É só uma coisa implícita
28 Capítulo 28 – Faça um desejo
Capítulo 28 – Faça um desejo
Gamora estava andando com Adam e Alia em outro planeta desconhecido mais uma vez. Hoje era aniversário de Meredith. Isso a fazia sorrir cada vez que se lembrava, e seu sorriso sumia assim que também se lembrava que não estavam com sua família, e o dia de hoje importava apenas para ela, uma vez que, com um ano de idade, Meredith sequer entendia o que era um aniversário para saber a importância da data.
— Todos esses planetas parecem ter algo misterioso – Gamora comentou, na tentativa de talvez ter alguma informação nova sobre isso.
— Bem... – Adam falou baixo enquanto andavam, verificando se não havia pessoas por perto caminhavam pelo corredor de lojas do lugar – Nossos planetas aliados têm padrões. Não são exatamente nossos. Outras nações têm parcerias neles. Esses planetas geram e fornecem recursos pra essas nações e sigilo sobre o rastreamento de pessoas, em troca de cooperação em caso de guerra ou crises de recursos. Não necessariamente as nações maiores envolvidas nesses acordos fornecem essas duas coisas ao mesmo tempo. A maioria das pessoas que trabalha aqui e em outros planetas que já fomos com você, fazem isso por falta de opção melhor ou de um rumo certo na vida. Outras só querem viver sua vida em paz sem a agitação da galáxia. Trabalham, vão pra casa no fim do dia, e no dia seguinte voltam pra começar tudo de novo. Você já sabe, infelizmente, como meu povo é rígido, então acho que não preciso explicar porque tanto mistério.
Gamora assentiu.
— Por que ainda estamos aqui se já completamos a missão?
Hoje Ayesha os enviara para verificar a presença de arruaceiros num planeta que fornecia pequenas peças e equipamentos tecnológicos para as nações aliadas, uma precaução que vinham tomando desde o último incidente.
— Aqui não tem só mercados de tecnologia, as pessoas também precisam comer e fazer outras coisas. E como demos a sorte de dessa vez virmos só nós três, não preciso informar ainda que a missão já acabou. Temos mais duas horas até o prazo estabelecido pra informar. Dá tempo.
— Pra fazer o que?
Adam e Alia sorriram sem dizer mais nada.
— Você já vai saber – Alia falou apenas.
Meredith estava cochilando no canguru, parecendo tão fofa quanto Peter quando dormia em seu colo na Benatar. Gamora sorriu enquanto afagava os cabelos da menina, hoje vestida de vermelho e cinza, fazendo a guerreira lembrar-se muito do amado.
Ela caminhou atrás dos dois soberanos pelo restante do mercado tecnológico do local, e entraram em outra parte da cidade, muito mais bonita, colorida e suave. Adentraram por várias ruas durante alguns minutos até chegarem a uma loja mais escondida, que facilmente passaria despercebida do lado de fora, e Adam falou alguma coisa com uma atendente, que os levou para uma escada até o primeiro andar, onde Gamora viu pequenas salas coloridas divididas por paredes, com janelas cobertas por películas, não possibilitando quem estava do lado de fora ver quem estava dentro.
A mulher os levou até a cabine mais distante, que dava uma bela vista da cidade e do céu azul pela janela. Na mesa, acompanhada de quatro cadeiras, uma delas para bebês, e coberta com uma toalha lilás brilhante, havia um pequeno bolo cor de rosa, decorado com ursinhos de açúcar coloridos. Pratos, também rosa, e talheres prateados estavam ao lado. Alia chamou Gamora para se sentar e a ajudou a tirar Meredith do canguru e coloca-la na cadeira macia de bebê, branca com estampa de ursinhos marfim. Adam veio até elas e também se sentou após falar por mais algum tempo com a atendente.
— Você vai me dizer o que é tudo isso? – Gamora questionou.
Adam sorriu.
