É mais Simples Tentar Esquecer

4 Não são só desventuras


Notas iniciais
Eu não abandonei essa fic!
É tanto que aqui está o último capítulo!

Estava cansado, com olheiras e suspirando... Nem meu uniforme me dava o conforto que eu tinha antes quando o usava.

Minha cabeça estava lotada e estourando, de todos os pensamentos que a dominavam, o que tinha acontecido entre mim e Aki era o que mais se destacava...

Eu não sabia o que fazer da li para frente, aonde canalizar todos os meus esforços, onde arrumar uma nova paixão... Se é que eu tinha outra paixão a não ser o futebol... Talvez, a partir de agora a Aki, mas eu ainda amava o futebol e em nenhum momento da minha vida acho que poderei viver sem ele.

Futebol é tudo para mim, a minha amiga bola jamais me abandonou e sempre me acompanhou em todas as minhas conquistas.

Pelo menos eu tinha as boas lembranças de quanto eu tinha outra família graças ao Futebol.

~♥~


“Sei que já tentei de tudo,

Sei já não quero mais lembra

Só como dizer para mim

[...]

Para tentar me convencer

Que eu consigo sem você

Respirar enfim.

Um momento para mi deixar

A vida acontecer

Os poucos vou reconstruindo

Aos poucos tudo volta para o lugar

[...] ” – Versos mudos (Marjorie Estiano)

~♥~

Meus passos quase sem rumo me levaram para o canto que eu menos esperava... Olhei para frente e me deparei com centro de treinamento.

Eu podia até esperar que fosse parar no local dos meus antigos treinos, do pneu, meu velho companheiro de treino, do local aonde meu amor tinha começado e me possuído.

Quase sem vontade entrei, o corredor branco estava escuro e cada passada via os cômodos da instituição... Os vestiários, os banheiros, o corredor que dava para a direção... E como uma luz de se emergiu do nada, assim que meus olhos se lançam a visão do gramado, uma bola veloz e de alta potência veio em minha direção.

A única coisa que pude fazer foi segurá-la firme em minhas mãos.

Em seguida, um suspiro aliviado... Um olhar marejado... E um chute escandaloso levando a bola de volta ao jogador que a mandou...

Uma injeção de adrenalina me subiu pela espinha e a emoção me tomou...

O que eu estava pensando no momento? Só Deus sabe!

Eu esperava ver o campo deserto, esperava chorar lá por muito tempo, eu não esperava ver ninguém lá... Eu esperava que assim como minhas esperanças, o campo estivesse vazio... Felizmente para minha falta de fé a vida me prega mais outra desventura...

Aconteceu muito rápido, sem me deixar tempo para pensar... Eu comecei a correr, fui para o gol, Goenji desferia chutes quase impossíveis de serem pegos, e eu me jogava no chão fazendo de tudo para ser a barreira inviolável do gol... Fazendo o que eu sabia e ama.

Quando o sol escaldante da tarde bateu em nossos rostos suados e vermelhos, e um apito familiar soou forte em nossos ouvidos, todos nós corremos para os vestiários, Aki, Haruna e Natsumi distribuíram água e toalhas brancas.

Todos estavam sorrindo, ninguém falava nada, ou por evitarem entrarem no assunto ou por suas respirações aceleradas não permitirem. No mais total silêncio, onde só se ouvi o barulho respirações e da água caindo em algumas gargantas eu tomei a iniciativa... Eu sempre tomava, e não seria agora que isso mudaria.

-Por que pessoal? – Todos olharam para mim, por mais que tenha falado em um tom baixo, minha voz ecoou pelo vestiário. Depois os olhares confusos se viraram para todos os lados, todos com interrogações enormes em seus semblantes.

-Ora porque Endou! Claro que porque amamos o futebol! – Kazemaru falou sorrindo para mim... Ele realmente estava certo.

-Nós não íamos deixar as coisas como estão! Nosso capitão nos ensinou que nunca se deve desistir. – Goenji falou esboçando um simbólico sorriso.

-Vamos continuar mesmo sabendo que não temos mais um treinador e que nossa chance de terminamos o torneio foi acaba? – Perguntei vendo um ar tenso brotar no olhar de todos, mesmo assim Kido não deixou que continuasse.

