Águas Passadas
6 capítulo seis
Sonya estava em sua sala e mandou chamar Kenshi e Johnny.
— Pode falar chefinha. – disse Johnny com gracejos
A general revira os olhos tentando cortar as brincadeiras de Johnny
— Eu estava pensando em admitir uma nova pessoa para as F.E. – disse Sonya
— Quem seria? – Kenshi perguntou curioso
— A Harumi.
— Mas ela tem habilidade em artes marciais ou é uma metahumana? – perguntou Johnny
— Vou conversar com ela, dependendo vocês ou até mesmo Sub zero a treina. – falou Sonya
— Eu acho que quem não ficará muito contente é o Hanzo – disse Kenshi
— Ele não tem que gostar de nada, é eu quem decide as coisas aqui. Se ele não estiver de acordo...
— Você já está pensando em tirar a associação dele conosco?
— Mas é claro que não. – disse Sonya – O que me preocupa mesmo é esse relacionamento dele com a Tanya... Não confio nela.
— Você acha que podemos convencer Rain a vigiá-la? – sugestionou Kenshi.
— Rain tem se comportado bem e se mostrado leal ao Plano Terreno. Posso conversar com ele. Mas com relação à Harumi, vocês concordam em admiti-la para as F.E.?
Os dois concordaram.
—-----***-----
— Por favor, não fale assim. – pediu Harumi segurando a mão de Kuai que estava em seu rosto.
— Estou falando alguma mentira? – perguntou o grão-mestre
— É... Que você... – Harumi gaguejava – eu acho não estou pronta pra isso...
Sub zero baixou a cabeça por um instante. Harumi olhou sem graça pra ele
— Ei! – chamou Harumi – por favor, não me leve a mal... Eu estou muito confusa...
O grão-mestre olha para a jovem, sorri e diz acariciando o rosto dela.
— Posso entender o que está acontecendo. Você ainda o ama, não é?
— Não sei se posso dizer isso com tanta certeza. – disse Harumi – Eu pensei que ele estaria só quando me encontrasse, mas quando vi aquela mulher...
Harumi sentiu uma pontada no coração, colocou a mão no peito e baixou a cabeça. Veio toda a lembrança daquele encontro doloroso, não queria demonstrar como estava o seu interior para o grão-mestre. Foi inevitável, a japonesa deixou as lágrimas escorrerem, tentava segurar o choro, mas era em vão. Sub zero ergueu a cabeça de Harumi, carinhosamente, enxugou as lágrimas do rosto dela e a olhou profundamente nos olhos. Os rostos estavam muito próximos, até que Harumi perdeu o medo e deixou que o beijo acontecesse. Houve um misto de sentimentos e os dois não queriam que aquele momento acabasse, depois de alguns segundos se separaram. Os dois olharam para Satoshi que estava entretido com um brinquedo. Harumi olhou para o grão-mestre.
—Acho que estamos indo rápido demais – disse Harumi.
Sub zero sorriu e disse segurando na mão do jovem
— Estou disposto a fazer você esquecer o Hanzo. Eu não quero mais brigas com ele, mas quero correr o risco por você.
Harumi se assustou
— Vamos com calma, por favor. Não quero ser a causa de nenhum mal. Vou pensar nessa proposta.
Sub zero beijou a mão de Harumi e disse:
— Esperarei o tempo que for preciso.
De trás de uma árvore uma mulher, de cabelos brancos e um uniforme do Lin Kuei, estava olhando tudo o que estava acontecendo naquele jardim. Frost, era como todos os que a conheciam chamavam-na, era uma jovem que tinha por volta de vinte e cinco anos. Enamorou-se de Kuai Liang desde que este se tornou o seu treinador nas artes marciais dentro do clã. Tentava sempre se aproximar dele amigavelmente, mas Sub zero sabia das suas reais intenções, sentia por ela um amor filial, mas ela sempre encarava isso com malicia. Por várias vezes Kuai fora abordado pela jovem de formas provocantes, mas em respeito a ela o grão-mestre sempre se esquivava. Frost começou a alimentar em seu coração uma paixão doentia e seria capaz de tudo para ter o amor de Liang, até mesmo de se aliar ao inimigo.
—------****------
Era por volta das 3 horas da tarde, Hanzo estava treinando alguns dos seus guerreiros quando foi interrompido por Tanya.
— Hanzo, há visita para você.
— Quem ousa interromper o treino? – perguntou Hanzo jogando a katana no chão.
— Kenshi e Takeda.
Hanzo disse aos guerreiros
— Continuem treinando, não vou demorar.
Tânia acompanhou o noivo até a sala onde estavam os visitantes, ao chegar lá os três fizeram reverência e Hanzo os saudou:
— A que devo a honra dessa visita?
— Precisamos ter uma conversa muito séria – disse Kenshi.
Tanya olhou com desdém para eles. Ela logo pensou que seria o assunto do dialogo
— É só com senhor, mestre Hasashi. – disse Takeda.
