Águas Passadas

14 Banho De Água Fria


Notas iniciais
FINALMENTE GUYS, I'M BACK! E, sim, eu sei... Era pra esse capítulo ter saído, tipo, a uns dois meses atrás. Mas novamente, enfrentei bravamente um longa saga para chegar até aqui HUEHUEHUHE Eu inclusive mandei mensagens para algumas leitoras avisando que meu teclado havia fritado, então acabei perdendo muito tempo apenas com a burocracia com a chegada da peça nova, assistência técnica, e etc... Eis que quando o notebook finalmente fica arrumado, e o capítulo devidamente pronto e revisado, acontece algo que eu defino apenas em uma palavra: IMPOSSÍVEL!!! E isso também merece uma historinha, Haha Como sempre, eu havia terminado o capítulo em uma madrugada. Mas eu ainda teria de acordar cedo naquele dia para trabalhar, isso já era umas cinco da manhã. Então guardei o note, fui trabalhar, e deixei para postar o capítulo quando chegasse... Assim que cheguei, peguei o notebook: ele estava descarregado. But, no problems. Era só coloca-lo para carregar, sem crise. Até que, o impossível aconteceu: quando eu fui abrir o capítulo para postar, O ARQUIVO WORD ESTAVA SIMPLESMENTE CORROMPIDO!!! Eu fiz literalmente de tudo: tentei formatar, recuperar o arquivo original, mudar a fonte, alterar a formação, mas, nada! 8K de palavras acabaram sendo perdidos em uma formatação "Courrier New 11" -_- Então, o que fiz? Isso aí, tive que escrever TUDO NOVAMENTE. Pessoas normais fariam um capítulo menor que o anterior, naturalmente por esquecer muitos detalhes. Mas, como eu sou uma Fênix, quando me dei conta percebi que o capítulo já tinha 4K de palavras a mais que o anterior HUEHUEHUE E detalhe: justamente por estar muito grande, eu acabei dividindo esse capítulo. Esse capítulo teria 3 núcleos. Mas como acabou ficando maior que o esperado, eu decidi deixar as outras duas partes para o capítulo seguinte. Então, boa notícia! Se não for corrompido novamente, o próximo capítulo já está praticamente pronto Haha E como eu havia dito no capítulo anterior que eu definiria uma data para estar sempre postando, ficaremos assim: caso nenhuma força nível "Todo Mundo Odeia O Chris" me atingir, eu irei postar um novo capítulo todo dia 15 U.U (Obs1: Esse capítulo possui apenas um núcleo. Sendo assim, todos os acontecimentos ocorrem dentro de uma hora) (Obs2: Para algumas curiosidades, leiam as notas finais) Sem mais delongas, boa leitura! :D

Entre banhar-se com água gelada, e banhar-se com água quente, é claro que muitos irão concordar que aquela ducha quentinha após um longo dia de trabalho, é muito mais aconchegante. Quer dizer, a menos que seja naquele solarão impiedoso de um verão de quarenta graus... Mas, fora isso, a maioria há de concordar que um banho aquecido, é sempre a melhor opção. Todavia, as vezes alguns imprevistos podem aparecer: a luz pode faltar, o chuveiro pode queimar, e você acaba tendo que ser obrigado a tomar um banho de água fria. Dependendo da temperatura que esteja fazendo no dia, ou do tempo que tenha de sobra, as vezes é possível esquentar a água manualmente e dar um jeito de improvisar. Mas, de fato. Que atire a primeira pedra aquele que tiver tempo sobrando, ao invés de estar correndo contra ele...

Não há nada pior do que ser obrigado a tomar um banho de água fria contra sua própria vontade. Principalmente, quando as condições ao seu redor não estão muito favoráveis: os dentes batem um contra o outro, seu corpo treme, e até mesmo suas unhas ganham uma tonalidade arroxeada. Qualquer brisa, por mais suave que seja, transforma-se no próprio Alasca oferecendo um abraço caloroso — se a vida lhe permite essa ironia — caso o mesmo fosse uma pessoa. E após todo esse misto de sensações desagradáveis, como se já não fosse o suficiente, ainda sobra a impressão de que mesmo enrolado-se em meia dúzia de cobertores, irá demorar uma eternidade até que você possa sentir-se aquecido outra vez. Entretanto, assim como tudo na vida, existe um lado bom até mesmo nas piores situações — ou pelo menos, deveria existir.

Conhecido como sendo um ditado popular, quando se escuta a expressão "tomar um banho de água fria", logo pensamos em algo que deu errado, ou em alguma expectativa que foi frustrada. Entretanto, as vezes um banho de água fria não serve apenas para causa frio. Mas também, para despertar... Diferente do que muitos pensam, um banho de água fria trás diversos benefícios para a saúde: além de estimular o organismo e os órgãos internos, também coloca-os em alerta e estimula a boa circulação sanguínea. Dessa forma, o oxigênio consegue ser distribuído de forma mais eficiente pelo corpo. E as vezes, apenas as vezes, tudo que precisamos é de algo de que nos tire da zona de conforto, e nos obrigue a explorarmos uma mesma situação diante de diferentes pontos de vistas.

— Mas que droga, minha cabeça... — Atordoado, Freddie Benson levantou-se segurando sua cabeça entre as mãos, sem saber ao certo o que acontecendo ao seu redor. Seus ouvidos zuniam de uma forma ensurdecedora — mais do que o normal — competindo com os gritos que ecoavam dos que estavam desesperadamente tentando salvar suas vidas. Sendo assim, apenas ao notar a densa fumaça que se espalhava rapidamente pelo horizonte, o engenheiro percebeu o que de fato estava acontecendo ali. — Não, não, não, não! Droga! Sam! Sam! — Exasperado, ele pôs-se totalmente de pé, ainda que estivesse cambaleando um pouco. — Sam, aonde você está? Consegue me ouvir?

— Benson?! — Subitamente, uma voz feminina gritou de volta.

— Sam? Sam! Eu não consigo te ver!

— É porque eu estou atrás de você, gênio! — Ambos gritavam mais pela "surdez" repentina, do que pelo barulho, de fato.

— Oh... E por que não disse isso antes?!

— Você não perguntou, oras! — Ela respondeu como se fosse óbvio.

— Tudo bem, que seja! Você está bem?

— Sim, valeu. Tem apenas um zumbindo irritante, parece que eu ouço tudo como se estivesse debaixo d'agua...

— Pelo menos agora você sabe como é... — Queixou-se, mesmo que aquela não fosse sua intenção.

— Sério? Vai fazer isso agora? — A loira exigiu, pronta para revidar qualquer que fosse o argumento de Freddie. Pois se havia uma coisa que ela odiava, era de ser acusada ou culpada de alguma coisa. Por mais que, na maioria das vezes, a mesma realmente tivesse culpa no cartório.

— Foi mal! Foi automático...

— Tudo bem, relaxa... E quanto você?

— E quanto a mim, o que? — Confuso, ele indagou.

— Se você está bem, lerdo! Ou eu preciso te carregar como uma noiva até a primeira ambulância que aparecer?

— Eu deveria agradecer, ou discutir?

— Você é o nerd aqui, descubra!

— Okay, tudo bem, eu vou tomar isso como uma demonstração de preocupação... Mas, não, valeu. Eu tô bem também.

— Sério? Vai dispensar a discussão, sem nenhuma provocação?

— Sim, nós precisamos, porque isso importa agora. Se realmente estiver acontecendo o que eu acho que está, precisamos agir o mais rápido possível.

— E ainda tem dúvidas? Basta olhar para esse show de horrores: a Síndrome de Titanic, ao vivo, e a cores. — Apontando para ao horizonte, a sommelier trouxe a atenção para o caos generalizado que estava acontecendo a apenas alguns metros de onde estavam: um navio gigantesco sendo tombado lentamente, uma fumaça tão densa que era possível tocar, e pessoas amontoadas e desesperadas pedindo por socorro. De fato, até mesmo quem estava com a audição temporariamente comprometida, era capaz de ouvir os gritos nitidamente como se estivessem dentro do próprio navio.

— Droga, olha essa fumaça! Se não avisarmos os salva vidas logo, embora eles provavelmente já tenham visto isso, as coisas podem acabar ficando piores do que já estão... Espera, o Griffin! — Freddie lembou-se do óbvio, praticamente tendo uma epifania — Precisamos encontrar o resto do pessoal, assim poderemos auxiliar o resgate.

— Seria bem mais fácil se pudéssemos pelo menos enxergar direito.

— Ou respirar direito. — Marisa Benson, que sempre fora paranoica quando o assunto se tratava de alergias, com toda a certeza surtaria se soubesse que seu filho estava respirando o mesmo ar onde estavam circulando diversos gases tóxicos.

— Pensaram em trazer comunicadores e binóculos, mas não pensaram em trazer máscaras de oxigênio?! — Sam também reclamou da condição precária do ar, cobrindo parte do rosto com sua própria camiseta.

— Não podemos pensar em tudo o tempo inteiro. Receber sugestões também ajudaria muito, pra variar!

— Viemos até aqui na expectativa de que um navio pudesse afundar. Isso não deveria ser uma sugestão, deveria ser óbvio! E você o Capitão Óbvio, então...

— Não... Não me chame de capitão, eu odeio essa palavra.

— Desde quando? Que eu saiba, você odeia aspargos.

— É, isso também. — Ele concordou, embora relutante, buscando desesperadamente uma forma de mudar de assunto. — E eu também odeio lunáticos que explodem navios com pessoas inocentes a bordo. Então, se tiver alguma sugestão, essa é a hora!

— E eu tenho: de volta ao óbvio, Benson!

— O que?! Como assim? — Aguardando por uma explicação, o engenheiro ficou apenas fitando-a, com o cenho franzido. Ela por sua vez, apenas revirou os olhos em resposta, e pressionou o ponto que havia recebido do Shay mais velho.

— Carly? Carly, pode me ouvir? — Samantha começou a tentar fazer contato com a redatora, tampando os dois ouvidos na tentativa de ouvir melhor. Ou pelo menos, de ouvir alguma coisa.