-Todos nós começamos do zero! Não é fácil, mas nossa equipe tem um nome, somos conceituados, perdemos esse ano, só que sempre tem um próximo! Vamos achar alguém que se empenhe e não nos abandone. Vamos treinar, é como você diz Endou, se não podemos fazer nada agora vamos treinar para que quando pudermos estejamos preparados.

Foi então que a ficha caiu. Eu sempre, sem nunca percebe, acendia a chama daquela equipe... Era meu dever como capitão não deixar meus companheiros desistirem e se desanimarem... Eu não podia, eu não devia e não era aceitável tentar ficar procurando os problemas, íamos continuar, íamos lutar, porque é isso que sempre fazemos, corremos atrás do prejuízo, vamos em busca dos nossos sonhos.

Depois de um último respirar fundo, de enxugar uma gota de água atrevida no canto do meu olho eu fiz o que eu devia ter feito antes: ser o capitão da minha equipe.

-Pessoal me desculpem! Por um minuto eu não fui eu. – Peguei uma bola que estava ao meu lado e falei o que eu mais gostava. –VAMOS JOGAR!

Todos assentiram com a cabeça e correndo junto a mim, largaram suas tolas no chão e foram para o gramado verde do campo.

Passamos até o escurecer em um corre-corre eufórico, suando e caindo, e se levantando, e não perdendo a esfera de duas cores da nossa vista... Devo confessar que aquele foi o melhor treino que eu tive há muito tempo.

Voltamos para o vestuário e quando, aos poucos, todos foram embora, só sobrou Aki e eu.

Infelizmente percebi isso da maneira mais constrangedora possível... Estava saindo do chuveiro, me vestindo apenas com uma toalha na minha cintura e Aki juntando as garrafas d’água.

Ela ficou vermelha na hora que me viu, e largando tudo que segurava no chão saiu correndo.

-Eu quero falar com você lá fora! – Gritou enquanto apressava ainda mais suas passadas.

~♥~

A lua brilhava forte e particularmente nunca havia visto o céu tão estrelado.

Estava sentada na primeira fila da arquibancada e olhava estática para cima... As hipnotizantes luzes de Las Vegas haviam ganhado uma concorrente aquela noite.

Aproximei-me devagar e sentei ao seu lado sem me anunciar, ela só percebeu minha presença quando segurei sua mão, a pele mais macia que eu já havia sentido.

Ela virou o rosto e me olhou nos olhos, antes que qualquer coisa pudesse ser dita, senti sua outra mão em meu ombro e seus lábios nos meus. O gosto mais saboroso que já pude provar.

E no ápice da união de nossas bocas, quando nossas línguas se entrelaçaram e não podíamos mais diferenciar a quem pertencia o sabor de que, ela se separou e voltou a me olhar nos olhos.

Eu estava gelado e a mão da Aki me dizia a mesma coisa dela.

-Você está bem? – Ela perguntou um tanto quanto corada, naquele momento vi que o cabelo dela estava solto.

-Estou.

-O que Kido disse... É verdade? Vamos começar tudo do zero?

-Sim.

-E como você se sente em relação a isso? – Eu não sabia o que responder e quando dei por mim estava falando.

-Eu aprendi que é bem mais simples tentar esquecer tudo que aconteceu. Deixar que as coisas ruins sejam levadas pelo vento e que sejam escondidas pelos momentos bons que nós temos a partir do ocorrido... – Quem diria que eu poderia falar daquela forma?

-Nossa Endou! – Ela estava com uma cara de surpresa e eu entendia bem, até eu estava surpreso com o que acabei de dizer.

-Eu não me importo com o que vai acontecer daqui para frente, eu sei que sempre vou poder contar o pessoal e com você. Não é mesmo?

Ela não em respondeu.

Segurou firme minha mão e voltou a me beijar.

Com tudo que aconteceu eu aprendi três coisas fundamentais, nunca se deve desistir, não importa quantas vezes erre a amizade verdadeira sobrevive a tudo e que amor se revela das maneiras mais estranhas possíveis.

Foi esquecendo de tudo de ruim que me lembrei do que amava... E foi ao lado de quem eu amo que amadureci para uma nova consciência.

~~FIM

Notas finais
Leitores da categoria de Inazuma Eleven que querem uma nova fic minha por aqui, por favor, leiam>> http://sephoraonline.blogspot.com/2011/01/continuar-escrever-fics-de-inazuma.html
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!