos para algum lugar, eu vou apenas marcar presença, depois é só voltar na hora de fazer a fila para voltar, e você vai mais afastada da gente.
—Isso é estupido e simples demais para dar certo, sério que você passou centenas de anos para planejar isso?
—Eu não sei do que você está reclamando, queria que fosse algo supercomplexo? Vamos, está ouvindo? Estão fazendo a cerimônia inicial.
—Meus pais vão sentir nossa falta.
—Você já disse pra sua mãe que ia ficar em casa por causa da dor na cauda que inventou, e os meus estão enterrados, então para de drama, vamos, vamos.
Então Agla e eu executamos o plano, e para a nossa felicidade acabou que deu bem certo, ela conseguiu entrar no grupo antes de ser chamada e sair antes que alguém notasse, e eu ao ver o sorriso dela suspirei aliviada em saber que tudo tinha dado certo.
—Kailane...
—Hm... —Estava de olhos fechados, ainda nervosa pela adrenalina e o medo de sermos descobertas.
—Olha pra cima.
—É brilhante, o que é?
—Acho que é o sol.
—Ah, fala sério, você acredita mesmo nessa estória de sol, lua e estrelas?
—Meu pai dizia que há tantas estrelas no céu quanto grãos de areia no fundo.
—Seu pai voltou com muitas cicatrizes da superfície, e a sua mãe...
—Eu sei, ela me teve com novecentos e noventa e nove anos, e no dia seguinte morreu, meu pai me contou muitas coisas sobre ela, sobre eles, sobre o que fizeram na superfície.
—Mas nunca afirmou serem verdades, me perdoa, mas as pessoas sempre dizem que ele tinha ficado louco.
—Ele nunca disse que eram verdades, disse que nunca é verdade o que as pessoas falam, não totalmente, são apenas sentenças duvidosas que você decide onde pôr.
—Você nunca me falou sobre isso Agla, continua. —Agla começou a nadar de costas com os braços levantados esboçando um sorriso lindo, ela adorava quando eu me interessava por suas histórias, então na mesma direção, eu nadei por cima dela.
—O que ele quis dizer é que não existem verdades concretas, nem a nossa existência é tão real assim, já imaginou que podemos ser apenas o sonho de alguém?
—Agla o qu.... —eu quero dizer... —Ela me interrompeu. —Que eu acredito no que meu pai me contou, e eu quero vivenciar isso também, mesmo que possa ter o mesmo fim que meus pais.
—Apenas para provar as palavras dele?
—Não, porque eu quero ser a lenda que você contará aos menores Kailane, você promete? Promete que falará de mim?
—Você mesma pode fazer isso Agla, por favor, não fale que vai morrer mesmo com todo esse eufemismo.
Ambas rimos, e continuamos nadando.
Agla pôde tocar as espumas, mas eu não, prometi fazer quando chegasse a minha hora, ficamos ali até de noite, Agla desistiu de voltar para a rota pois esperaria pelas estrelas. Ela subiu, atravessou o limite entre o ar e a água, para olhar para o céu e depois para mim, e antes de ser levada pela criatura inanimada da superfície, eu pude ouvi-la dizer:
—Kailane, eu acredito em estrelas...”.
—Uau! Essa estória foi incrível Kailane.
—Isso aconteceu de verdade?
—Claro que não, isso é só uma lenda não é tia?
Rio. —Calma crianças, o que eu acabei de contar para vocês, só depende unicamente de cada um acreditar ou não, eu acredito e por isso compartilho.
—Quantos anos você disse mesmo que tinha Kai?
—Setecentos e noventa e dois. —Respondo com um sorriso.
—Nossa, então faz muito tempo, não é?
—Duzentos e noventa e nove mil, duzentos e oito anos para ser exata. —Converso calmamente com as crianças.
— Nossa, eu só tenho cem anos e você tem trezentos mil, você deve ter vivido muitas aventuras interessante tia Kailane.
—Querem saber de uma coisa? —Todas as crianças assentem com pressa e animadamente, então eu me inclino para ficar próximo a elas e sussurro como um segredo:
—Agla, que só viveu por mil anos, se aventurou bem mais que eu. Ela é uma lenda, e eu sempre vou falar dela.
—Como você a prometeu?
—Como eu a prometi.
Notas finais
1- Agla é a da cauda lilás e Kailane é a da cauda verde, isso tá na fic, mas não tão bem explícito então qualquer dúvida, veja na capa do capítulo.
2- as sereias acreditam nos humanos na fic? Mais ou menos, algumas vezes os navios passam e cobrem a luz, como se fosse um eclipse, então a "lenda" dos seres humanos ganhou grande força, inclusive "criaturas terrestres" são eles e a "criatura inanimada" são os navios, então Agla morreu atingida por um deles.
3-A mãe de Agla morreu da mesma forma que a filha, Seu pai ainda sobreviveu por alguns anos com muitos machucados e muitas dores, pois aqui a dor de uma sereia dura para sempre, por exemplo, se uma sereia se arranhar no ombro ela vai sentir a dor de um arranhão ali até a morte. Achei um pouco cruel com o pai dela mas eu amei, inclusive Agla não sabia disso, não sabia das dores do pai.
4-Kailane foi com mil anos para a superfície, para o mesmo local que perdeu a amiga, tocou nas espumas e a partir desse dia decidiu prometer a ela que iria falar dela para sempre, por isso o final "como eu a prometi".
5-Com mil anos as sereias que fazem aniversário naquele dia saem como se fosse um "tour" pela superfície, tem gente que trabalha como guia desses jovens, inclusive Kailane tentava convencer Agla a trabalhar naquilo mas ela queria se aventurar, não cuidar dos meninos.
6- treze anos é quando a sereia aqui começa a criar algum tipo de consciência, então Agla não era mocinha, era só um bbzinho ok?
7-Centro da pérola é tipo uma capital, onde os pais e os filhos de mil anos se reúnem para dar partida para os jovens.
8-A dor na cauda é algo bem comum na idade da Kailane, não é uma daquelas dores que duram para sempre, pois não foi a sereia que causou e sim algo natural, é tipo dor nos ossos de uma criança em formação entendem? hfdbvjfhvjfbaj
Acredito que é só, só vírgula acabei de explicar a fic todinha... eu viajei bastante mas ok, espero que tenham gostado, flw ♥
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