— Droga, é claro! — Assim que percebeu o que ela estava fazendo, Fredward pegou seu próprio ponto, e também começou a tentar fazer contato.. — Griffin? Carly! Alguém na escuta? — Mas ninguém respondeu.

— Carls, somos nós. O nerd e eu estamos bem, aonde vocês estão? — Embora tivesse esperança, o resultado para ela não foi diferente.

— Griffin, precisamos chamar os salva vidas e os bombeiros, temos que encontrar o pessoal e sair daqui.

— Carls? Carly, eu espero isso não seja uma pegadinha, você nunca foi muito boa nisso. — Embora não quisesse admitir, a preocupação já estava começando a tomar conta da consultora gastronômica. Sam sempre cuidara de seus amigos. Do jeito dela, meio torto — bem, talvez muito torto — mas ainda assim, ela sempre estaria lá por eles. — Spencer! Gibby!

— Algum de vocês pode nos escutar? Se puderem, respondam! Estão todos bem? — Silêncio, e nada mais...

— Essa porcaria não funciona! — Frustrada, ela arrancou seu ponto e colocou-o de volta no bolso, embora sua vontade fosse arremessá-lo no oceano. Todavia, uma prudência repentina a fez mudar de ideia.

— A explosão deve ter causado interferência no sinal. Os comunicadores estão todos mudos, mas não quebrados.

— Então não podemos perder tempo, temos que procurar o pessoal as cegas mesmo.

— Sim, eu concordo. Carly e Griffin estão na nossa direção, no outro extremo da ponte. Então se formos em linha reta, e se não tiverem saído de lá, podemos encontrá-los.

— Espero que consigam nos escutar, pelo menos. Quanto tempo essa coisa dura? Ainda parece que tem uma buzina dentro da minha cabeça!

— Na verdade, você se acostuma. É estranho no começo, mas depois de um tempo já não faz tanta diferença assim. Sabe, eu tive muitos anos desde então para me acostumar... — Dessa fez, ele realmente teve a intenção de insinuar algo. — Mas, não se preocupe. Essa sensação de chiado passa dentro de algumas horas.

— Algumas horas?!

— Não reclame disso pra mim, pelo menos no seu caso não é para a vida toda!

— Novamente, quer fazer isso agora? No meio de um naufrágio?

— Oh, me desculpe por reclamar do fato de ter sangrado até ficar surdo, com a pessoa que me provocou essa surdez, em primeiro lugar!

— Okay, justo. Mas você ficou parcialmente surdo! Sua audição foi prejudica em um ouvido só, não nos dois. Além do mais, você conseguiu recuperar depois. Quer dizer, quase...

— O nível de surdez não é relevante! Eu tive que passar por cirurgias, três vezes!

Eu me lembro muito bem de você falando que valeu a pena...

— Isso... Isso não vale, Sam. É golpe baixo.

— Eu não faço as regras do jogo, querido. Eu apenas faço uma jogada, e espero sair o resultado. Ah, e só pra constar: eu sempre ganho. — Aproximando-se furtivamente do rosto dele, a ponto de seus narizes ficarem a poucos milímetros de se encostarem, a consultora gastronômica provocou-o, não se afastando dali em nenhum momento.

— Esse parece ser um caminho solitário, querida. Qual será o seu prêmio quando perceber que não há ganhos, se não houver mais com quem jogar? — Freddie retrucou a altura, percebendo que ela havia perdido sua postura ofensiva por um momento, quando a mesma inclinou sua cabeça para trás. Entretanto, antes que pudesse responder, escutaram uma onda onda de gritos: o navio estava começando a afundar com mais velocidade.

— Tudo bem, chega de enrolação. Vamos logo, estamos perdendo tempo.

— Chega de enrolação? Mas foi você quem...

— Freddie!

— Eu sei! Você está certa, não vamos discutir... Pegou os equipamentos aí?

— Sim, estão todos na mochila.

— Ótimo, então vamos!

— Tá esperando o que?! Vai, anda! Os nerds primeiro! — Estendendo seus braços, a loira cedeu passagem ao notar que o engenheiro estava esperando algum movimento por parte dela. Ele não respondeu, apenas a encarou rapidamente, e tomou a sugestão dela de começar a andar... Sendo assim, ambos começaram a andar em linha reta a passos largos. Embora não soubessem exatamente aonde estavam indo, ou até mesmo que poderiam encontrar mais a frente.

[...]

— Sam, espera! — Ao notar que haviam passado pela catraca, Freddie parou e começou a varrer o local com o olhar, percebendo que nenhum dos funcionários, incluindo o argentino Gastón, estava mais lá.

— O que foi agora, Benson? Não podemos perder tempo, estamos quase lá. Quer dizer, eu acho... Mas levando em conta o tanto que andamos até agora, é praticamente certeza.

— É o senhor Hernandez.

— O que tem ele?

— Ele não está mais aqui...

— Que ótimo, parabéns pra ele! Então vamos fazer a mesma coisa, e dar o fora daqui! — Ela continuou a andar em linha reta, mas parou ao perceber que Fredward estava puxando seu braço seu braço para trás.

— Jura, Sam? Você não pode está falando sério!

— Pelo amor dos bolos gordos, o que eu falei de errado dessa vez?

— O senhor Hernandez sumiu, ele pode estar ferido. Nós, nós precisamos encontrá-lo!

— Não, não precisamos. Ele está muito bem, na verdade melhor do que estamos agora, eu tenho certeza disso. E não se esqueça de que nossos amigos também podem estar feridos, não conseguimos entrar em contato com eles ainda. Então, anda logo!

— Pelo amor de Deus, Sam! Por mais que não o conheçamos, ele é um ser humano. Então se ele estiver precisando de ajuda, temos que ajudá-lo.

— Eu sei, Freddie. É óbvio que se o Gastón estivesse nesse momento estirado no chão e sangrando, eu iria ajudá-lo. Não sou uma pessoa tão cruel e insensível quanto você pensa, eu apenas tenho prioridades.

— Eu, eu não quis dizer isso...

Eu sei que não... — Respirando fundo, a sommelier aproximou-se novamente dele. Mas dessa vez, sem provocações. Apenas segurou-o pelos ombros, fitando-o nos olhos, com o objetivo de transmitir aquela convicção de uma forma apenas uma Puckett é capaz fazer. — Olha, eu tenho certeza de que o gringo está bem, okay? O Gastón já trabalha aqui faz muitos anos, ele provavelmente conhece esse lugar melhor do que a própria casa. Além do mais, esse não é o primeiro naufrágio a acontecer aqui. É óbvio que passaram instruções de como agir nesse tipo de situação de emergência. Vai por mim, eu passei cinco anos da minha vida dentro de navios, então sei muito bem como essas coisas funcionam.

— Sim, tem razão... Acho que você pode estar certa.

— Além do mais, o senhor Hernandez tem quase sessenta anos. Então é óbvio que se ele estivesse ferido, já o teríamos visto em algum lugar. É impossível que ele tenha ido tão longe, ou mais rápido do que nós.

Sim, você tem toda a razão, eles devem estar em algum lugar seguro. Então vamos, vamos continuar! — Convencido, o engenheiro mostrou estar focado novamente, principalmente porque suas passadas estavam mais rápidas do que antes. De fato, não seria nenhum exagerado dizer que cada passo dele, era o equivalente a meio metro.

— Eu disse que sempre tenho razão. — Com passos curtos, mas igualmente rápidos, Sam apressou-se não apenas para acompanha-lo, mas também para obviamente declamar sua razão.

— Achei que sempre ganhasse todas.

— É, isso também. — Ela deu ombros, mantendo suas mãos nos bolsos — Deveria me ouvir mais vezes, Benson.

— Talvez eu fizesse isso, se você sempre dissesse coisas do tipo!

— Se eu sempre fosse a voz da razão, deixaria de ser especial, oras!

— Touché, Puckett! — Compartilhando um sorriso peralta, ambos ficaram em silêncio por um momento, sendo os passos gradativamente mais rápidos, a única comunicação implícita entre eles...

E quando se deram conta, ambos já estavam correndo, trocando olhares semi cerrados a todo instante, como se aquela fosse uma competição que deveriam ganhar por suas vidas. E, sem dúvidas, não havia como negar que tudo entre eles parecia ser uma questão de vida ou morte, onde um sempre estaria tentando superar o outro, ou a si mesmos. Pois além de pleonasmos ambulantes, Sam e Freddie também eram ambivalentes, eram seres ambíguos que sempre apostavam o dobro do dobro. Tudo entre eles sempre haveria duplos sentidos, segundas intenções, vias de mão duplas. Um eterno impasse de interesses e sentimentos velados, mesmo quando estivessem sob a harmonia inquieta uma luz de velas.

[...]

— Acho que estamos chegando perto da ponta, já consigo ver o corrimão. — Ofegantes, Sam e Freddie interromperam a maratona e pararam para descansar, ambos apoiando as mãos em seus respectivos joelhos.

— Eu só vejo uma fumaça, mas ela é bem parecida com a que vi a alguns metros atrás. — Embora parecesse ser apenas uma ironia, e talvez fosse em sua maioria, a sommelier também estava falando sério: quanto mais o tempo passava, mais densa a parede de fumaça parecia se tornar.

— Nossa, esse píer é muito maior do que eu imaginava. Ou talvez seja apenas a fumaça, mesmo. O fato de não sabermos aonde estamos indo dá a impressão de que o caminho é mais longo do que o normal.

— Se o gênios também tivessem trazido algum óculos de proteção, além da máscara que também não trouxeram, talvez a situação fosse bem diferente.

— E no que raios alguns óculos iriam adiantar numa situação dessas?!

— Que tal, melhorar a qualidade da nossa visão?

— Fumaça não é um erro de refração, Sam. Então a menos que o seu óculos milagroso tivesse um para-brisa embutido, de nada iria adiantar.

— Ah, então é assim? Depois eu que sou a ignorante.

— Ignorância é falta de conhecimento!

— Mas também pode se referir a atitudes grosseiras!

