Notas iniciais
Congrats to Carlos PenaVega e Alexa PenaVega *-* Novo capítulo, espero que gostem ;)

Mas estava fascinado com ela e reparara em todos os pormenores mesmo antes de a conhecer.

– Voámos até à Califórnia no ano passado, para apanhar o barco para Hong Kong. Normalmente viajamos de comboio ou de barco.

– Parece que já viajou bastante. O que a levou a Hong Kong?

– Fui com os meus pais. Visitámos Hong Kong e Singapura, mas até essa altura só tínhamos ido à Europa. – a mãe quisera que ela aprendesse italiano e francês, e um pouco de alemão. Os pais pensaram que poderia ser-lhe útil um dia. Clarke imaginava-a casada com um diplomata. Ela teria sido a esposa perfeita de um embaixador e, inconscientemente, ele educava-a para isso. – Você é piloto? – perguntou ela de olhos muito e abertos, traindo assim a sua juventude.

Ele tornou a sorrir.

– Sou, sim.

– Em que companhia aérea? – achava-o simultaneamente misterioso e interessante e viu-o descruzar as pernas e recostar-se na cadeira por breves momentos. Não se assemelhava a ninguém que ela conhecia e queria saber mais coisas a seu respeito. Não possuía o verniz dos rapazes seus amigos, mas ao mesmo tempo parecia bastante cosmopolita. E, apesar da timidez, ele adivinhou nele uma grande confiança, como se soubesse que seria capaz de olhar por si em qualquer parte, momento ou circunstância. Havia nele uma sofisticação inata, e Kate imaginou-o facilmente a pilotar um avião. Para ela era uma coisa romântica e poderosa.

– Não voo para companhias aéreas. – explicou ele – Testo aviões e desenho-os, para atingirem grandes velocidades e serem resistentes. – era mais complicado do que isso, mas era apenas o que precisava de dizer-lhe.

– Conhece o Charles Lindbergh? – perguntou ela com interesse. Logan não lhe disse que a roupa que tinha vestida era dele e que viera com ele à festa, embora o seu mentor também tivesse estado relutante em ir. Anne ficara em casa, a cuidar do filho doente. Logan perdera Charles na multidão no início da festa. Desconfiava que ele se tinha ido esconder algures. Charles detestava festas e multidões, mas prometera a Anne que iria. E na ausência dela convidara Logan para apoio moral.

– Conheço. Trabalhámos juntos. Voámos os dois na Alemanha quando estivemos lá. – era por causa dele que Logan se encontrava em Nova Iorque naquele momento e fora ele quem lhe arranjara trabalho na Califórnia. Charles Lindbergh era seu mentor e amigo. Haviam-se conhecido numa pista de aviação em Illinois há vários anos, no auge da fama de Lindbergh, e na altura Logan era apenas um rapaz. Mas nos círculos de aviação, Logan era agora já quase tão conhecido como Charles. Só não era tão conhecido do público nem tão aclamado. Logan quebrara vários recordes nos últimos anos e algumas pessoas consideravam-no melhor piloto que o amigo. O próprio Lindbergh dissera-o uma vez, fora o momento alto da vida do Logan até esse momento, e mesmo desde essa altura. Os dois homens tinham uma grande admiração um pelo outro e eram bons amigos.

– Ele deve ser um homem bastante interessante … e ouvi dizer que ela também é muito simpática. O que aconteceu ao bebé deles foi terrível!

– Eles têm mais filhos. – retorquiu Logan, querendo afastar a potencial emoção do momento, mas Kate ficou perplexa com o comentário. Ela achava que isso não faria a mínima diferença. Custava-lhe imaginar o terror por que a família devia ter passado. Tinha nove anos quando aquilo acontecera e ainda se lembrava de ver a mãe a chorar quando ouvia as notícias e de lhe explicar o que estava a suceder. Para Kate soara como uma experiência aterradora, e ainda soava, e tinha muita pena daquela família. A agonia parecia até suplantar os feitos de Lindbergh, e intrigava-a o facto de aquele homem os conhecer realmente.

– Ele deve ser um homem extraordinário. – comentou Kate com simplicidade, e Logan assentiu. Nada mais podia acrescentar à adulação que o mundo tinha com Lindbergh e, na sua opinião, ele merecia-a – O que acha da guerra na Europa? – perguntou então Kate , e Logan ficou pensativo. Sabiam que a mobilização fora votada no congresso havia quase dois meses e as implicações disso não podiam ser ignoradas.