— Esse lugar é pra festas pequenas, festas resolvidas em cima da hora, festas secretas, ou quando as pessoas simplesmente gostam de discrição. Eles não revelam pra ninguém quem esteve aqui, nem há câmeras. Só os seguranças que vimos lá fora. Temos mais de uma hora livre, não precisamos dar nenhuma satisfação a qualquer pessoa no reino do que fazemos com nossos ganhos financeiros pessoais, e... Sabemos que o dia de hoje é importante pra você. Ao menos, pra ele era, não é? Hoje faz um ano que ela nasceu, não queríamos que passasse em branco. E depois de tudo que Alia me contou que viu em suas missões, eu queria conhecer algo novo também. As pessoas que trabalham aqui sabem um pouco sobre as celebrações terráqueas, pedi que fizessem algo parecido. O pai dela é terráqueo, não é?
— Mais ou menos – Gamora murmurou, sua voz um pouco embargada de emoção.
Seus olhos castanhos esquentaram e ela sentiu a umidade se formar neles, embora não o suficiente para chorar. Sua voz ficou presa na garganta e Gamora respirou fundo, sem saber o que dizer. Ao seu lado, Meredith olhava curiosa em volta e sorria, parecendo fascinada com as cores e decorações do lugar.
— Você está bem? – Alia perguntou com a gentileza de sempre.
Gamora assentiu.
— Vocês planejaram isso?
— Desde que eu soube desse lugar semana passada – Adam respondeu.
— Eu sei que não é assim que você queria, nem aqui e nem conosco. Mas espero que ainda consiga guardar algo feliz de hoje – Alia falou.
Gamora a encarou com atenção antes de sorrir.
— Obrigada.
Os dois soberanos sorriram de volta, e ela se voltou para a filha.
— Querida, veja o que Adam e Alia fizeram pra você.
— Pá mim?
Os três riram com a fofura da fala ainda em formação da pequena.
— Sim, você. Hoje é seu primeiro aniversário, devemos celebrar isso.
Meredith olhou para a mesa, parecendo ainda mais maravilhada do que estava com as paredes e o teto minutos atrás, e abrindo um enorme sorriso.
Nesse instante a mesma mulher de antes voltou e lhes pediu licença, consultando Gamora sobre onde posicionar a vela listrada, branca e cor de rosa, em cima do bolo, colocando-a no meio dele e acendendo o pavio antes de lhes desejar uma boa comemoração e se afastar. Peter havia lhe falado sobre uma música terráquea para essa ocasião, mas não conseguia se lembrar qual era, só que parecia ridícula, mas Gamora ainda sorriu pelo quanto ele gargalhou no dia em que ela revelou esse pensamento a ele.
— Há algo mais a fazer antes de apagar a vela? – Adam perguntou.
— Na Terra há uma música pra cantar antes, mas não me lembro agora. Me contento em fazer o pedido de aniversário secreto por Meredith já que ela ainda não tem ideia sobre isso.
— Não sabíamos dessa parte – Alia falou.
— O pai dela me disse. É uma crença da Terra. O aniversariante pode fazer um desejo antes de apagar a vela.
— Então vá em frente – Adam lhe disse.
Gamora olhou para o fogo brilhante, lembrando-se de quando abraçou Peter sob os fogos de artifício, quando ela admitiu a coisa implícita entre eles, e do fundo de seu coração desejou que ela e Meredith conseguissem voltar para ele e os outros Guardiões de alguma forma. Então se levantou para tirar Meredith da cadeirinha e sentá-la em seu colo.
— Querida, hoje é um dia importante pra você. Estamos felizes por isso e viemos comemorar. Você nunca viu antes, mas isso é uma vela. Se você soprar o fogo se apaga. Ela é sua. Você quer fazer isso?
— Quelo! Quelo! – A bebê bateu palmas, já tentando ficar de pé nas pernas de Gamora, fazendo os três adultos rirem outra vez.
— Tudo bem. Não toque no fogo. Ele aquece, mas também machuca. Apenas sopre de longe – Gamora explicou enquanto pegava a filha no colo e a levava mais para perto do bolo, mas não antes de pedir que Alia fotografasse o momento para elas, o dispositivo para fotos que Adam lhe dera um ano atrás nunca saía de seu bolso.