— Isso... Está correto! — Impressionado, ele concordou. O significado ambíguo dessa palavra era algo que o engenheiro não imaginava que ela soubesse. Quer dizer, ele sabia que a Sam era inteligente. Muito inteligente, na verdade. Mas não era algo que a fazia muita questão de demonstrar... Sendo assim, ele continuou a falar sem alterar o tom de voz, para não deixar transparecer que ele estaria dando o braço a torcer. — Mas o que eu quero dizer é que seria a mesma coisa que colocar mais uma camada de vidro em um carro, achando que essa camada iria deixar a visão mais nítida!

— Eu sei disso, nerd. Não é porque eu prefira dirigir motos, que eu não saiba como dirigir um carro, ou como ele funciona. — Ela retrucou friamente, deixando-o atônito.

— Sim, eu sei que você sabe. Desculpe...

— Todas essas desculpas uma atrás da outra, são para não discutirmos durante o percurso?

— E estão funcionando, não?

— Não, realmente. Até porque isso não nos impede de discutir enquanto andamos.

— Bingo! Desde que não paremos para brigar, ou qualquer coisa do tipo, está tudo certo.

— Sim, estou de acordo com isso... E já que concordamos mutuamente em continuar as discussões desde que não paremos de andar, eu insisto no fato de que vocês deveriam ter trazidos os óculos.

— Sam, eles não iriam nos ajudar a enxergar melhor!

— Eu já disse que sei disso!

— E então por que continua insistindo?!

— Porque não sei você, mas meus olhos já estão começando arder!

— Droga, algumas substâncias liberadas na combustão devem estar fazendo efeito na atmosfera, precisamos cobrir a maior parte do rosto possível. — Abrindo o zíper de seu casaco, Fredward começou a vasculhar seus bolsos internos, em busca de algo de parecia ser importante. — Pega, usa isso. — Cuidadosamente, ele estendeu a mão na direção dela, segurando algo que se assemelhava a um pedaço de pano.

— Uma bandana de Star Wars? Nossa, as vezes você realmente me surpreen... Espera aí. — Arregalando os olhos, a loira deixou escapar um riso de descrença, ao se dar conta que aquela bandana era algo muito mais familiar do que ela imaginava. — Essa é a bandana que eu te dei de presente no seu aniversário?! Tipo, no seu aniversário de dezenove anos?

— Bem, é... Sim. — Sem jeito, Freddie apenas concordou encolhendo os ombros.

— Você queria ser mais decolado naquela época, tentando usar algumas coisas novas. O mais impagável foi você achar que uma bandada de Star Wars realmente serviria pra isso! Até tentou usar uma das botas de combate do Griffin, lembra?

— Não, imagina. Nem me lembro do terror que foi passar uma tarde inteira em uma loja cheia de punks insanos! Pelo menos daquela vez não me amarram na parede e tentaram jogar copos em mim...

— Eu disse que a festa da Dana não era o melhor lugar para um bando de nerds. Mas não foi de todo ruim, pelo menos fiquei com a máscara de visão noturna. — De fato, ter um óculos especial que ajudava a enxergar no escuro tornara o ensino médio muito mais fácil para a sommelier. Quer dizer, apenas para ela. Ai de todas as líderes de torcida que não entendiam como eram atingidas por diversas bolas de baseball, até mesmo durante os treinos noturnos... — Mas por que cargas d'água você anda com uma bandana de seis anos atrás com você?!

— Eu não "ando" com ela pra todos os lugares, apenas gosto de ter algum lenço no bolso para alguma emergência tipo essa.

— Isso não é o lenço.

— Eu sei, mas serve perfeitamente como um.

— Tudo bem, mas porque especificamente essa? Aquela sua bandada de Senhores Da Guerra era uma gracinha. — Ela provocou em um tom jocoso.

— Eu, eu gosto de Star Wars... Sempre gostei, e sempre irei gostar, você sabe disso.

Sim, eu sei... Mas e você? Vai cobrir o rosto com o que?

— Sem problemas, eu tenho outra bandana de Star Trek aqui.

— Você anda com duas?!

— Essa jaqueta tem dois bolsos, eu gosto de pluralidade!

— Não acredito que vou morrer asfixiada ao lado do cara mais estranho da galáxia!

— Espera, eu já ouvi isso em algum lugar...

— Eu também assisto filmes, Benson.

— Que seja, olha quem fala. Você simplesmente carrega asinhas de frango e costelinhas de porco na bolsa!

— Não estou usando uma bolsa agora.

— Não importa, eu sei que você também guarda batatas chips nos bolsos.

— Tudo bem, essa eu confesso, culpada. Aliás... Hoje é sexta feira, certo? — Vasculhando seus bolsos externos, ela encontrou uma embalagem não tão pequena assim contendo um enfileirado de batatas chips, que por incrível que pareça, estavam intactas.

— Sim, por que?

—Hurum, isso aí: o sabor de hoje é churrasco! — O sabor de carne defumada estava fazendo uma festa em seu céu da boca — Servido? Aproveita que não é todo dia.

— Como pode pensar em comer uma hora dessas?! Mal podemos respirar!

— Como pode não pensar? Por que eu não sei você, mas eu prefiro muito mais sentir o sabor do churrasco, do que dessa fumaça.

— Aham, depois eu que sou o mais estranho da gala... Espera aí! Sam?

— O que? O que foi?

— Olha, ali na frente, parece ser uma pessoa! É o Griffin? Não consigo identificar direito quem é...

— Com aquele cabeço de ouriço? Só pode ser ele! Mas, só temos um jeito de descobrir... Griffin! — Samantha vociferou ao máximo de sua voz. A um ponto em que, se já não fosse parcialmente surdo, Freddie ficaria com sua audição dormente naquele momento.

— Griffin! — Ele a acompanhou.

— Sam? Freddie ? São vocês? — Ouvindo seu nome ao longe, o proprietário do Sun And Sea gritou em resposta — Aqui na ponta, é só seguirem reto! — E assim, Sam e Freddie o fizeram...

— Cara, finalmente! Já estamos procurando por alguém faz um tempo, mas ninguém do pessoal deu sinal de vida. Tudo bem por aqui?

— Sim, tudo certo, mas eu preciso encontrar um jeito entrar em contato com os outros salva vidas. Meus fones não funcionam, acho que devem ter quebrado com a explosão.

— Os nossos também não. Mas o nerd disse que não quebraram, apenas deram interferência.

— Precisamos sair daqui e encontrar os outros, vai ficar cada vez mais difícil de respirar sem equipamento especial. — Como um instinto conjunto, todos cobriram novamente seus rostos, deixando apenas espaço suficiente para que suas vozes saíssem da forma mais nítida possível — Oh sim, pelo amor de Deus, vocês encontraram a Carly por aí?

— Como assim, se encontramos a Carly? Achamos que ela estivesse com você! — Assim como um gato que se eriça quando entra em estado de alerta, da mesma forma Samantha pôs-se em uma posição ofensiva.

— Sim, ela estava, mas saiu antes da explosão acontecer!

— O que?! — Sam e Freddie exclamaram em uníssono.

— Aonde ela foi? — Freddie perguntou, fazendo sinal para que ela segurasse as pontas. Embora ele mesmo soubesse que isso não iria adiantar muito.

— Foi até a lancha, disse que precisava buscar algumas coisas lá.

— E por que diabos deixou a ir, Petersson? Ficou louco? Você sabia que estávamos esperando um navio explodir a qualquer momento, exatamente por isso que não nos separamos sozinhos!

— Mas eu não deixei, ela simplesmente me disse para ficar observando o alvo, deu as costas enquanto eu estava falando, e foi! Vocês conhecem a Carly, conhecem-na até a mais tempo do eu, então sabem que a teimosia dela é impossível!

— Isso não importa, por que não foi atrás dela? — O engenheiro naval também já estava começando a ficar nervoso.

— Mas eu fui! Poucos segundos após ela sair eu fui atrás dela, inclusive eu já estava quase alcançando seus passos. Foi quando a explosão aconteceu, e e a fumaça começou a subir... Ainda a cegas eu continuei andando até aonde eu deixei a lancha atracada, mas quando cheguei a Carls também não estava lá. Então voltei até aqui na esperança de que ela tivesse voltado, foi quando escutei os gritos de vocês.

— Griffin, meu caro... Eu juro que se alguma coisa grave tiver acontecido com a Carly, eu vou atropelar cada um dos seus bichinhos de pelúcia com a minha moto, enquanto te obrigo a assistir o espetáculo!

— Sam, relaxa, amiga... Esse não é o momento para resolvermos as coisas desse jeito.

— Por acaso eu virei um mascote agora?

— Você me entendeu, precisamos manter a calma!

— Quem diria, Benson... Se fosse alguns anos atrás, estaria louco para estar no meu lugar!

— Calma aí, como assim? — Confuso, o salva vidas exige uma explicação.

— Oh, o nerd te odiava. — Ela respondeu com naturalidade.

— Sam! — Freddie a repreendeu, sentindo-se constrangido pela revelação inesperada.

— O que foi? É verdade, e você deixava isso bem claro!

— Cara! Você me odiava?

— Não era bem assim! É que na época em que você e a Carly começaram a namorar, eu simplesmente odiava e queria exterminar todos os namorados dela. E, bem... Como você era o "namorado bad boy da Carly", eu meio que queria que você sumisse da face da Terra também...

— Cara, você me odiava! — Genuinamente surpreso, o pseudo bad boy fez questão de deixar expressa sua descrença.

— Olha, se serve de consolo, eu também odei...ava todos os namorados da Sam também! o dia em que o Jonah levou um super cuecão foi um dos melhores da minha vida!

— E eu achando que na época só o Spencer não ia muito com a minha cara...

— Eu gostava. Você era tipo o garoto problemático que fazia a mocinha comportada se rebelar, era divertido ver o Spencer surtando atrás de vocês dois. — Sam começou a divagar, até perceber que os rapazes estavam olhando em sua direção. Porém, isso não pareceu importar para ela. — Até que descobrimos que seu segredo obscuro era na verdade felpudo e colorido, e então a graça acabou...

— Mas isso não importa mais, Griffin. Hoje nós somos uma família, e eu sei que a Carly não poderia ter um companheiro melhor, de verdade.