– Perigosa. Acho que poderá ficar descontrolada se não tiver um fim rápido. E creio que vamos entrar nela não tarda nada. – Os ataques haviam começado em Agosto com bombardeamentos noturnos a Inglaterra. A RAF estava a bombardear a Alemanha desde Julho. Ele fora a Inglaterra dar o seu parecer sobre a velocidade e a eficácia dos aviões ingleses e sabia que a força aérea seria fundamental para a sobrevivência daquele povo. Milhares de civis já tinham morrido. Mas Kate discordou rapidamente dele, o que o deixou intrigado. Ela era realmente uma mulher com opiniões formadas e um espírito voluntarioso.

– O presidente Roosevelt diz que não vamos envolver-nos. – disse ela com firmeza. Acreditava nele, tal como os pais.

– Com a mobilização já a decorrer, ainda acredita nisso? Não acredite em tudo o que lê. Não me parece que tenhamos alternativa. – pensara em oferecer-se como voluntário para a RAF, mas o trabalho que estava a desenvolver com Charles era mais importante para o futuro da aviação norte-americana, principalmente se os Estados Unidos iam entrar na guerra. Acreditava ser da máxima importância estar em casa naquela altura, e Charles concordara com ele quando haviam discutido o assunto. Era por esse motivo que Logan ia para a Califórnia. Lindbergh tinha medo de que a Inglaterra não conseguisse aguentar a pressão dos Alemães e ele e Logan queriam fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para prepararem os Estados Unidos para a guerra, embora Lindbergh se opusesse violentamente a isso.

– Espero que esteja enganado. – disse ela baixinho. Se não tivesse, isso significava que todos os rapazes bonitos presente naquela sala correriam um grande risco. O mundo inteiro, tal como o conheciam, iria ser profundamente alterado – Acha mesmo que vamos entrar em guerra? – perguntou ela preocupada, esquecendo-se por instantes de onde estava e pensando em assuntos sérios. A guerra já se espalhara pela Europa a um ritmo assustador.

– Acho sim, Kate.

Ela adorava a forma como ele a olhava quando dizia o seu nome. Havia nele muitas coisas de que gostava.

– Espero que esteja errado. – redarguiu ela.

– Eu também.

E, por se sentir à vontade com ele, nesse momento Kate fez algo que nunca fizera.

– Gostaria de ir até ao salão dançar um pouco? – tinha a sensação de ter encontrado um amigo, mas Logan pareceu pouco à vontade com a sugestão e baixou o olhar para o prato antes de tornar a fitá-la. Não se sentia no seu elemento.

– Não sei dançar. – respondeu ele ligeiramente atrapalhado e, para seu alívio, ela não se riu, arvorando antes uma expressão surpreendida.

– Não sabe? Eu ensino-lhe. É muito fácil, basta mexer-se um pouco e pôr um ar de quem está a divertir-se.

A parte de dançar com ela seria simples, mas não o resto.

– Acho que é melhor não, só iria pisá-la. – olhou para baixo e viu que ela calçava uns delicados sapatos azuis – Talvez seja boa ideia voltar para junto dos seus amigos. – há muito que não conversava com alguém durante tanto tempo, e muito menos com uma rapariga da idade dela, embora ele ainda não soubesse que ela tinha apenas dezassete anos.

– Estou a aborrecê-lo? – perguntou Kate abruptamente, com uma expressão preocupada. Sentiu que ele estava a mandá-la embora, e perguntou a si mesma se o teria ofendido ao convidá-lo para dançar.

– Bolas, não! – exclamou ele com uma gargalhada, e ficou ainda mais embaraçado. Estava muito mais habituado a hangares do que a salões de baile, mas, bem vistas as coisas, até estava a divertir-se – Você é tudo menos aborrecida. Pensei apenas que preferiria dançar com alguém que o soubesse fazer. – ele e Charles também tinham isso em comum. Charles não sabia dançar.

– Já dancei muito esta noite. – Era quase meia-noite, e só nessa altura é que ela fora comer qualquer coisa – O que é que gosta de fazer no seu tempo livre?

– Voar.