À flor da pele
69 Simples assim!
Notas iniciais
Theodor
Tomo meu banho sozinho.
Meu cabelo não é lavado, porque levantar a mão é uma tortura. Na verdade, meu banho é, basicamente, entrar embaixo do chuveiro e ficar ali parado por alguns minutos, até que meu corpo pareça pesado demais para manter.
Não me sequei, e sob o olhar atento de Patrick, me deito molhado e sem roupa. Porque me recuso a pedir ajuda. Já é humilhante o suficiente ter alguém me observando.
– Agora você pode dar o fora, e leve Amy e Simon, ou qualquer outro que acha que ajuda é bem-vinda aqui. Não é. — Reclamo, sentindo meu corpo todo tremer de frio. Eu também não me cobri ao deitar, porque é foda fazer qualquer movimento.
– Você age como um pedaço de merda às vezes. Posso ao menos te cobrir?
– Não.
Ele suspira, resignado.
– Me ligue quando Diana te expulsar daqui, porque não há chance de que ela fique bem com você agindo feito um idiota.
Patrick se levanta e vai para porta.
– Tchau, Theo, vê se pelo menos cobre essa coisa nojenta aí.
Não respondo seu gracejo.
Patrick não entende. É um carente, não perde a oportunidade de ser cuidado e mimado, mas eu não sou assim. Me sinto impotente agora, não preciso de ninguém presenciando isso.
Preciso tomar meu remédio para dor, já passou da hora, mas pegá-lo no criado mudo parece muito difícil. Então ignoro e fecho os olhos. Tento esquecer a minha situação deplorável, talvez se eu dormir um pouco, acordarei mais forte. Pelo menos o suficiente para tomar o remédio e colocar a merda de uma roupa.
Com muita dificuldade, e depois de muito tempo, me sinto deslizar pelo sono, mas antes de estar completamente embalado, sou despertado por mãos frias em minha testa.
Abro os olhos, pronto para gritar que estou bem, mas encontro o rosto preocupado de Diana.
– Acho que você tomou banho sozinho, certo?
Consigo rir e isso causa uma onda de dor pelo meu corpo. Ela começa a puxar a coberta de baixo de mim, me fazendo gemer em protesto. Quando finalmente não tenho mais montes embaixo de mim, sinto meu corpo relaxar, então ela me cobre.
Eu não reclamo de sua ajuda, embora devesse. O que ela não vai pensar de mim agora?
– Abre a boca.
Percebo que ela tem os dedos próximo dos meus lábios e eles seguram um comprimido. Abro a boca e ela o coloca sobre minha língua, depois aproxima um copo com canudo.
– Parece que nós trocamos de lugar. — Ela me oferece um sorriso.
É exatamente o que penso. Alguns dias atrás, eu estava cuidando dela. Dando-lhe remédio na hora certa, me preocupando com sua saúde. Agora...
Não consigo ficar com bem isso.
– Desculpe. — Digo depois de tomar o remédio.
– Você não tem que pedir desculpa. Mas confesso que a situação me causa angústia. Alguém te machucou e poderia ter causado algum dano pior.
Ela escova meus cabelos com as pontas dos dedos.
– Bem, nós trocamos de lugar mesmo. Eu me lembro de me sentir do mesmo jeito quando você foi ferida.
Tudo que eu conseguia pensar alguns dias atrás é que se tivesse saído de casa mais cedo, Diana poderia ter sofrido algum dano permanente. Quem sabe até mesmo perdido sua vida.
– Eu não deixarei isso acontecer de novo. A nenhum de nós. — É algo ousado para se dizer, mas irei me esforçar para nos manter seguros. Especialmente sabendo que possivelmente foi a mesma pessoa que nos atacou, segundo suspeitas de Amy.
Vou descobrir quem foi e me certificarei de que não possa ser capaz de fazer isso de novo.