Meredith soprou três vezes até finalmente conseguir apagar o fogo e rir de alegria, e silenciosamente Gamora fez uma promessa a si mesma: Elas repetiriam esse momento um dia ao lado dos Guardiões.
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Antes de deixarem o local da celebração secreta horas atrás, Adam e Alia a haviam surpreendido mais uma vez, com um presente para Meredith, um pequeno ursinho de pelúcia ruivo e muito fofo, e outro presente para ela, uma fita e um par de fones de ouvido para o walkman, o que, claro, deveria ser um segredo também. Adam conseguira os itens em uma das lojas no mesmo planeta logo que chegaram. As fitas tinham apenas uma música aleatória de qualquer planeta de Andrômeda ou galáxias vizinhas, como uma amostra para os compradores.
Adam lhe dissera que pediu por música terráquea, e agora, enquanto amamentava Meredith, abraçada a seu ursinho, já no quarto prisão no reino dos soberanos novamente, Gamora estava com os fones nos ouvidos e pensando no que escutaria ao apertar o botão do play. Ela finalmente o fez, e quando a letra chegou a seus ouvidos, ela ouviu com atenção. Tinha certeza que Peter amaria essa música, e ela adoraria poder compartilhá-la com ele agora mesmo, e assim o faria com Meredith depois que ela estivesse bem acordada. As palavras atingiram seu coração com força, e no decorrer da canção Gamora estava chorando em silêncio, algo que já não fazia há tempos, mas quase podia sentir Peter ali com ela ouvindo música real depois de tanto tempo.
“Nós amamos todos vocês”
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Adam e Alia colocaram em prática a maior insanidade de suas vidas naquela manhã. Os dois decidiram realmente visitar seus irmãos soberanos não nascidos para refletir sobre como invadir o laboratório novamente. Hoje seria Yuli quem ocuparia a guarda noturna e que também trabalharia ali ao longo do dia. Adam foi rápido quando o ouviu entrando, e pensou em algo.
— Coopera comigo e pensa rápido – ele sussurrou para Alia quando correu para a porta camuflada dos registros.
— Ei! E se tiver alguém aí dentro?!
— Não tem. Mas deve ser Yuli entrando – ele respondeu antes de sumir pela porta e fechá-la.
Alia respirou fundo para recuperar a calma e cumprimentou o colega com um sorriso quando ele entrou, carregando uma caixa de materiais de laboratório.
— Visitando os novos amigos na folga do trabalho? – O rapaz perguntou com um sorriso.
— Sim. Aqui é tranquilo, e é bonito de ver, e incrível de imaginar que há outras vidas aí dentro.
— É... Nunca paramos pra pensar muito nisso depois que nascemos e nos contam a respeito.
Alia olhou discretamente para a porta enquanto pensava em todos os assuntos e motivos possíveis para entreter e prender a atenção de Yuli, torcendo para que Adam se apressasse, e conseguisse sair sem ser visto.
Dentro da sala dos registros, ele colocou o de Alia de volta de onde o tinha retirado dias atrás, e se aproximou da outra porta, que apesar de ter uma trava automática, estava meio aberta. Yuli devia ter saído rápido, não se importando em ser tão rígido com a segurança. Adam abriu a porta por completo e entrou silenciosamente, encontrando um laboratório grande e vazio, e branco ao invés de dourado como quase tudo no reino. Havia muito a se ver ali, e que ele certamente adoraria explorar, mas o tempo não estava a seu favor, e ignorou todos os microscópios, materiais de laboratório, amostras de DNA em vidros, e computadores, onde deveria haver registros digitais dos cidadãos, mas que talvez alguém de fora do laboratório não pudesse acessar, então procurou por qualquer coisa parecida com os armários na sala anterior, localizando um menor na parede oposta e correndo o mais silenciosamente que podia até lá.
Abrindo a gaveta de letra A, Adam não encontrou nada sobre si mesmo, mas ali estavam os arquivos de Ayesha, que apesar de estar curioso a respeito, não eram seu foco agora, então apenas os folheou rapidamente, parando quando algo chamou sua atenção, e voltou duas páginas.
