A calmaria é quebrada por um grito estridente. Assustada, olho para baixo: aos meus pés, um bebê pequeno e ensanguentado. Instintivamente pego o menino no colo. Desorientada, olho no painel: meia-noite. Vinte e cinco de dezembro.

Anestesiada, escuto a sirene se aproximando. O cansaço extremo me toma. Lembro do meu tio, de como todo sábado promovia uma isagoge bíblica em casa. Balbucio uma passagem do livro Apocalipse:

- E viu-se um grande sinal no céu... uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés... e estava grávida, e gritava com ânsias de dar à luz.

Desmaio.