Os dois se separaram do beijo e olharam para a figura estática de Hanzo, seu rosto estava pálido e sem nenhuma expressão. Um silêncio sepulcral reinou naquele instante, o coração de Harumi ficou agitado, olhava para Hanzo e depois para Kuai. Os lábios de Hanzo balbuciavam algumas palavras inaudíveis, até que deixou sair:

— Então é isso...

— Hanzo – interpelou o grão-mestre – suplico que este ocorrido não interfira em nossa amizade.

Hanzo ora olhava para o chão, ora para Harumi. O olhar daquela japonesa quebrava a resistência de Hasashi, sentia vontade de abraça-la, beija-la e dizer o quanto sentiu sua falta. Mas aquele tempo não permitia, o seu coração assumiu o delito, teria que pagar, mas já sentia o peso da culpa. Teria que aceitar que o coração daquela jovem não pertencia a ele mais. Olhou para Sub zero seriamente e se manteve calado, viu o caminho a frente e prosseguiu pesaroso.

Harumi ficou observando o ninja amarelo caminhando adiante, ficou sem reação diante de todo o ocorrido, até que sentiu as mãos de Sub zero em seu ombro que disse:

— Prossigamos o caminho Harumi, senão atrasaremos. De um jeito o encontraremos, não há como fugir, ele tem culpa.

Sub zero segurou forte nas mãos da japonesa olhou firme para ela e a fez caminhar.

Todos estavam na sala e esperavam a general para o início da reunião, Johnny foi cumprimentar Hanzo, este tentou disfarçar a desventura que vivera.

— Fala Hanzo! – disse Johnny – Não trouxe sua noivinha?

— Chamei-a, mas ela disse que tinha marcado para se encontrar com uma amiga no mesmo horário da reunião.

—----***----

— Você não conseguiu fazer nada, Frost? – disse Tanya esbravejando contra a aliada.

— O que você queria que eu fizesse? A única coisa que consegui depois de tentar algo foi ser suspensa dos exercícios de guerra.

— Porque você não sabe planejar, o que vem na cabeça você vai lá e executa.

Frost se cansa e senta em uma poltrona, ficou pensativa. Tanya se aproxima da cryomancer, observa para ver se ninguém está por perto, se abaixa a altura de Frost e diz:

— E se você sequestrar Satoshi?

— Você ficou louca, Tanya? Sub zero logo saberá que fui eu que cometi tal crime.

Tanya levantou-se e foi à janela e disse:

— Você não sabe como Harumi e Satoshi têm atormentado meus sonhos. Tenho que aguentar Hanzo dormindo e chamando por Harumi, o pior é ter que aguenta-lo me confundindo com aquela japonesa maldita.

— E você acha que sequestrando o menino irá sanar os delírios de Hanzo?

— Não, mas quero que Harumi pague por ter voltado à vida. Sei que o bem mais precioso dela é a criança, então vamos começar por Satoshi.

—----***----

Sonya chegou à sala de reunião, junto com ela estava Rain. Todos se sentaram nas cadeiras que se encontravam ao redor de uma grande mesa. E Sonya iniciou a reunião.

— Bem, há uma notícia boa e uma notícia má para dar a vocês. Começarei pela má... Acho que Rain pode explicar melhor a notícia má.

Rain olhou para Sonya esperando o aval para o início da explicação. Sonya consentiu e ele iniciou:

— Como alguns de vocês sabem, Mileena morreu há dois anos depois de ser condenada por Kotal Khan pela guerra civil que causou. Mas Shang Tsung fez várias cópias de Mileena e uma delas está viva e quer vingar a morte da irmã e invadir o Plano Terreno com um exercito de tarkatans e outras criaturas de aspecto terrível.

Rain fez uma pausa e continuou

— O pior é que a cópia de Mileena pode estar no Plano Terreno apenas para examinar as áreas a serem atacadas.

Todos ficaram atônitos e preocupados, seria uma nova guerra a ser enfrentada. Johnny vendo todos em clima pensativo e tenso resolveu “quebrar o gelo”.

— E a boa notícia?

Sonya olhou para todos com um olhar consolador e disse:

— Raiden trará uma integrante para combater junto a nós.

Todos olharam curiosos com o desejo de perguntarem quem seria. Sonya prevendo a curiosidade dos presentes disse:

— Foi um pedido de Raiden para que fosse revelado quando ela chegasse à base.

— E quando ela vai chegar? – perguntou Jacqui.

— Provavelmente amanhã. Mas agora o que vocês mais precisam é intensificarem o treinamento, pois a qualquer momento convocarei vocês para o combate. Lin Kuei e Shirai Ryu, farei um plano estratégico para cada um o mais rápido possível.

Sub zero e Hanzo assentiram.

—----***------

Frost estava voltando ao Lin Kuei e decidida que naquele mesmo dia cumpriria a vontade de Tanya.

Era noite e havia apenas alguns guerreiros em treinamento, alguns criados preparando o jantar e uma criada estava na varanda cuidando do pequeno Satoshi. Ela estava o alimentando com algumas bolachas doces e o observava brincando. De repente, sentiu um ar gelado batendo em suas costas, olhou para o menino e disse sussurrando próximo a ele:

— Vamos entrar, pois já está esfriando.

A criada levantou e sentiu alguém a agarrando pelas costas, um punhal de gelo estava em seu pescoço e ouviu uma voz fria:

— Sinto muito por isso

Sem piedade, Frost cortou a garganta da criada, pegou a criança que estava no chão e sumiu pela escuridão de um bosque próximo dali.