Os três olharam para Tanya, esta nem relutou e foi logo saindo do lugar.
— Falem logo o que querem – disse Hanzo
— Por que fez aquilo tudo hoje de manhã? – disse Kenshi – você sabia que Harumi estaria lá?
— Não entendo o motivo de sua preocupação. Ela não me quis, me rejeitou, não vou ficar me humilhando para ela, quero mostrar que não sou fraco...
— Você ainda a ama – disse Kenshi –não abafe esse sentimento, vá até ela e se explique...
— Já estou noivo, não voltarei atrás em minha decisão – disse Hanzo decidido – se ela quiser, tragam ela aqui.
— Tudo isso que o senhor está fazendo a machucando. Saiba que isso pode lhe trazer graves consequências. – disse Takeda concordando com o seu pai.
Kenshi e o filho já começaram a se fadigarem de toda essa história. Kenshi se preocupava ainda mais era do endurecimento do coração de Hanzo, pois isso concederia a liberdade para Kuai poder concretizar os seus sentimentos para com Harumi. Takeda olhou para o pai, preocupou-se com a expressão dele e perguntou:
— Há algo errado, pai?
Kenshi, apesar de cego, podia sentir a expressão de impaciência de Hanzo.
— Hanzo está com o coração endurecido, temo que venham tempos ruins por causa disso.
— Deem uma oportunidade a Tanya – disse Hanzo – ela está do nosso lado.
— Ela pode ter mudado as atitudes – disse Kenshi – mas a maldade e a ganância ainda reinam em seu coração.
— Eu já ouvi demais hoje – disse Hanzo irritado – se for para falar mal de Tanya não voltem mais aqui.
Takeda colocou a mão no ombro do pai e disse:
— Não há mais nada a fazer aqui, vamos embora?
Kenshi e Takeda foram caminhando para a saída do palacete. Kenshi parou, virou em direção a Hanzo e disse com tom de repreensão.
— Não estranhe se a traição cair sobre o seu clã.
Os dois saíram.
—----***-----
— Te chamei aqui, pois quero lhe fazer uma proposta. – disse Sonya a Harumi.
A japonesa temeu que essa proposta tivesse algo relacionado à Hanzo, mesmo assim perguntou.
— O que seria?
— Gostaria que você trabalhasse conosco nas F.E.
Harumi hesitou
— Mas eu... Eu não sei fazer nada, não tenho nenhuma habilidade especial, não pratico nenhuma arte marcial...
— Podemos te treinar, o tempo que for necessário ou até mesmo o Sub zero pode fazer isso por nós – disse Sonya – temos apenas três metahumanos nos ajudando: Sub zero, Rain e Hanzo.
— Hanzo? Ele é um metahumano?
— Sim, ele pode manipular o fogo e tele transportar-se.
Harumi ficou boquiaberta ao saber disso. “Com essa habilidade ele poderia muito bem destruir o gelo do qual eu e Satoshi estávamos presos.”. A jovem ficou calada e presa em seus pensamentos.
— Há algo errado? – perguntou Sonya
— Ah Sonya! – disse Harumi – a cada dia me surpreendo mais com Hanzo.
Sonya fixou os olhos na japonesa e disse:
— Você precisa esquecê-lo.
— Mas será muito difícil, principalmente se eu for trabalhar com vocês...
— Por enquanto vou deixa-la nos bastidores, enquanto você adquiri as habilidades com manuseio das armas e em artes marciais, você quase não o verá.
Harumi sem pestanejar, com um sorriso nos lábios aceitou a nova proposta de trabalho.
—----***-----
Era noite, Tanya estava no jardim pintando um quadro com o auxílio de algumas luzes que refletia na tela. Ouviu um barulho estranho atrás de uma murta, parou o que estava fazendo para ver o que causava o ruído. Afastou as folhagens da murta e viu Frost tentando se esconder.
— Uma Lin Kuei me espionando? – disse Tanya sacando um punhal que sempre guardava junto de si.
— Por favor, não me machuque – disse Frost se erguendo e com as mãos levantadas em posição de rendição. – não vim lhe fazer mal.
— Diga logo o que quer.
— Fiquei sabendo que você se irritou com o retorno de Harumi. – começou Frost.
— Sim, realmente fiquei – disse Tanya – o meu relacionamento com Hanzo estava perfeito até chegar essa mulher.
— Não pense que me alegrei pela volta dela também – disse Frost – ela também quer roubar algo que é meu.
Tanya olhou confusa para a Lin kuei.
— Como assim? Harumi está no Lin Kuei?
— Sim – respondeu Frost – Ela e Sub zero estavam aos beijos no jardim.
— Ah já entendi tudo – disse Tanya rindo – você quer se aliar a mim para acabar com Harumi?
— Exatamente.
— Temos uma inimiga em comum, Frost – disse Tanya – e um único objetivo.
— Estamos formando uma aliança, então? – perguntou Frost estendendo a mão.
— Com certeza – disse Tanya assentindo.
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