— Por que ela escondeu meus dados dentro dos dela? – Perguntou para si mesmo, imediatamente pegando seu datapad para fazer uma cópia do arquivo, algo em que ele não tinha pensado até Alia falar.
Leria tudo com calma depois, mas seus olhos se arregalaram diante de três coisas curiosas.
Mãe biológica: Ava Warlock
Pai biológico: Levi Warlock
Observações: Resquícios de fluidos da antiga joia da alma. Impossível prever as exatas habilidades do indivíduo.
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— Apesar de eu já saber da sua super velocidade... Ainda me impressiona como conseguiu sair sem Yuli ver. E ainda bem que consegui distraí-lo por tempo suficiente. E por que você não falou mais nada desde que saímos de lá? – Alia perguntou quando os dois chegaram a uma praça distante do palácio para conversar com mais segurança.
Adam sentou num dos bancos mais afastados, longe das poucas pessoas que circulavam por ali no horário pós almoço.
— É que... Só pra começar, o nome da minha mãe também é Ava.
— Sério? Que coincidência.
— Ava Warlock. E meu pai, Levi Warlock.
— Os seus têm sobrenome... A sacerdotisa sempre teve tanto cuidado com sua criação. Você foi destinado a algo muito maior do que eu. Por que esconder os verdadeiros nomes dos meus pais e dos seus não?
— Eu adoraria saber também. Mas o mais intrigante é isso.
Adam abriu a cópia do arquivo no datapad para que a amiga visse.
— Joia da alma... Não é o artefato que Gamora disse ter sido a causa de sua morte?
— Sim. Tem o mesmo nome pelo menos. O que nosso povo teria a ver com isso? Agora sei como consegui trazer Gamora e Meredith de volta, mas por que?
— Tem muitos porquês aqui agora – Alia respondeu enquanto conversavam sussurrando – E sabe...? O nome Levi parece tão familiar pra mim.
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— Sacerdotisa... A situação pode ficar complicada – seu conselheiro falou enquanto se reunia com Ayesha, Adam e Alia na sala de reuniões, uma semana após o aniversário de Meredith – Não temos satisfações a dar a ninguém sobre nossos prisioneiros. Mas a Tropa Nova é uma força respeitada na maior parte da galáxia. Eles têm uma ligação muito forte com os Guardiões, e estão oferecendo uma recompensa por informações confirmadas da nossa prisioneira, o que aumenta muito as chances de o restante da equipe estar em Xandar. Eles não procurariam somente por um dos membros da equipe após a guerra. E aparentemente não sabem da criança. Não deviam saber sobre a gestação da zehoberi quando se separaram. Também temos que pensar que apesar das autorizações em nossos planetas aliados, não sabemos se alguém associado aos Guardiões que está fora das nossas vistas costuma frequentá-los.
— Se os Guardiões estão em Xandar, podemos começar a nos organizar para capturar o restante deles ou atraí-los até aqui. A criança está crescendo e ficando mais independente. Será livre como prometemos. Xandar não pode interferir em nossas leis.
— Acho que convém pensarmos melhor. Eles já salvaram a galáxia duas vezes, três se contarmos com a guerra de Thanos, muitos ficariam descontentes com isso.
— Devemos ser imparciais aqui.
— Eu entendo, mas...
— Eu posso sugerir uma coisa? – Adam o interrompeu.
Ayesha suspirou.
— Diga-nos.
— Sacerdotisa, eu entendo que nosso rigor e imparcialidade contribuem pra manter a ordem e evitar problemas com outros povos, mas também há pessoas que apreciam resoluções pacíficas e respeitam quem faz isso. E eu acho que aqueles que admiram os Guardiões da Galáxia e da Tropa Nova são assim.
— Por que você acha isso?
— Gamora não tem o título de assassina mais temida da galáxia por nada. Mesmo que hoje ela não corresponda mais a esse nome, ela poderia sim ter aniquilado facilmente qualquer um de nós depois que se recuperou do parto e de tudo que passou, mas ela nunca o fez. Mesmo que seja pra protejer a filha, ela sequer tentou uma mínima agressão direta. Não faz sentido que as pessoas em volta dela correspondam a isso?
