SUGURU GETO estava sentado ao lado da cama, observando o sono inquieto do seu amigo. Na penumbra do quarto, a luz suave da lua projetava sombras sobre o rosto normalmente confiante e arrogante do outro, mas agora, dormindo, ele parecia... vulnerável. Era uma imagem difícil de conciliar com o que Geto testemunhara algumas horas antes — a insanidade pura com que Satoru Gojo enfrentara uma maldição de nível especial, sorrindo como se fosse invencível, como se a morte fosse apenas mais uma piada em seu repertório interminável.

Insano.

A palavra parecia pequena para descrever a loucura de Gojo naquela luta. O sorriso feroz, os olhos azuis brilhando com uma energia que parecia querer destruir tudo à sua volta. E, no entanto, por algum motivo, ele se atirara de cabeça para enfrentar a maldição. Para salvar pessoas que ele mal conhecia. E, principalmente... para salvar Geto.

Suguru passava a mão pelo cabelo, suspirando baixo. Não conseguia entender completamente por que Gojo agira daquela forma. Talvez fosse o senso de responsabilidade do feiticeiro mais forte. Talvez fosse o orgulho. Ou talvez... talvez fosse algo mais. Algo que ele, Suguru, ainda não estava preparado para admitir, nem para si mesmo.

A respiração de Gojo era suave, mas irregular, como se ainda lutasse em seus sonhos. Geto, com os olhos fixos no rosto pálido do amigo, não conseguia afastar a ideia de que, por um breve momento, Gojo havia se colocado em risco sem necessidade, apenas para garantir que ele estivesse a salvo. Era como se Satoru sempre sentisse a necessidade de carregar o peso do mundo sozinho, como se sua força fosse uma maldição tanto quanto uma bênção.

Ele estava perdido nesses pensamentos quando sentiu um movimento ao lado. Um suspiro mais profundo, e então, de repente, Gojo se mexeu.

Antes que Suguru pudesse reagir, Gojo, ainda de olhos fechados, se moveu na cama e o abraçou. Seus braços o envolveram com força, como se temesse que Geto fosse desaparecer a qualquer momento.

Suguru ficou congelado. Sentiu o calor do corpo de Gojo, seu aperto firme, quase desesperado. Por um segundo, ele pensou em afastá-lo, mas algo no modo como Gojo o segurava o fez parar. Não havia palavras entre eles. Não havia necessidade.

Gojo não disse nada. Apenas o segurou com toda a força que tinha, seu rosto enterrado no ombro de Geto. E, naquele momento, Suguru entendeu.

Era alívio. O alívio de ter alguém ali, ao seu lado. O alívio de não estar sozinho, mesmo que, para o mundo exterior, ele sempre agisse como se fosse inabalável.

Sem palavras, Geto devolveu o abraço, fechando os olhos por um momento. Ele podia sentir a vulnerabilidade de Gojo, algo que ninguém mais parecia perceber. O mundo via apenas o feiticeiro mais forte, o jovem invencível. Mas, para Geto, Satoru Gojo era muito mais do que isso. Ele era humano. Um amigo. E, nesse silêncio, eles compartilhavam algo que nenhum deles conseguia expressar em palavras.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.