Sub zero olhava Frost com impiedade, sua vontade mesmo era de executá-la ali mesmo, mas não queria ser lembrado como uma cópia de Bi-han, que matava por motivos às vezes banais. A cryomancer com a voz trêmula disse:

— Como assim? Mas eu não tenho para onde ir, grão-mestre.

— Pensasse isso antes de fazer tais atrocidades.

— Me deixe no calabouço, mas não me expulse do Lin kuei. A minha vida está aqui.

— Você só mancha a honra Lin kuei com suas maldades, Frost. Pensei que teria uma aliada, mas só vejo perversão em você.

Frost começou a ficar irritada. Aproximou-se do grão-mestre e disse:

— Eu sei por que você está assim. Ela – disse apontando para Kitana – tem corrompido sua mente contra mim. Não me arrependo de tê-la atacado. Você está me expulsando para que tenha mais liberdade com essa qualquer.

Sub zero perdeu a calma e deu um soco no rosto de Frost, fazendo-a cair no chão. Ela sentiu seu nariz sangrando e colocou a mão no rosto para tentar estancar o sangue. O grão-mestre aproximou-se dela e a segurou pelo colarinho, formou uma espada de gelo de sua mão e estava prestes a atravessar Frost com sua espada quando Harumi gritou:

— Não, grão-mestre, por piedade!

Frost olhou para Harumi e Sub zero disse a cryomancer:

— Não quero nada que é seu aqui. Suma!

Terminou de dizer isso a largou no chão e jogou a espada no chão fazendo-a desaparecer. Dois guardas se aproximaram de Frost e levantaram-na. Sub zero ordenou:

— Levem-na para o quarto e ajudem-na a arrumar suas roupas. Quero o quarto dela sem nenhum de seus pertences.

Os guardas seguraram Frost, um de cada lado e a levou para onde o grão-mestre havia ordenado.

Sonya aproximou-se do grão-mestre enquanto os demais iam para a base das F.E., exceto Kitana e Harumi que foram direcionadas para a cozinha por um dos criados. Sonya disse:

— Sub zero, eu nunca vi você desse jeito. Até pensei que não era você.

— Ah Sonya, às vezes são tantos problemas que quando alguma coisa acontece desse jeito, estoura tudo.

— Mas você estava prestes a matar Frost. Pensei realmente que você ia mata-la.

— Não sei o que deu em mim, não queria ter feito isso.

— Espero que você melhore. Bem, eu vou para a base, jantar. Qualquer coisa já sabe.

Sub zero deixou escapar um sorriso, Sonya deu dois tapinhas no ombro do grão-mestre e se foi. Kuai foi para o jantar.

—---***----

Era noite, Tanya estava no jardim do palacete sentada em um banco feito de jaspe, ela admirava uma coruja que estava no galho de uma árvore. Ouviu um barulho semelhante como água torrente, virou para onde vinha o barulho e Rain surgiu.

— Rain – disse Tanya se levantando – que honra te ver.

— Precisamos conversar Tanya.

— Sobre o que.

— Você sabe do que eu estou dizendo.

Rain aproximou-se de Tanya e passou a mão no ventre dela. Disse sussurrando em seu ouvido:

— Eu sei que esse filho que espera não é do Hanzo.

Ela se afastou de sobressalto e disse:

— O que você está dizendo, seu tolo?

— Não se faça de desentendida. Esse filho que espera é meu.

Tanya colocou o dedo indicador nos lábios de Rain e perguntou:

— Você quer que todo mundo saiba?

— Aonde quer chegar com isso?

Nisso os dois ouviram passos, Hanzo e dois soldados se aproximaram. Hasashi cumprimentou Rain:

— Boa noite Rain! Em que posso ajuda-lo?

O edeniano ficou um pouco sem graça e gaguejando disse:

— Bem... Mestre Hasashi... Em nada. Eu já estava de saída.

— Não quer jantar?

— Não se incomode! Já estou de saída.

Dizendo isso, Rain desapareceu em um redemoinho de água. Hanzo já estava começando a desconfiar daquela visita, perguntou:

— O que vocês estavam conversando?

— Nada de mais, Hanzo.

Mestre Hasashi virou de costas para ela, estava quase entrando no palacete quando Tanya o chamou e perguntou:

— E o que aconteceu com Frost?

— Foi expulsa do Lin Kuei.

Tanya ficou estática e Hanzo prosseguiu o caminho.

—---***----

Já passava das 21 horas, Kuai aproveitou que a noite estava quente e foi para o jardim. Deitou-se na grama, colocou suas mãos por trás da cabeça e ficou olhando a lua, que já estava alta, e as estrelas. Começou a pensar em tudo o que havia feito naquela noite, seus pensamentos foram interrompidos por alguns passos na grama, era Kitana. Ele a chamou:

— Vem ver como o céu está lindo, princesa.

Ela se aproximou, sentou, tirou as botas e se deitou na grama como o grão-mestre. Os dois permaneceram calados por um instante, Kitana resolveu romper o silêncio:

— Kuai, por que você queria que eu desse a sentença para a Frost?