—----***----

Estavam todos conversando após a reunião, o maior assunto era quem seria a guerreira que ia lutar com eles. Harumi conversava bem distraída com Cassie e Jacqui, mas fora interrompida por Hanzo.

— Posso falar com você? – perguntou o ninja já esperando um não.

—Depois conversamos mais – disse Jacqui saindo, Cassie a acompanhou.

— O que você quer Hanzo? – perguntou Harumi em tom áspero

Hanzo olhou sério nos olhos de Harumi, ela tinha um olhar distante, como se quisesse ir embora o mais depressa possível.

— Você está bem com ele? – perguntou Hanzo apontando para Sub zero

— Sei que você não aceita perdas, mas acho que você terá que consentir com essa derrota.

— Harumi, eu estava solteiro...

— Você me prometeu que não ficaria com mais ninguém, caso eu morresse. Você quebrou a promessa.

Hanzo com o rosto de pesar, disse:

— Eu gostaria muito que você me entendesse. Estou disposto a largar tudo pra ficar com você.

— Acho que é um pouco tarde para isso.

Os dois pararam a conversa depois de uma estranha agitação no lugar onde estavam, Sub zero estava em desespero com o telefone na mão a procura de Harumi. A mesma foi correndo até ele deixando Hanzo para trás.

— Kuai, o que houve? – perguntou Harumi tentando acalmá-lo.

Com uma expressão aflita na face, Sub zero disse a japonesa:

— Harumi, você precisa ser forte.

Respirou fundo e voltou a dizer:

— Satoshi foi sequestrado e uma criada foi morta.

Harumi entrou em estado de choque, seus pensamentos foram tomados de grande pavor. Hanzo chegou a tempo e a agarrou-a quando ela caiu desmaiada. Sub zero e Hanzo se entreolharam seriamente. Sub zero disse a Hanzo

— Por favor, venha conosco e deixe-a no quarto dela repousando.

Hanzo a pegou no colo e acompanhou todos ao Lin Kuei. Ao chegarem lá, estavam todos os criados e guerreiros vasculhando a área de bosque e no interior do palácio. Sub zero e alguns da equipe foi com ele no quarto onde o crime ocorreu. Hanzo continuava com Harumi no colo, esta acordou do torpor, viu Hanzo que não parava de olha-la, os dois trocaram olhares, Harumi se lembrou de quantas vezes ele havia feito isso quando estavam juntos, mas não queria mais alimentar essas lembranças que agora significava apenas a dor da traição. Com tom sério disse:

— Coloque-me no chão, já estou bem!

Hanzo a obedeceu e Harumi foi para junto de Kuai e chegaram juntos ao local onde o incidente ocorreu. Ali estavam os brinquedos de Satoshi espalhados no chão e o corpo da criada estendido no chão com um corte no pescoço. Sonya foi averiguar o corpo e disse:

— Não faz muito tempo que isso ocorreu, o criminoso não pode estar longe.

— Ou criminosa – disse Kung Jin pegando o punhal de gelo sujo de sangue que estava derretendo.

— Frost! – sussurrou Sub zero.

— Ela está com Satoshi! Precisamos capturá-la – disse Harumi entrando novamente em desespero.

— Calma! – disse Sub zero abraçando-a – vamos encontra-los.

Hanzo com o coração inflamado de mágoa quis partir para cima de Sub zero ao ver toda aquela cena, mas se conteve ao lembrar-se da aliança que fizera tanto com o Lin Kuei como com as Forças Especiais. Sutilmente interrompeu dizendo:

— O que acham de irmos andando pelo bosque até encontra-la, já que Sonya disse que o culpada não deve estar muito longe.

— Boa ideia, Hanzo – disse Sonya aproximando-se dele.

Um dos guardas Lin Kuei disse:

— Ficaremos na espreita caso aconteça algo.

Sub zero assentiu e pediu que alguns criados removessem o cadáver da criada e outros limpassem as possas de sangue formaram-se no chão devido ao homicídio ali ocorrido. Sonya deu as coordenadas e cada um foi para um lado do grande bosque que havia ali próximo.

—----***-----

Frost andou por volta de um quilômetro vinda do palácio Lin Kuei. Devido ao peso da criança, a cryomancer parava um pouco para descansar e depois retomava o caminho. Até que chegou a uma clareira, colocou o menino no chão cheio de folhas secas, se distanciou um pouco dele e começou a pensar no que faria com ele. Satoshi começou a chorar, assustado devido à escuridão e aos ruídos dos animais selvagens. Frost, de ímpeto, tapou a boca do menino com a mão e mandando que ele se calasse, o choro começava a aumentar. A cryomancer, então, formou uma espada de gelo e disse:

— Eu não tenho outra escolha.

Apontando a espada contra o menino e quase para dar o golpe fatal, sentiu algo pontiagudo perfurar suas costas. Ouviu de trás da árvore uma advertência:

— Não faça mal algum à criança!

Frost procurou de onde vinha aquela voz e não achando a fonte voltou à posição em que estava. De repente sentiu alguém puxar os seus braços para trás e sentiu uma joelhada em suas costas, fazendo a cair. Frost viu a autora do golpe, tinha os cabelos negros como a noite e olhos brilhantes, o seu rosto não poderia ser reconhecido, pois estava com uma máscara azul anil, seu traje era de guerra e portava leques pontiagudos. A guerreira apontou os instrumentos que usava próximo a garganta da cryomancer, com os pés prensava o tórax de Frost contra o chão, deixando-a sem saída. Com a voz abafada por causa da máscara disse:

— Você não matará mais ninguém!