— Adam...
Alia levantou a mão, fazendo Ayesha parar para ouvi-la.
— Nós sabemos que a maioria dos Guardiões estava no nosso campo de visão no momento provável em que as baterias sumiram. E que há uma grande chance de aquele animal estranho e falante ter sido o autor do roubo. Ele tinha essa fama até aquela época. Se é por isso que Gamora está sendo punida, acho que realmente devíamos repensar a sentença.
— Eles destruíram duas de nossas melhores frotas não tripuladas.
— Uma – Adam corrigiu – Não nos disse que ninguém conseguiu identificar quem fez isso da primeira vez?
— Isso é verdade. Mas não muda o que houve na segunda. Aquele saqueador e nossa ex-prisioneira estavam com eles.
— A imposição de acordos severos também impõe respeito – o conselheiro voltou a falar – Poderíamos fazer acordos com todos eles, seja uma punição financeira, ou de trabalho forçado no reino, ou tempo de prisão como já estamos fazendo com a que temos aqui. Fomos irredutíveis sobre a pena de morte por muitos anos e funcionava, mas pessoas diferentes têm surgido na galáxia. Acho que é um bom momento pra criarmos algumas alternativas. Acho que isso ficaria bem no relatório do Conselho no final do semestre. Mesmo se não aceitarem, eu gostaria de saber o que pensam disso.
Ayesha ficou longos três minutos em silêncio pensando, enquanto seu conselheiro olhava alguns papéis e Adam e Ali esperavam.
— As baterias anulax são um bem precioso e caro. Eles nos roubaram três delas e jamais devolveram. Eu poderia aceitar uma reposição como acordo. Uma bateria por cada membro da equipe deles. O que você acha disso? – A sacerdotisa perguntou ao conselheiro.
— Parece uma boa ideia. Mas elas ficaram difíceis de encontrar após a guerra, teriam que procurar bastante. Temos sorte de ter estoque pra anos e de elas durarem muito. De qualquer forma, o pessoal do nosso setor científico está em busca de novas fontes energéticas desde então, por precaução.
— Eu acho que ela aceitaria o acordo – Adam opinou.
— Provavelmente – Ayesha falou pensativa – Mas eu não autorizo que revelem a ela sobre o paradeiro dos Guardiões. Ainda é uma prisioneira e esperanças alimentam fugas. Dar esse poder a ela seria um risco e muito além do que estou disposta a negociar. Quantos membros eles são agora?
— Se as informações estiverem corretas, senhora... – o conselheiro tentou se lembrar.
Adam e Alia sabiam, mas não queriam revelar isso.
— Depois da época do incidente e durante a guerra, o grupo aumentou pra sete pessoas. Oito se contar com a criança.
— Dez baterias então. Uma pela liberdade de cada pessoa da equipe, três pelo roedor ladrão. Quando todas forem entregues, as duas poderão partir pra onde quer que desejem. As buscas devem ser feitas em nossos territórios aliados, ou até mesmo em nosso reino, se alguém tiver baterias novas e se dispuser a trocá-las por prestação de serviços.
Adam não gostou disso. Já seria bem difícil encontrarem oito, mas era o melhor que teriam de Ayesha. Ele se perguntou se o desejo dos aniversários terráqueos podia ser tão poderoso que teria algo a ver com isso.
— Podemos informar a ela? – Alia quis saber.
— Podem. Mas lembrem-se. Qualquer tentativa dela de contato anula o novo acordo. Ela perderá a criança e será executada.
Alia e Adam assentiram e saíram da sala.
— Será que isso foi efeito do desejo de aniversário? – Alia cochichou enquanto se dirigiam à prisão e compartilhavam um sorriso.
— Não é o ideal, mas assim podemos tirá-las daqui de uma forma legalizada, sem mais perseguição depois. Embora ainda seja injusto. De qualquer forma, vamos manter o plano original como plano B.
