Água
1 Única Gota
Elise era uma garota como todas as outras, não tinha nada de especial, nada demais. Era uma aluna comum, não tirava notas nem altas e nem baixas. Seu cabelo era loiro e seus olhos verdes como um rio, usava uma espécie de laço verde em seus cabelos e tinha um fascínio especial pela água.
Era um desses dias chuvosos de verão em que ela foi vista pelo seu colega de escola, Yú. Ele a observou enquanto a mesma pulava de poça em poça em um dia tão chuvoso que mal podia ver muita coisa no horizonte, apenas a menina dançando e pulando feliz embaixo da chuva, sem guarda chuva e nem nada. Parecia muito um Cantando na Chuva de 2018.
Percebeu que estava sorrindo, aquele rapaz esperando no ponto de ônibus sempre após a aula e sob o seu guarda-chuva preto. Yú era um aluno descendente de chineses e coreanos, tinha os olhos característicos de asiáticos, cabelo preto com a franja escorrida para o lado. O rapaz, que tinha se perdido na cena, se deu conta de que ela havia percebido sua presença mesmo a bons metros de distância. Sua visão ia até a menina e nada mais adiante então ela correu, envergonhada, sumindo pra dentro da chuva.
“Espero que ela fique bem” – Pensou, enquanto o ônibus chegava no ponto.
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Elise chegou em casa, toda molhada e, novamente, recebeu bronca de sua mãe por isso: “Você vai se resfriar!” – Embora Elise jamais se resfriava com a água. A menina subiu para o banheiro, ao se despir, se pôs nua embaixo do chuveiro de água quente e acabou se sentando abraçando as pernas. Não podia deixar de pensar que fora notada pelo Yú, era o rapaz com qual sentia atração mas não tinha tanta certeza se seu sentimento era amor ou paixão. A vista ao banheiro se foi tornando nula enquanto o vapor subia mais e mais, sua mãe bateu na porta a cobrando do tempo.
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Era um novo dia na escola, Elise estava sentada em sua carteira e ela olhava para a janela, pensativa. O professor a cobrou de prestar atenção na aula, ela assustou e olhou para todos, rapidamente se pôs de pé e leu o trecho do livro que o professor havia pedido.
Após isso, seus olhos se viraram para Yú que percebeu aquela olhada e reagiu sorrindo, aquele sorriso tão bonitinho que o rapaz tinha.
No intervalo, ela correu para o rapaz e lhe deu uma caixa de chocolates em formato de peixinhos. Toda corada e sem olhar diretamente para os olhos dele:
— Seu nome... Significa ‘peixe’ em inglês então... Eu achei bem... Ah... Adequado? – Disse tropeçando nas palavras.
— Muito obrigado pelo presente, Elise. – Ele disse, sorrindo da mesma forma fofa.
Ela percebeu que, embaixo de seu braço direito, havia uma outra caixa de chocolate. Ela se perguntou se ele iria dar para alguém aquela caixa de chocolates ou se havia recebido então decidiu segui-lo.
Seguiu-o por toda parte sem ele perceber, até mesmo para o chuveiro.... Embora tivesse parado logo na porta já que decidiu respeitar a privacidade do mesmo além de que podia ser punida por aquilo. Ouviu o som de água... Ele estava, pelo jeito, sozinho e embaixo do chuveiro. A visão da água... Da água... lhe tocando o corpo e deslizando... Ela corou novamente e se sentiu, de alguma forma, feliz.
Seu pensamento durou até chegar em sua casa, onde já se viu em sua banheira, embaixo d’água. Conseguia segurar a respiração mais do que qualquer outra pessoa.
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No próximo dia, ela chegou na escola a ponto de ver Yú sendo empurrado por outro garoto que parecia constrangido. Ela foi ao encontro do rapaz, ele não queria se levantar, parecia muito chateado. Levantou seu rolo e olhou para ela, sorriu, de forma desanimada.
— O que aconteceu? – Ela perguntou, suave e preocupada.
— Não é nada... – Disse, com sua voz que parecia sumir.
No chão, a mesma caixa de bombons de ontem, aberta com os chocolates virados e ela se pôs a recolher tudo após deixa-lo onde estava.
— Não, deixa... Pode deixar... – Ele disse, com a voz fraca.
— Mas... Porque? – Perguntou a menina, olhando-o.
— Era... Para ele... Sabe... Eu gosto dele... Mas... – Sua voz sumiu de vez, os olhos do rapaz se encheram de lágrimas.
Foi nesse momento que Elise se sentiu sem chão, um peixe fora d’água, seu coração se quebrou em mil pedacinhos. Oras, o garoto que ela gostava... Gostava de outra pessoa, ele gostava daquele garoto que o empurrou... Provavelmente pelo fato de estar constrangido de ter sido flertado por outro homem.
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Elise chorou tudo o que podia enquanto ouvia lá fora a chuva então correu para lá.
Sentia as lágrimas celestiais caindo pelo seu corpo enquanto as suas escorriam dos seus olhos e se misturava com as águas da chuva.
“Por que? Aquele garoto... tem tanta sorte... do Yú gostar dele.” – Ela pensava enquanto andava lentamente pela chuva e caiu de joelhos em cima de uma poça. Era realmente uma chuva muito forte. Se apoiou com os braços em cima da poça enquanto as pernas deitadas de lado e seu torço para cima enquanto no pranto.
E logo sentiu... Estava se tornando parte da água, seu corpo fora ficando transparente, as roupas desintegraram como areia sendo lavada para fora de algo até seu corpo todo transparente se tornar parte da poça, se diminuindo a água.... E sumindo de vista.
Para onde fora?
O que aconteceu?
Yú, cabisbaixo e também de coração apertado, saiu da escola e nem percebeu que havia alguém o seguindo.
Fora seguindo embaixo de seu guarda-chuva, a água caia pesado, não conseguiria chegar seco em casa. Foi quando uma ventania levou seu guarda-chuva embora e ele acabou caindo no chão com tudo.
Seu perseguidor estava a vários metros de distância, Yú não conseguiria ouvir nada. O perseguidor era o garoto o qual Yú havia confessado seu amor e este não estava contente. Seu rosto contorcido em fúria, levava uma faca e se aproximava cada vez mais.
A chuva...
Está caindo...
Por quê?
Meu coração...
O rapaz foi se aproximando mais e mais até sentir algo lhe agarrando pelos pés... Se assustou e olhou para baixo. Um ser transparente emergia da água embaixo de seus pés e seu rosto parecia feroz, tinha a silhueta feminina e esta tinha muita... muita força. Não pôde ver mais nada, ele, de alguma forma, entrou na poça... Sumiu ali dentro, arrastado pela criatura.
Yú sentiu alguém tocar em seus ombros e o levantar. Tirou os cabelos molhados da frente dos olhos. Era o garoto que ele gostava, com qual havia se declarado. Tentou recuar, imaginou que o garoto fosse bater nele. Não... O garoto beijara Yú e ele pôde sentir todo seu sentimento enquanto a chuva forte escorria por seus corpos. Da tristeza, nasceu pura felicidade... e muito amor.
Wow... É sério?
“Mas – Pensou Yu – eu não lembrava que os olhos dele eram verdes... Como um rio...”
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