— Valeu, cara. É bom saber que você não me odeia mais, mesmo sem saber que você me odiava pra começo de conversa!

— Mas, sim, eu também concordo com a Sam: se alguma coisa de grave tiver acontecido com a Carly, pode ter certeza eu vou ajuda-la a acabar com você. A diferença é dessa vez, eu não quero deixar a Carly sem namorado... — Agarrando o salva vidas pela gola de sua camisa, Freddie exibiu seu lado ameaçador, encarando olho no olho, principalmente levando em conta que o mesmo estava muito mais forte do que estava a alguns anos atrás. Deveras, bendita seja a magia da academia.

— Aham, beleza. Eu entendi o "recado". — Petterson começou a rir e a bater levemente no ombro de Fredward. Porém, seu riso morreu ao perceber que ele não apenas estava sério, como também estava falando sério. — Bem, é... Então por onde começamos a procurar? Já perdemos tempos demais aqui.

— Aonde foi que você viu a Carly da última vez?

— Exatamente alguns poucos metros de onde atracamos a lancha, achei que ela tivesse conseguido chegar até lá mesmo após a explosão.

— Vamos voltar até lá. Se ela não chegou até a lancha, é bem provável que não tenha chegado a nenhum outro lugar. Então, acredito que ainda esteja naquelas redondezas.

— Sim, eu concordo. Talvez eu tenha ficado tão afobado que não procurei direito ao redor.

— Consegue nos levar até lá, Mister Pelúcia? A fumaça está pior do que antes, não sei como vamos no orientar.

— Essa é uma das vantagens de ser um salva vidas, loirinha. Com o tempo você deixa de se guiar apenas pelo que vê, e passa a confiar nas direções.

— Então vamos, mas lembrem-se de gritar o mais alto que puderem, mas também de prestarem atenção a qualquer som. Acredito que a explosão afetou o tímpano de todos, então a Carly também pode estar com dificuldades de escutar. — Intuitivo, Fredward os instruiu com algumas dicas que poderiam ser úteis mais tarde. É claro que, aquela situação não era exatamente como uma simulação de incêndio da empresa. Mas, ainda assim, precaução nunca é demais.

— Pseudos Bad Boys na frente, Petterson. — Sam abriu os braços de forma entusiástica, cedendo caminho para que o nomeado pudesse passar.

— Você realmente não cansa, não é, Puckett? — Griffin rolou os olhos, bagunçando os cabelos da loira como uma pequena vingança. Mas, apenas de leve. Se tinha uma coisa que ele gostaria de evitar, era o famoso gancho de esquerda de Sam Puckett.

— Posso fazer isso o dia todo.

[...]

— Carly! — Quando já haviam chegado até o local determinado por Grifin, o trio se separou — a uma distância não tão longa para não se perderem novamente — e começaram sua busca implacável por uma tão Carly Shay desaparecida... De fato, já haviam gritado por ela tantas vezes que se houvesse qualquer outra pessoa naquele píer, a mesma teria respondido em nome dela, apenas para que o trio de amigos pudesse se livrar daquela agonia.

— Carly, somos nós! Se estiver nos ouvindo, responda! — O eco da voz de Freddie podia ser escutado ao longe, sempre sendo seguido pelo eco dos gritos de Griffin, como um orquestra estridente não intencional, porém harmoniosa.

— Carly Shay, apresente-se na sala do diretor! — Levando em conta que as visitas da retadora até a sala do diretor Franklin era causadas por coisas que a própria Sam aprontava, era plausível concluir que aquela frase poderia ser considerada indiretamente, como propriedade da própria — Carleeê! — A loira continuou berrando, a ponto de que sua voz conseguisse se sobressair diante das dos rapazes. Porém, quando estava prestes a começar mais um ciclo de gritos, sentiu uma mão encostar em seu ombro, fazendo com que sua espinha gelasse de forma involuntária. — É, meninos?

— O que? — Fredward atendeu ao chamado.

— Por acaso você ou o Griffin tocaram no meu ombro?

— Impossível, estamos um pouco longe! Por que? — Como estavam distantes um do outro, o diálogo também fluía entre gritos e ecos.

— Não me chama de "Carlê", você sabe que eu odeio isso. — Antes que pudesse responder, a sommelier escutou uma voz familiar surgir detrás dela, sentindo um alívio enorme ao se dar conta que aquela voz era realmente de quem ela imaginava que era.

— Carly? Garota, por que não me respondeu? Eu quase fiz a dança do nocaute em você! Aonde estava? — Metralhando a Shay mais nova com uma pergunta atrás da outra, Sam começou a tagalerar sem sequer parar para respirar, até perceber que Carly estava pressionando seu braço contra seu estômago. Havia alguma coisa errada. — Espera, o que houve com seu braço?

— Eu caí por cima dele na hora da explosão. Deve ter torcido, ou algo assim. — Respondendo quase em um sussurro, ela continuou com uma expressão tensa, como se estivesse contendo qualquer careta quisesse expressar.

— Freddie! Griffin! Venham aqui, eu encontrei a Carly! — Em um piscar de olhos, o engenheiro já estava na frente delas. Provavelmente havia ido correndo até lá.

— Carly! Você está bem? Oh não, o que houve com o seu braço? A Sam te bateu?

— Eu nunca bateria nela, seu bocó! Diferente de você! — Ela virou sua atenção para ele, completamente enfezada, torcendo o dedo indicador do rapaz — mas não o suficiente para quebra-lo — no seu melhor estilo Sam Puckett de ser.

— Ei! Você esmagou o meu dedo de busca!

—Não, relaxa, eu estou bem. Foi apenas um mal jeito, não deve ser nada demais... — A redatora respondeu, dessa vez um pouco mais alto, na esperança de apaziguar a situação antes que aquela briga evoluísse para algo maior — E, Freddie?

— O que?

— Dedo de busca não é uma coisa muito legal de se dizer... — Embora confuso, e segurando seu dedo agora latejante, ele sentiu-se induzido a concordar com essa afirmação.

— Carly, graças á Deus! Babe, aonde estava? Eu fiquei preocupado, eu disse que você deveria ter ficado. Ei, o que houve com o seu bra...

— Será que alguém poderia me perguntar alguma coisa diferente?! — Impaciente, a nomeada interrompeu seu namorado antes que o mesmo a obrigasse a ter que responder a mesma pergunta.

— "Babe"? — Como sendo uma oportunidade impossível de se ignorar, a sommelier não perdeu tempo em fazer chacota com o pseudo bad boy.

— Calada, Puckett. Eu sei que você e o Freddie faziam beijinho de esquimó. — Incapaz de formular qualquer argumento que fosse capaz de refutar aquele contra ataque, Griffin comemorou ao perceber que o tiro da loira havia saído pela culatra — É isso aí, seu passado também te condena.

— Não é uma coisa da qual que eu me orgulhe! — Fredward a olhou de soslaio, aparentando estar visivelmente desapontado.

— Tudo bem, mas ainda não nos respondeu: aonde estava? Não nos ouviu chamando? Estávamos te procurando feito loucos! — O proprietário do Sun and Sea voltou sua atenção sua namorada.

— Desculpe, querido. Mas eu estava gravando sem microfone, não podia fazer barulho. — Carly informou, revelando uma pequena câmera portátil, provavelmente de bolso.

— Voltou até lá para buscar uma câmera?

— Mas é claro, eu precisava registrar o ataque. Nenhum repórter até agora havia conseguido esse tipo de cena com exclusividade. Então além de ser um grande furo, também teríamos imagens que poderiam ajudar na investigação.

— Espera, conseguiu gravar a explosão? — Em êxtase, Freddie não podia deixar de esconder sua surpresa ao finalmente escutar uma boa notícia.

— Do começo ao fim. — Ela exibiu um singelo sorriso de vitória.

— Meu Deus, isso é incrível! Eu não te encontrei mais após a explosão, achei que não daria tempo de chegar até a lancha.

— Bem, na verdade eu não queria buscar exatamente uma câmera na lancha, porque eu já tinha uma comigo. Mas ainda assim eu queria buscar uma câmera que tivesse microfone, já que a minha portátil tem uma lente ótima, mas não tem um som tão limpo assim. Só que algo me dizia que eu deveria começar a filmar com a que eu tinha em mãos mesmo, nem que fosse por precaução. E, bem. Parece que a minha intuição estava certa. Foi nesse momento que acabei caindo por cima do braço que segurava a câmera, mas, são ossos do ofício.

— Isso realmente é fantástico, Carls. Mas o que você fez não deixa de ser perigoso, poderia ser a parte do incidente com o andaime de lavar vidraças... Além do mais, sou que quem faço as coisas irresponsáveis por aqui. Foram anos de dedicação para construir essa imagem impecável. Nem pense em tirar isso de mim, Shay. — Bem humorada, essa sempre fora a forma que Samantha encontrava para velar sua preocupação.

— Relaxa Sam, essa fama é toda sua, eu queria apenas umas imagens! — A Shay mais nova levou as mãos para o alto em sinal de rendição. Ou melhor dizendo, apenas uma das mãos. — Mas, aonde estão os meninos? Spencer e Gibby não estão com vocês?

— Ainda não os encontramos. Como o Griffin foi a primeira pessoa que conseguimos encontrar, viemos procurar você.

— Mas vocês já me encontraram, então não vamos mais perder tempo com isso! Precisamos acha-los para irmos até o local do acidente antes que o suspeito fuja.

— Acham que perdemos tempo demais? — Preocupado, o salva vidas encarava o relógio de forma incessante.

— Talvez, mas podemos recuperar. Ainda não deu nem meia hora que a explosão aconteceu, e a fumaça ainda está forte. Quem quer que tenha feito isso, ainda deve estar por perto, pelo menos a um raio de alguns quilométricos. — Fredward não fazia ideia do que estava funcionando mais rápido: sua mente, ou suas palavras. O que ele sabia é que em uma situação de pressão, a intuição e o improviso é o que contam.

— Então vamos pegar o meninos, e dar o fora daqui. A que distância eles estão de nós?

— Bem, levando em conta que eles estão no lado oposto ao que estamos agora, uns dez minutos...