— Pois foi a você que ela fez mal. Acho justo você sentencia-la.

— Mas é você que manda aqui, Kuai!

Sub zero deu uma pequena risada. Ela perguntou:

— Do que você ri?

— Nada. Estou lembrando a sua cara de assustada quando eu pedi para você dar a sentença.

— E aquele soco que você deu nela? Foi por ela ter me ofendido?

— Eu não admito que fale mal daqueles que...

Sub zero parou de falar de repente, Kitana se virou de bruços e aproximou-se mais do grão-mestre e o olhou. Ele a fitou. A princesa disse:

— Daqueles o que, Kuai? Diz-me.

Kuai com o braço direito a puxou para mais próximo dele. Ela pousou a mão no tórax dele para se apoiar, sentiu a respiração dele bem próxima de seu rosto. Ele, levemente, colocou a mão na parte de trás da cabeça de Kitana fazendo ela se aproximar mais e em questão de segundos os lábios dos dois estavam colados. Kitana se afastou e perguntou:

— E agora? Você sabia o que estava fazendo?

— Eu sei

Sub zero com os dois braços agarrou a princesa e fez com que ela trocasse de lugar, agora ela estava deitada na grama e ele estava deitado de lado agarrado a ela. Ela começou a rir. Kuai perguntou:

— Do que você ri?

— Você é louco. Alguém pode ver.

— Não me importo.

Os dois sorriram. Kitana acariciou o rosto do grão-mestre e o puxou para si, ele começou a beija-la deixando que seus lábios massageassem levemente os dela. Ela acariciava os cabelos dele enquanto ele segurava-a firme. Até que ela o afastou e disse:

— É melhor pararmos por aqui.

— Por quê?

— Não somos namorados, Kuai.

Ela se levantou e ficou sentada e ele também. Kitana perguntou:

— O que você quer, afinal?

— Dar uma chance ao meu coração. E sei que você também quer.

Kitana respirou fundo e deu um sorriso. Kuai disse:

— Eu quero tentar algo sério com você. Mas tem que ser escondido, pois se Frost saber ela pode atentar contra sua vida de novo.

— Você está me pedindo em namoro?

Sub zero riu e disse:

— Não queria que fosse assim. Mas e aí? Você aceita?

Kitana se sentia um pouco confusa com tudo aquilo, estava indo tudo muito rápido. Aquilo que ela sentia pelo grão-mestre fora crescendo a medida do tempo e aquele pedido de namoro foi a confirmação de que estava no caminho certo.

— Mas e seus sentimentos pela Harumi? – perguntou Kitana

— Eu não pediria você em namoro se eu ainda estivesse sentindo alguma coisa por ela. Não sou de brincar com os sentimentos de ninguém.

A princesa aproximou-se de Kuai e disse:

— Realmente eu nunca pensei que poderíamos namorar, ainda estou surpresa com toda essa história.

— Eu também, minha princesa.

Dizendo isso Sub zero começou a acariciar o rosto da princesa, em seguida beijou seus lábios.

—---***----

Frost já estava há horas caminhando pela floresta com sua mala. O Lin Kuei estava bem longe, de vez e quando ela formava uma espada com suas mãos frias, para se defender de algum inimigo. Ela caminhou muito até chegar a uma clareira, sentou-se numa pedra e começou a comer uma maçã que conseguira roubar do Lin Kuei ao passar pela cozinha. Quando de repente começou a ouvir um ruído pelas folhagens de alguns arbustos, suas mãos ficaram trêmulas, guardou a maçã embrulhada num papel, fez duas adagas e começou a perguntar:

— Quem está aí?

A cryomancer virava de um lado para o outro, mas ninguém se manifestou. Até que uma figura familiar apareceu a sua frente, Frost deu um grito de susto e pulou para trás, segurou as duas adagas com força e disse:

— Não se aproxime de mim, forasteira!

— Ora, querida, não se assuste! Sou eu.

Mileena tirou o véu rosa escuro que cobria sua boca. Frost não conseguia ver muito por causa da escuridão, mas ao ouvir a voz conhecida de Mileena deu um suspiro de alívio e disse:

— Você me deu um susto.

— Me desculpe. Mas o que você está fazendo perdida nessa floresta?

— Fui expulsa do Lin Kuei e estou caminhando a esmo pela floresta. Estou à procura de algum povoado para que eu possa me abrigar.

— Expulsa? Mas por quê?

— Tentativa de assassinato. Quase matei a Kitana.

— Nossa! E por isso Sub zero te expulsou do clã?

— Sim, tudo por culpa daquela vaca. Tomou o que era meu...

— Ah que pena! E você é apaixonada pelo Sub zero... Mas não se preocupe eu posso te ajudar nessa vingança.

— Você me ajudaria?

— Com certeza. Claro se você puder lutar junto comigo contra o Plano Terreno. Precisamos de alguém ágil e ambiciosa como você

Frost não hesitou e disse:

— Trato feito.