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Gamora olhou para a porta ao escutar os passos de Alia se aproximando. Meredith estava deitada na cama, mastigando seu mordedor gelado enquanto brincava com o ursinho. Gamora fizera um ninho com lençóis e toalhas para acomodá-la e impedi-la de rolar e cair, deixando-a livre para se virar para a porta e aguardar.
— Gamora? – A voz de Alia parecia feliz.
Gamora virou a cabeça para o lado, curiosa com as razões para isso.
— Entre – a zehoberi disse.
A soberana entrou sozinha e sorrindo.
— Estávamos em reunião com a sacerdotisa e o conselheiro pessoal dela. Algo inusitado aconteceu. Ainda não nos parece justo ou ideal, mas é uma chance, uma boa chance de acabar com isso.
— Isso o que?
— Sua liberdade, pode tê-la de volta. O conselheiro ficou preocupado com as consequências de eliminarmos os Guardiões depois de vocês salvarem a galáxia três vezes, algo que Adam e eu já tínhamos insistido em argumentar, mas ela nunca deu ouvidos. No entanto, agora, depois da guerra e tudo mais, ela se convenceu de que vale a pena mudar as regras e fazer um teste.
— Como assim?
— Ela quer que as baterias roubadas sejam compensadas. Uma pra cada pessoa da equipe, incluindo sua filha.
— Oito então.
— Dez. Ela quer três pelo roedor.
— Ele não é um roedor. Mas isso não faz diferença agora.
Gamora cerrou os dentes, não conseguindo evitar sentir vontade de punir Rocket por isso. Mas respirando fundo e retomando a razão, lembrando-se de todos os horrores que o amigo havia passado no início de sua vida, e tudo de bom que fizera pela família deles, incluindo criar a bomba que matou Ego com as baterias roubadas, seu coração se acalmou.
— Essas baterias são caríssimas, como eu pagaria por isso sem poder sair daqui pra trabalhar? E onde posso encontra-las?
— Há pessoas dispostas a trocá-las por prestação de serviços às vezes. O problema é que se tornaram um item raro depois da guerra, mesmo aqui em nosso planeta. Você pode ver quando passamos perto algumas vezes que agora há uma redoma de vidro muito forte em volta, é por essa razão. Pra evitar furtos e que feras espaciais consigam comê-las tão facilmente. Nos autorizaram procurar nos nossos planetas aliados, e até mesmo aqui no nosso reino. Nem todos tem uma dessas em casa, mas temos comércio aqui, alguém pode estar disposto a trocar por algum trabalho. Eu e Adam podermos ir procurar com você quando estivermos em nossos horários livres. Agora mesmo Adam está tentando descobrir se há alguma bateria disponível aqui no reino. E você mesma tem que ir busca-las e negociá-las, em nossa companhia como sempre. Não garanto que isso vai ser rápido. Podemos levar anos pra achar todas. Mas é uma chance segura de sair daqui.
Gamora não disse nada por enquanto, pensando nas implicações disso e em como estava se sentindo a respeito. Anos... Não era o que queria, óbvio. Mas assim teria tempo de deixar Meredith crescer, se tornar mais independente, treiná-la, ensiná-la sobre o que fazer se precisasse seguir sozinha, e continuar planejando uma fuga para emergências. Ayesha nunca se deixaria vencer tão fácil. Mas céus! Era uma chance! Gamora queria sorrir, mas não o fez, porque parte dela também estava com raiva, por tudo que já tinha passado, por dar à luz a sua filha sozinha, por cria-la numa prisão longe de sua família, por saber o quanto os Guardiões ficariam arrasados por perderem tanto do início da vida dela, especialmente Peter, caso um dia se reencontrassem.
— Informe a sua sacerdotisa que aceito o acordo.
— Ela também me mandou informar que o acordo deve ser cumprido nos termos determinados. Tentativas de contato ou fugas não serão toleradas, e o acordo antigo será retomado. A execução, exceto de Meredith.
— A liberdade valerá para todos nós? Todos os oito?
— Sim, todos vocês.
Gamora assentiu.
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