— Dez minutos?! — Ao escutarem o agudo estridente da morena, todos se deram conta de que a audição deles havia praticamente voltado ao normal — Não temos esse tempo pra ir andando, precisamos de um atalho.

— Eu conheço um. — Sem nenhuma explicação, Griffin correu em direção a lancha, fazendo com todos o seguissem para compreender o que ele estava querendo dizer.

— Por onde?

— Pelas águas. — Enfático, ele afirmou já ligando o motor — Entrem todos na lancha, só preciso dar a volta até onde o Spencer, o Gibby, e o Ryan estão. De lá podemos fazer a varredura e recuperar o tempo perdido.

— Mas e quanto ao pulso da Carly? Precisamos leva-la até uma ambulância. — Com os pensamentos a mil, o herdeiro da Past Waters começou a pensar em todas as possibilidades que lhe estava disponíveis. Entretanto, não foi preciso que ele tomasse essa decisão.

— Não se preocupem comigo, isso é de menos. Nada que uma tipoia improvisado não resolva. — Já dentro da lancha, os três amigos começaram a encara-la com as sobrancelhas arregaladas — Por que estão todos olhando pra mim? Vamos!

— Nossa, quem é essa mulher de atitude? — Roubando-lhe um beijo, Griffin exclamou em um tom galante.

— Veio de brinde junto com o diploma de jornalismo. — Afiada, a redatora parecia ter a resposta na ponta da língua.

— Espera aí, gente! — Quando já estavam saindo, Sam os interrompeu de supetão.

— O que? O que houve?

— Esqueceram que temos viemos com duas lanchas? O que vamos fazer com a outra?

— Alguém precisa ir avisar os salva vidas. — Griffin destacou.

— E alguém precisa ir até o navio. — Fredward trouxe á tona a outra problemática.

— Então fazemos assim: Pegamos os rapazes, e voltamos até aqui. Como o acidente foi na mesma direção, temos que voltar do mesmo jeito. Então o Griffin volta até o porto para avisar os salva vidas, e já aproveita e leva a Carly, o Gibby, e o Ryan. Enquanto o nerd, Spencer e eu vamos fazer a varredura.

— Nem pensar, eu preciso ficar! Quem vai fazer as filmagens no meu lugar?

— Pessoal, pelo amor de Deus, se decidam! — Preocupado, o pseudo bad boy já não conseguia mais conter o seu desespero ao ver o tempo correr.

— Como a Sam disse, temos que voltar de qualquer forma. Então entrem logo, resolvemos isso no caminho! — Como uma martelada final, Fredward também entrou na lancha, sendo seguido por Sam, finalmente colocando em prática o plano não tão planejado assim que possuíam...

[...]

— Benson? — Aparentando estar subitamente alegre, a sommelier lembrou-se de um detalhe que não deixaria o salva vidas muito feliz.

— Hmm?

— Me lembre de colocar uma roda dentada na minha moto quando chegar em casa, temos uma promessa a cumprir.

— Wow, calma aí! A Carly está bem, você disse que seria apenas do caso de alguma coisa grave! — Arregalando os olhos, Griffin imediatamente fez questão de se defender.

— Oh não... O que é que tá rolando, e como é que eu fui me envolver nisso? — Levando a mão em direção a cabeça, a repórter investigativa já começou a massagear a têmpora por antecipação, ao imaginar a pérola que provavelmente escutaria a seguir.

— Nada demais, eu apenas prometi ao Mister Pelúcia que se algo tivesse acontecido com você por ter te deixado sair sozinha, ele teria de sofrer uma pequena vingança da minha parte.

— Algo grave! Grave! — Ele reforçou a parte que lhe interessava.

— Sam! — Carly a repreendeu — Não foi culpa dele, fui eu que quis ir até a lancha buscar a câmera.

— Mas o Freddie concordou em me ajudar, por que você é contra isso? Finalmente o nerd iria fazer algo interessante na vida patética dele!

— Sam, qual é... Envolver o Freddie nisso não vai te ajudar.

— Na verdade... Dessa vez não é mentira, eu meio que concordei em ajudar. — Emcabulado, Fredward concordou com um menear de cabeça, fazendo questão de exibir seu melhor sorriso amarelo.

— Freddie! — A Shay mais nova apenas os encarou, completamente embasbacada, como que perguntando-se aonde havia ido parar o juízo daqueles dois. E, bem, ela temia já saber a resposta. — Toda essa fumaça já deve ter afetado o cérebro de vocês, ninguém vai se vingar de ninguém!

— Que pena, Carls. Essa seria sua oportunidade perfeita de se livrar do pesadelo de pelúcia...

— Espera, como é?

— Carly! — O proprietário do Sun And Sea bradou, fingindo estar ofendido com a situação.

— Eu apenas fiquei curiosa!

— Como eu disse, nada demais: eu iria apenas esmagar cada bichinho de pelúcia do bad boy aí, e obriga-lo a assistir o espetáculo.

— E por que não me disse isso antes?! — Curvando-se, Carly sussurrou para a loira.

— O que disse, meu bem?

— Devo mentir? — Ela perguntou, ainda em um tom de voz baixo.

— É o que eu faria. — Sam respondeu sem pestanejar.

— Absolutamente nada, querido! — Griffin estreitou os olhos ao ouvir a desculpa esfarrapada de sua namorada, principalmente levando em conta que ela era uma mentirosa tão ruim quanto seu irmão.

— Você ainda mente muito mal, sabia?

— Fazer o que, eu tento ensinar a ela desde que mudei a nota do boletim na escola, mas, parece que nem todo mundo tem esse talento...

— E isso acabou custando meu microondas, e ele era de 1.100 wats!

— Ah, qual é. Vocês acabaram comprando um melhor depois...

— Eu sei, mas poderíamos ter usado aquele dinheiro com qualquer outra coisa. Como por exemplo, poderíamos ter abastecido a geladeira com quilos e quilos de bacon.

— Isso é golpe baixo, Shay...

— Talvez eu tenha aprendido alguma coisa aprendi com você, afinal. — Vitoriosa, a morena comemorou o fato de ter atingido o ponto fraco de sua amiga.

— Ei, são eles ali? — Freddie, que até o momento estava calado apenas observando o horizonte com seu binóculos, se deparou com uma cena que poderia ser definida como, digamos, um tanto inusitada.

— Ai meu Deus, aquilo é o Gibby fazendo o que eu acho que ele está fazendo?! — Rindo copiosamente, a sommelier também pegou seu binóculos para apreciar a cena, fazendo-o tremer apenas com a intensidade de suas gargalhadas.

— Eu não acredito! Ele quebrou a regra de não tirar a camisa, e tá usando ela pra pedir socorro?! — Como estava incapacitada de manusear mais de um objeto ao mesmo tempo, Samantha segurou seu próprio binóculo para que Carly também pudesse apreciar a bela vista. Até porque, embora a mesma ainda não soubesse, haviam planos de importância milenar — pelo menos aos olhos da consultora gastronômica — para o braço saudável da redatora.

— Carly...

— O que?

— Você tem uma câmera bem aqui, e logo ali tem um Gibby sem camisa que parece estar pedindo uma carona nas estradas dos anos 50. Você só tem uma missão, e sabe o que deve fazer! — Captando a mensagem, mais uma filmagem para a posteridade estava sendo feita. Afinal, nada como encontrar uma forma eternizar e reviver memórias, mesmo que seja de um forma um tanto vergonhosa. — Ei, Rapunzel, jogue sua camisa! — Quando já estavam perto o suficiente, Sam aproveitou a oportunidade para fazer o que ela sabia de melhor.

— Sam? Freddie? Griffin? Graças á Deus! — Sentindo um alívio indescritível, Gibby colocou as mãos sobre o peito de uma forma absurdamente dramática. — Spencer, Ryan, a gente vai viver! — Ao ouvirem os clamores do ex-gorducho, os dois homens largaram os equipamentos que estavam tentando concertar e apareceram abruptamente, sendo banhados pelo mesmo alívio ao verem rostos tão familiares.

— Miúdos! Vocês estão bem? Estamos tentando entrar em contato com vocês, mas nossos comunicadores fritaram com a explosão.

— Os nossos também, por isso viemos as cegas procurar vocês. Mas acabamos perdendo muito tempo até encontrar todo mundo. Tudo bem por aí? — Griffin indagou.

— Sim, estamos todos bem. Quer dizer, quase todos... — O Shay mais velho olhou de soslaio para o Gibson — Só essa fumaça que incomoda um pouco pra respirar. Por que não trouxemos máscara?!

— Há! Eu disse! — Sam exclamou em extâse, para o desgosto do engenheiro.

— E por que não trouxeram a outra lancha? Temos que chegar até o navio!

— Porque combinamos que Griffin iria levar a Carly até a ambulância no porto, assim aproveitaria para se comunicar com os salva vidas que estão lá. Em contrapartida, a mesma viagem também serviria para levar o Gibby e o Ryan, assim a Sam pilotaria a outra lancha para buscarmos as amostras e fazermos a ronda. Mas a sua irmã é extremamente teimosa, e se recusa a ir antes de nós...

— Espera. Como assim, ambulância?! O que houve? — Exasperado, o cientista forense tornou-se visivelmente tenso, mas Carly começou a explicar antes que o mesmo começasse a surtar.

— Relaxa, maninho. Eu caí por cima do braço na hora da explosão, deve ter sido apenas uma torção.

— Mas isso não importa, precisa ver com um especialista se não foi algo pior!

— E eu vou, mas apenas quando terminarmos aqui. Então entrem logo, e vamos buscar a outra lancha. Quanto mais cedo fizermos a varredura, mais cedo podemos voltar ao porto.

— E adianta discutir?

— Você sabe que não... — De fato, maldito seja o poder de persuasão das irmãs mais novas!

— Gibby's primeiro! — Vendo que não havia outra opção, o Shay mais velho exclamou abrindo passagem, apenas para que um Gibby desesperado subisse na lancha como um foguete, ainda com a camisa em suas mãos. A loira até pensou em tirar proveito da situação naquele momento, mas, não o fez. Ela com certeza teria material o suficiente para fazer chacota do ex-gorducho mais tarde...

Quando todos já estavam dentro do barco, Griffin acelerou o motor e fez o retorno rapidamente, eles precisavam ganhar tempo. E mais do que tempo, eles precisavam de provas. Ou pelo menos, de algo concreto em que pudessem se basear. Pois o cerco estava se fechando, como uma dança das cadeiras onde apenas o mais rápido garante seu lugar. Ou especificamente, onde o mais rápido evita uma queda iminente.

E finalmente, não muito tempo depois, a gangue chegou ao local que a outra lancha havia sido atracada, e dividiu-se da mesma forma que haviam chegado: Ryan e Gibby com Griffin pilotando, e Carly, Freddie, e Spencer com Sam novamente assumindo o comando da lancha. Felizmente, para o bem do engenheiro, sem tempo para brincadeiras de dessa vez. Agora, tudo que precisariam era fazer uma coisa: correr.

— Sam, Griffin. Para fazermos a varredura completa, cada lancha precisa explorar cento e oitenta graus do perímetro. Quem vai para qual lado? — Pacientemente, Freddie começou a delegar as funções burocráticas com as quais ninguém fazia questão de lidar.

— E como que eu vou saber que eu explorei cento e oitenta graus? Eu não piloto usando uma régua! — Sam retrucou com toda a delicadeza que a mesma não possui.

— Nosso perímetro é quadrado, então não vai ser difícil. Basta seguirem por lados opostos: quem começa na esquerda vira para a direita, e vice e versa. Assim cada lancha faz um "L", por assim dizer. Dessa forma nos encontraremos quando fizermos a volta completa.

— Só isso? Molezinha... Eu começo pela direita e viro para a esquerda então, me lembro de já ter pilotado naquela área antes.

— Ótimo. Então Griffin, você explora o lado oposto. — O nomeado assentiu com um menear de cabeça — Estamos em busca de qualquer projétil, capsula, ou movimento estranho no local do acidente. Carly e Spencer possuem suas respectivas filmadoras. Sendo assim, registrem tudo. E se encontrarem algum suspeito na costa, não o deixem escapar. Mas cuidado, não sejam imprudentes! Assim que começarem a perseguição, nos avisem que iremos dar apoio. Isso também vale para os dois grupos.

— E como vamos avisar para eles e eles para nós, gênio? Esqueceu que nossos comunicadores quebraram?

— E nossos celulares estão dando interferência. Já tentei entrar em contato com os salva vidas e pessoal dos bombeiros, mas não tenho sinal.

— Nossos comunicadores não quebraram, apenas estão sofrendo interferência como qualquer coisa que depende de um sinal infra vermelho.

— E isso era pra ajudar em alguma coisa? Continua sendo inutil!

— Não necessariamente... Se eu não estiver errado, podemos usar nossos pontos para nos comunicarmos sem precisar de palavras. — Com um sorriso travesso, o engenheiro naval acabara de ter uma ideia.

— Você quer dizer... Usarmos código morse? Freddinho, você é um gênio! — Como uma bela dedução de nerds, o Shay mais velho pareceu entender a proposta.

— Código Morsa é aquela linguagem lá que usam barulhos e luzes?

— É Morse. Mas sim, Sam. Tecnicamente, é isso mesmo.

— E como isso funciona? Freddie, não temos tempo para aprender isso agora, precisamos de algo mais rápido. — Embora estivesse empolgada a ideia, Carly também estava ansiosa com possibilidade de que todo o esforço deles pudesse acabar indo por água abaixo, caso demorassem um pouco mais.

— Na verdade, pode funcionar. Para reproduzir o código morse precisaríamos ou de luzes, ou cabos, ou um rádio. Esse pontos são praticamente cabos, o que significa que eles podem gerar pulsos elétricos. Também me lembro de usar muitas peças dessas na faculdade quando tínhamos que montar alguns hardwers, são transmissores básicos de giga-hertz. O que significa que a frequência é equivalente a de um rádio, ou pelo menos chega bem perto. — Matando a charada, Gibby juntou as peças do quebra cabeça, deixando um alguém muito impressionado.

— Isso, Gibby! Perfeito! — Não, esse alguém não era o Freddie.

— Gibbeeeeh!

— Espera, ele é inteligente?! — Abismado, o homem de cabelos longos não conseguia manter a boca fecha. Se a situação tivesse de ser definida em uma hipérbole, era certo dizer que o queixo dele estava basicamente batendo em seus joelhos.

— O Gibby? Bem, ele já criou alguns firewalls e chaves criptografadas para algumas pessoas bem relevantes, então...

— O que?! Mas... Mas... Shay, como ele...

— É, eu sei... É difícil de explicar, mas é ainda mais difícil de entender. Então se eu fosse você, apenas me conformava.

— Inacreditável! Tenho uns amigos neurologistas que iriam achar isso fascinante.

— Vai por mim, Turner. Existem certas coisas que nem a ciência é capaz de explicar... — Dando um tapinha nas costas do seu amigo de longa data, o csi mudou sua expressão da água para ao vinho, ao lembrar-se que ainda tinham que lidar com uma questão essencial. — Mas meninas estão certas, Freddie. Demoraria muito até encontramos a frequência exata para reproduzirmos os sons que queremos. E a fumaça já está começando a se dispersar. Se existe um momento que o meliante vai tentar escapar, é agora. Então precisamos agir.

— Não precisamos usar o código morse original, apenas adaptar a ideia para o que temos agora, vejam. — Ao encostar dois pontos um no outro, os mesmos produziram um ruído, semelhante a uma interferência, que eram distintos dependendo da distância que estavam. O que poderia não parecer muita coisa, mas, naquela situação, aquele era o pote de ouro no final do arco íris. — O código morse original é composto por dits e dahs, que são pontos e traços, respectivamente. Quando encostamos dois pontos um no outro ouvimos esse barulho, que é o da interferência. Mas quando batemos um no outro, também podemos escutar o barulho do outro lado nítidadamente. Então vamos fazer assim: o barulho da interferência será o nosso dah, ou traço. E o barulho de quando batermos um no outro será o dit, o ponto. E como estamos em direções opostas, precisamos apenas aprender duas letras: o D, para direita, e E, para esquerda.

— E como fazemos essas letras? Ou reproduzimos, eu acho. — Interessada, e igualmente curiosa, a Shay mais nova se mostrou disposta a aprender.

É bem simples: o D é composto por um dah, e dois dits. Enquanto o E é composto por apenas um dit. Então para sinalizar "direita" usamos uma interferência, e duas batidas. E para a "esquerda", apenas uma batida. Coloquem apenas um fone no ouvido, e tentem ouvir:

— Direita. — Todos disseram em uníssono, ao escutarem duas interferências, e uma batida. — Esquerda. — Igualmente, todos disseram ao mesmo, ao escutarem uma única batida via frequência fm.

— Isso é muito irado! Eu sabia que ter um bando de nerds como amigos seria uma grande vantagem um dia. — Griffin exclamou verdadeiramente empolgado.

— Então acho que agora podemos ir. — Ligando o motor novamente, Sam começou a ajeitar a lancha, já deixando-a na posição em seguiriam dali por diante.

— Sim, todos já sabem o que o fazer. E não esqueçam do que falamos no caminho: essa volta também serve para verificarmos se os salva vidas já chegaram no local. Se ainda não o fizeram, o Griffin precisa retornar até o porto o mais rápido possível... Hora de irmos atrás de algumas respostas, pessoal. Que a sorte esteja ao nosso favor! — E dizendo isso, ambos saíram em disparada para suas respectivas direções...

[...]

Gritos, desespero, medo.

Ao chegarem perto o suficiente do local do atentado, a gangue varreu o perímetro que haviam mapeado. Não apenas uma, mas três vezes. Embora esse não tivesse sido o combinado, todos acreditavam que na próxima volta algo suspeito apareceria, e eles perseguiriam essa pista por suas vidas. Mas, o cenário continuava o mesmo: pessoas se aglomerando na ponta do navio que havia ficado intacta, usando seus coletes salva vidas, apenas aguardando por instruções. Mães agarrando seus filhos pequenos no colo, aos prantos. Idosos rezando fervorosamente, com seus olhos fechados, como se estivessem se recusando a enxergar caso o pior pudesse acontecer...

Para o alívio de Griffin, os salva vidas e os bombeiros já haviam chegado no local e estavam auxiliando no resgate, o que forneceu a ele o luxo de continuar realizando a varredura. Entretanto, diante de nenhum sinal de mudança, o proprietário do Sun And Sea resolveu ajudar seus companheiros, deixando apenas a lancha que estava sendo pilotada por Sam responsável por coletar as amostras que o Shay mais velho iria precisar mais tarde:

— Encontraram alguma coisa? — Ao fim da terceira volta, Griffin estacionou a lancha, ao notar que Sam também já havia estacionado, permanecendo apenas no aguardo deles.

— Adivinha? — Freddie indagou com desgosto.

— Nada...

— Nada! — Lamentou-se, jogando as mãos para os alto em frustração. — Estou começando a desconfiar se realmente não existe crime perfeito...

— Galera, eu preciso ajuda-los com o resgate. Ainda tem muitas pessoas dentro do navio, e elas estão desesperadas. Vocês dão conta de fazerem a coleta e a filmagem sozinhos?

— Relaxa cara, pode ir. Como ainda temos que coletar as amostras, vamos continuar dando algumas voltas pelos arredores. De repente encontramos algo que seja interessante, a esperança é a última que morre.

E a primeira a matar. — A sommelier complementou.

— Seu entusiasmo é impressionante, Sam!

— Fazer o que? Faz parte do charme.

— Gibby, Ryan, eu vou encostar perto da outra lancha. Assim que eu estiver perto o suficiente, vocês passam para lá.

— Espera, pessoas de fora também ajudar no resgate? — Ryan, que até o momento estava apenas observando o cenário que estava se desenrolando, resolveu participar.

— Olha, poder, podem. Mas como não fornecemos nenhum treinamento antecipado, a pessoa precisa assumir o grau de periculosidade da situação por conta, e risco.

— E sair por conta e risco em uma busca as cegas pelos criminosos que deliberadamente estão agredindo a mãe natureza, já não seria em si, algo perigoso?

— Tecnicamente sim, mas, eu prefiro chamar de estilo!

— Fechou então, eu vou ajudar.

— Tem certeza? Porque pode ser um trabalho bem cansativo.

— Homem, você e sua equipe precisam de ajuda?

— Mas é claro! Qualquer apoio é bem vindo.

— Pois bem, ajuda é a única coisa que eu posso oferecer agora. — Enfático, o homem de cabelos longos assumiu sua posição.

— Então tá ótimo, eu vou te arranjar um colete e alguns equipamentos com o pessoal, eles devem ter trazido alguns a mais... Gibby, você vai conosco ou vai com eles?

— É... Gibbeeeh?

— Cara, a menos que você seja um groot, o que explicaria muita coisa, eu não sei posso considerar isso como uma resposta. Na verdade nem sei o que significa...

— Depende... Vocês trouxeram máscaras de oxigênio?

— Sim, sempre trazemos algumas centenas para socorrer as pessoas que estão inalando muita fumaça.

— Gibeeeh! — Erguendo os braços, o ex-gorducho exclamou seu famoso brodão, que basicamente servia como uma resposta para qualquer situação. — Então eu vou ajudar também.

— Bem, então ficamos como estamos. — O Shay mais velho concluiu.

— Acredito que vamos demorar um pouco por aqui, então não precisam nos esperar. Caso não nos encontremos mais, no vemos lá no porto. — Assim que todos assentiram, Griffin ligou o motor novamente afim de ir ajudar seus colegas de trabalho, mas não antes de dizer algo que provavelmente faria o a Shay mais nova revirar os olhos até o limite. — E pelo amor de Deus, levem a Carly para algumas das ambulâncias quando chegarem lá.

— Será que poderiam parar de falar como se eu não estivesse aqui? — Como era de se esperar, ela retrucou.

— Nah, ele tem razão. — Para o desespero dela, Spencer também concordou.

— Sabe, as vezes sinto falta de quando você achava que eu precisava de uma lavagem cerebral.

— E pelas barbas de Aruthor, alguma coisa mudou? Você continua me contrariando como quando eu não te dava o que você queria!

— E quem terminou sendo nocauteado pelo Jackson Colt, no final das contas?

— Por acaso você viu o tamanho da mão dele?! — Exasperado, o cientista forense tentou se justificar.

— O bíceps dele era do tamanho da cabeça da Sam. — Fredward relembrou, levando em conta que aquele havia um dos dias mais inesquecíveis de sua vida. Não apenas pelo acontecimento em si, mas também pelo fato de que em uma das raras ocasiões em sua vida, ele havia mentido para a senhora Benson. E, bem, geralmente as coisas terminavam em uma longa e massante sessão de higienização contra ácaros... Mas, não, essa não era a punição. Apenas a programação comum de sábado á noite.

— É verdade, eu lembro que nós até medimos... E filmamos também, não filmamos?

— Sim, inclusive quando o Spencer foi lançado contra a mesa.

— Vocês filmaram aquilo?! — Escandalizado, e Shay mais velho gritou, de uma forma que sua voz ficara comicamente aguda.

— Freddie! — As garotas gritaram em uníssono.

— O que? Você que pediram pra levar a câmera e disseram que seria para a posteridade!

— Mas o Spencer não sabia, bocó!

— Agora eu sei! E o mais estranho é que eu quero muito assistir!

— Não que eu não queria rever o Spencer se esborrachando, porque aquilo sempre vale a penas ver de novo, mas... Falando em filmar, vocês não tem que coletar as amostrar? Quero aproveitar enquanto o motor da lancha ainda está quente, porque não estou nem um pouto afim de ficar esperando a boa vontade do motor aquecer novamente para pegarmos velocidade. — Levemente entediada, a consultora gastronômica começou a divagar. — Além do mais, a Carly ainda temos que passar na ambulância. Esse braço precisa de um atendimento adequado o mais rápido possível.

— Eu já disse que é nada demais, só está um pouco inchado.

— Isso não importa! — Todos, exceto a redatora, disseram ao mesmo tempo.

— Poderia ser uma farpa, maninha. Você precisa ver um especialista.

— Olha que farpa é uma coisa séria, minha tia contraiu três infecções diferentes apenas com uma. Minha mãe me obrigava a fazer o curativo quando ficou cuidando dela... — Enojado, o engenheiro reprimiu uma careta ao lembrar de umas das centenas situações desagradáveis que sua mãe o havia feito passar.

— Sam, pode dizer pro meu irmão mais velho super protetor, e para o meu melhor amigo hipocondríaco, que eu já sei me cuidar sozinha?

— Desculpe, Carls. Estou com os meninos dessa vez.

— Booom! — Comemorando, os rapazes fizeram um "toca aqui explosivo".

— Ótimo, parece que acabei de conseguir um serviço de babás! — Dando-se por vencida, a moça de cabelos longos e castanhos decidiu parar de se importar, e apenas dançar conforme a música. Ou melhor dizendo: adaptar-se á temperatura da água.

O serviço de babás mais incrível e divertido de todos!

— De qualquer forma, não que precisemos correr agora, mas, a Sam tem razão. Cara, eu realmente estou dizendo isso mais vezes do que gostaria... — Ele murmurou para si mesmo. Bem, talvez um pouco mais alto do que pensava, ou até mesmo do que gostaria. — Nós literalmente vimos o atentado acontecer, e já demos umas três voltas nisso aqui. Como não encontramos nada e nem ninguém, acredito que hajam grandes chances de as amostras estarem idênticas com as últimas que coletamos.

— Sem o etanol? — O perito criminal sugeriu.

— Sem o etanol... Se nossa teoria estiver certa, e for preciso alguém para espalhar o etanol na água, esse alguém não vai dar as caras por aqui hoje. E se o fizer, será bem depois.

— Então, vamos para a prática. — Colocando um novo rolo de filme na câmera, Carly pressionou seu braço machucado contra a parede do barco para aliviar a dor, a qual ela se recusava a admitir que estava sentindo, e usou seu braço saudável para iniciar uma nova tomada de gravações. — Aí, Puckett!

— Meu nome, não gaste á toa!

— Não deixe esse motor esfriar, vamos!

— De volta a ação, do jeito que a mamãe gosta! — Escutando o ronco do motor mais uma vez naquela tarde, e já não se preocupando em contar qual era o número daquela volta que estavam dando, a gangue — ou pelo menos parte dela — se dirigiram até o local determinado por Spencer para realizar a coleta. O que não esperavam é que aquilo seria um pouco mais cansativo do que imaginavam.

Pois as vezes, dependendo da potência da chama, a água pode demorar um pouco para ferver...

Após algum tempo flutuando em alto mar, que mais parecia ser uma eternidade, Carly, Sam e Freddie apenas estavam observando o Shay mais velho trabalhar, que era surpreendentemente minimalista para alguém que tinha um quarto que mais parecia ser uma pintura abstrata.

— Acha que já temos o suficiente? — Exausto, Freddie estava encarando uma das amostras que haviam sido recolhidas, como se estivesse intimando-a a conter alguma nova resposta reveladora.

— Mais do que o suficiente, já temos várias capsulas cheias. — O Shay mais velho respondeu mostrando sua maleta metodicamente organizada. — Então, vamos voltar? Preciso levar essa maleta para o laboratório.

— E eu tenho que editar essa filmagens, exclusividade nunca é demais.

— Depois...

— Já sei, depois de passar na ambulância! — Se tivesse que ouvir aquela frase mais uma vez, a repórter investigativa jurava que iria enlouquecer.

— Vou fazer o retorno, tem muita movimentação desse lado. Fora que eu teria que fazer a volta de qualquer jeito pra atracar, então, pretendo evitar a fadiga... — Enquanto dava a volta pela área interditada, tudo o que era possível ouvir daquela lancha que Sam estava pilotando era o barulho do próprio motor, todos haviam ficado repentinamente em silêncio. Entretanto, cansado de andar em círculos — literal e figurativamente — o engenheiro resolveu expor seus pensamentos em voz alta:

— Bem, o que vamos fazer agora? Esperamos até o que o resultado de mais uma amostra saia? Meio que sabemos o que esperar dessa vez... — Queixou-se ele, contendo ligeira decepção em sua voz.

— Precisamos mudar a abordagem. Estamos procurando ou da forma errada, ou nos lugares errados. — Embora fosse o óbvio, o csi trouxe a tona o que todos sabiam que era o certo a se fazer no momento.

— Fazer isso as cegas também não torna as coisas mais fáceis.

— Ao mesmo tempo, não podemos confiar em mais ninguém de fora.

— Nós sabemos que a Jéssica Hunter se infiltrou no Sun And Sea, invadiu o banco de dados do Griffin, e usou o Freddie pra chegar até o escritório dele. Por que não vamos atrás dela? — Carly questionou — Se estamos com a faca e o queijo na mão, então vamos fazer o sanduíche!

— Qual é, Carls. Minhas batatinhas acabaram, não é uma boa falar de comida!

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— Tenta pescar, Puckett. As vezes alguns cardumes passam por aqui. — Não importa o cansaço, o engenheiro sempre teria disposição para provocar a loira — e vice versa.

— Não me conhece, Benson? Se eu fosse você, não daria ideia...

— Tudo bem, continuando... — Ignorando completamente a conversa paralela que ele mesmo havia criado, Freddie voltou o seu foco para um diálogo que parecia estar sendo muito mais proveitoso. — Mesmo se eu quisesse enfrentar a Jessica, seria alegando o que? O projeto do Purple Ship ainda continua lá, intacto! Até hoje eu não sei o que ela queria comigo. Mas pelo visto, ela conseguiu...

— Certo, mas o que estamos fazendo aqui não tem nada relacionado com a Jéssica, ou os Hunter. A Síndrome de Titanic é uma coisa separada, e completamente diferente. Ou estou errado? — Intrigado, Spencer decidiu participar da discussão.

— É exatamente por isso que estamos procurando uma conexão entre os dois, maninho! Acham que é uma coincidência as duas coisas estarem acontecendo ao mesmo tempo?

— Bem, isso é verdade. Estando relacionadas, ou não, essas duas coisas afetam a Past Waters diretamente de formas que eu nem consigo imaginar... Se os naufrágios continuarem, como vou lançar o navio? Eu inclusive já adiantei o lançamento por precaução! Que agora com certeza me parece não ter sido uma das minhas melhores ideias.

— Esse será o último teste de amostra que fazemos. Depois disso, nos reunimos novamente e mudados nossa estratégia de vez. Mesmo contra o tempo, precisamos encontrar uma vantagem a nosso favor.

— É... Pessoal? — Franzindo o cenho, Samantha parecia estar avistando algo a frente dela. Por isso, resolveu avisar o resto do pessoal... Mas, como era de se esperar, estavam tão concentrados na conversa que não haviam escutado uma única palavra.

— Mas ainda me intriga o fato de não existir um único torpedo na água, esses navios não podem estar se explodindo sozinhos. — Carly já havia perdido as contas de quantas vezes já havia feito essa pergunta para si mesma.

— Pessoal... — A sommelier tentou chamar a atenção de seus amigos outra vez, mas o resultado não foi diferente.

— Por isso que eu digo que só pode ter sido algo manual, os teste laboratoriais não mentem. Até porque o explosivo que encontramos precisa ser combinado com outro reagente pra agir, então está claro que existe alguém que está agindo por baixo dos panos sem percebermos.

— Calem a boca, e prestem atenção! — Em uma pequena explosão, Sam gritou ao máximo de seus pulmões, o que finalmente pareceu ser suficiente para atraí-los.

— O que?! — Todos finalmente voltaram sua atenção para ela.

— Quantas lanchas tem por aqui?

— Apenas as duas que trouxemos, e as dos salva vidas. Por que? — Freddie informou.

— E as lanchas do pessoal do resgate possui um brasão, certo?

— Sim, mas qual é o ponto?! — Ele já estava começando a se preocupar.

— O ponto é que se aquela lancha não é uma das nossas, quem é aquela criatura ali na frente?!

— Espera, o que?!

— Meu Deus, é o nosso suspeito! — Sacando sua câmera rapidamente do bolso, Carly começou a registrar o que ela imaginou que se tornaria uma perseguição.

— Acelera, Sam! — Afoito, Spencer se levantou e juntou-se a Freddie, que também estava parcialmente de pé, no que parecia ser uma posição de ataque.

— Eu já estou na velocidade máxima, mas essa coisa parece que anda a quarenta por hora!

— Essa é uma lancha segura, ela chega até a oitenta. — A redatora explanou.

— E por que diabos existe um limite de velocidade para lanchas? Ele acham que vamos disputar um racha aquático?!

— É exatamente isso o que estamos tentando fazer agora!

— Mas isso é diferente, é por um bom motivo!

— Carly, tá filmando isso? — O Shay mais velho perguntou, sem dar-se ao trabalho de olhar para trás e constatar sua própria indagação.

— Mas é claro! Não é só o Freddie que tem uma câmera de estimação.

— Droga, estamos perdendo perdendo velocidade! Freddie, você não disse que o Griffin iria abastecer o tanque antes de sairmos?

— Sim, e foi isso o que ele fez! Mas não se esqueça que já andamos bastante, uma hora o combustível ia gastar.

— Gente, acho que fomos vistos. O elemento tá ficando cada vez mais rápido!

— Elemento?

— Dá um tempo, Benson. Até eu já assisti CSI uma vez na vida.

— Estamos perdendo de vista, a lancha vai virar perto da costa! — O cientista forense estava praticamente caindo da lancha, de tanto apoiar seu peso na borda no barco.

— Que se dane o combustível, hora de fazer o motor esquentar um pouco! — Fazendo uso de seus conhecimentos escusos, Samantha praticamente dobrou a velocidade da lancha, ao emperrar propositalmente o comando manual que movimentava as hélices traseiras. Porém, seu tiro praticamente saiu pela culatra quando o suspeito que estava sendo perseguido a obrigou a desacelerar — Não consigo ver nada, mas que droga!

Sam, cuidado! — Lançando uma cortina de fumaça no ar, o elemento quase fez com que Sam perdesse o controle e batesse a lancha contra a costa. Felizmente, a mesma fora mais rápida, fazendo o desvio para o lado oposto e desligando o motor antes que o barco virasse, ou continuasse pilotando de forma desgovernada. — Não, não, não! — Quando finalmente conseguiram escapar da fumaçada, que havia deixado seus olhos lacrimejando levemente, tentaram continuar a perseguição mas já era tarde demais: o ser não identificado não apenas havia fugido, como os tinha despistado.

— Acabamos de perder nosso único suspeito até o momento! Eu não acredito nisso! — Inconformado, o engenheiro desferiu um soco na água, o que fez apenas com que mesma espirrasse de volta em seu rosto.

— Colocam limite de velocidade nas lanchas, mas não colocam placa como nos carros! Só dificultam as coisa quando não devem...

— Se mandarmos algumas lancha pelo outro lado, será que dá tempo de encontrar algo? — Tão inconformado quanto, Spencer tentou pensar em uma solução.

— Duvido muito, mas podemos tentar. Quem sabe as imagens que consegui ajudem em alguma coisa...

— Quando eu penso que a sorte finalmente está do nosso lado, acabamos levando um banho de água fria... — Derrotado, o herdeiro da Past Waters recostou seu cabeça contra o estofado, se dando ao luxo de fechar seus olhos por uns instantes.

— Talvez esteja...

— Como assim? — A força da curiosidade motivou-o a levantar-se novamente.

— Gente, olhem pra água. — Todos digiram sua atenção para o arco íris de cores distorcidas que estava se formando na água, como se alguma substância inflamável ou etílica tivesse acabado de ser despejada.

— Isso é... Etanol?

— Só pode ser, eu preciso pegar uma amostra! Ainda bem que sempre deixo algumas cápsulas vazias de precaução.

— Pessoal, sabem o que isso significa? Significa que nossa tese está certa! Realmente existe alguém encarregado de espalhar o composto responsável por anular a presença do explosivo na água! Mas a pegunta ainda é: por que? Se quisessem culpar alguém iriam deixar uma pista falsa para trás. Talvez seja... Sabotagem? — Em um ar conspiratório, a repórter investigativa surgiu, mas nem todos compraram essa possibilidade de forma imediata.

— Tipo, um defeito de fábrica? Seria impossível! Todos os navios passam por uma inspeção rigorosa antes de sair, eu sempre vou pessoalmente a todas as inspeções antes que um navio da Past Waters seja aprovado para circulação. Fora que os acidentes sempre ocorrem na volta dos cruzeiros, justamente perto do porto. Então a menos que tenham enviado pessoas para sabotarem os navios em seus pontos de destinos, que podem ser do outro lado da cidade, ou do outro lado do mundo, eu considero isso ilógico e insano.

— Mas se formos seguir a lógica, isso não muda o fato de que o explosivo que usaram precisa de um gatilho manual. Então talvez a ideia de sabotagem talvez não seja tão ruim assim, só precisamos descobrir qual. — Insistindo em sua ideia, Carly continuou com seus argumentos. E talvez dessa vez, sua insinuação tivesse surtido algum efeito.

— Meus amigos, acho que já sei como mudarmos nossa abordagem... — Exibindo sua melhor expressão de "Eureka", Freddie Benson olhou para todos os seus amigos com um pequeno sorriso no rosto.

— Como? — Curioso, Spencer peguntou, terminando de coletar sua última amostra da água contaminada.

— Já perdemos muito tempo procurando por pistas externas. Agora, chegou a hora de começarmos a procurar o que precisamos na parte de dentro dos navios.

[...]

Notas finais
E então, pessoal? Gostaram? Odiaram? Estão curiosos para saber o que virá a seguir? Bem, se eu fosse dividir em núcleos, eu diria que toda história tem quatro partes, por assim dizer: Desenvolvimento, Pré Climax, Climax, e Conclusão. Então, meus amigos e amigas, agora as coisas vão começar a esquentar, Haha U.U (Esse capítulo contém referências a: Capitão América: O Primeiro Vingador, Capitão América: Guerra Civil, Guardiões Da Galáxia Vol.1, Jogos Vorazes, Sam & Cat, e, claro, a diversos episódios de ICarly) Bem, e como eu disse que haveria algumas curiosidades, eu gostaria de explanar uma coisa: Caso já tenham percebido, em muitas ocasiões em que está acontecendo algo tenso na trama, as personagens sempre tem alguma linha de diálogo engraçada, bem humorada, ou simplesmente fazem alguma referência nostálgica que não caberia na vida real. (Quer dizer, geralmente. Eu pessoalmente sempre faço piadas e referências nas horas mais inoportunas, não posso evitar Haha). Então, irei explicar o porquê. É uma história séria? De vida real? Sim. Até porque aqui já foram apresentados temas importantes como meio ambiente, ecologia, atentados, invasão, falsidade ideológica, contrabando, corrupção empresarial, e, querendo ou não, tentativas de homicídio em massa. Entretanto, mesmo diante de situações sérias, as próprias personagens em ICarly possuem essa característica de quebrar o gelo fazendo piadas. Como por exemplo a Carly dizendo que não ia se soltar quando o andaime estava despencando, o Gibby surpreso pelo Spencer não se o pai da Carly, a Sam roubando um taco do caminhão que atropelou o Freddie, e por aí vai. Então, apesar de se tratar de uma história de vida real, também trata-se de ICarly. Eu procuro respeitar o canône, ao mesmo tempo em que mesclo com a minha própria abordagem. Fora que como eu disse, eu tenho essa característica na real, então sempre gosto de dar aquela quebradinha no gelo mesmo quando se trata das minhas próprias histórias originais Haha. Well, era só isso mesmo. Talvez vocês nem tenha se incomodado com isso, mas, ainda assim eu gosto de explicar KKKKKK E como eu com certeza já escrevi demais, vou parar por aqui. Deixem seus comentários dizendo o que acharam, eu irei amar respondê-los! Até o próximo capítulo! :D