Não posso imaginar quem iria querer machucar Diana para me atingir. Isso é muito baixo. Mesmo que eu possa ter feito isso com as namoradas do meu pai... Acho que, quando a merda acontece com a gente, tudo ganha nova perspectiva.
Não posso deixar de suspeitar de Robert, o meu pai. Faz meses que ele se retirou da sociedade para lutar contra o câncer. Há uma possibilidade dele estar melhor e com sede de sangue. Por isso pedi a Amy para localizá-lo. Ele é a única pessoa que consigo pensar que agiria tão baixo assim.
Diana morde o lábio e então se abaixa e beija a ponta do meu nariz, como fiz mais cedo com ela.
– Eu fiz sopa. — Ela muda de assunto, mas as bochechas estão coradas, do jeito que eu tanto amo. Poderia ficar horas a observando.
– Será que você está bem para comer? — Ela continua. — Tyler disse que você rejeitou o sanduíche que ele fez mais cedo. Está mal do estômago?
Não mesmo, só não quero ser alimentado por outros. Especialmente alguém que eu não gosto, como o Tyler.
– Talvez quando eu acordar. — Digo, sentindo meu estômago doer pela fome. Mas orgulho é orgulho.
– Algumas colheradas, apenas... Por favor? Por mim? — Os olhos castanhos estão grandes, esperançosos...
Foi uma péssima ideia aceitar ficar em sua casa. Achei que poderia ser agradável ter sua companhia, mas nunca imaginei que estaria tão limitado. Especialmente porque ainda estava sob efeito dos remédios e pensei que as coisas não estavam tão ruins.
Agora me vejo preso aqui, incapaz de me cuidar e dependendo dela. Eu deveria ser a pessoa no controle, cuidar dela como homem de verdade, mas estou quebrado. Nem mesmo consigo me manter firme em minhas decisões, especialmente quando ela me olha desse jeito...
– Só algumas... — Acabo concordando e ganho um sorriso bonito como prêmio.
Diana ajeita o travesseiro atrás de mim, depois sai do quarto e quando volta tem uma cumbuca de sopa na mão. Ela se senta na ponta da cama e começa a me dar colheradas rasas.
– Você cozinha bem. — Digo, enquanto ela assopra uma nova colherada para me dar. Me sinto como uma criança.
– Eu faço o que posso. — Ela dá de ombros, sorrindo, então, invés de me dar a sopa, ela leva a colher a boca.
– Hey! Isso é meu...
– Só estou vendo se está boa mesmo. — Ela pisca e me oferece um sorriso.
Simplesmente adorável.
Por um momento me esqueço de todos os problemas e me perco na beleza de seu rosto. Eu gosto de olhar para ela. Cada parte de seu corpo parece ter sido criada por um artista.
Diana Weber é uma obra de arte.
Minha obra de arte.
***
Depois da comida, Diana me traz uma bacia, um copo e escova de dentes. E ela malditamente escova meus dentes. Isso sim é humilhante, mas é como se estivesse com uma trava na língua cada vez que tento lhe dizer não. Simplesmente não sai nada.
Ela me tem enrolado em seu dedo mindinho.
Com os dentes já escovados e muito sonolento pelo remédio, quase perco o momento que ela se deita, mas consigo ficar consciente por alguns minutos, enquanto ela se acomoda ao meu lado, se encolhendo e rodeando meu braço bom com suas mãos pequenas. Então eu durmo, mas não por muito tempo.
Parece que se passou apenas minutos quando Diana me acorda para tomar remédio de novo e dessa vez acabo despertando um pouco elétrico, já que o efeito do remédio está no fim.
Então nós conversamos.
Adoro falar com ela, tudo que sai de sua boca é interessante. Até as coisas mais bobas. Ou talvez eu esteja tão caído por ela que tenho essa impressão. Mas duvido que seja assim. Diana simplesmente escuta e fala nos momentos certos. Ela mantém diálogos inteligentes a cerca de vários temas e quando não sabe sobre, simplesmente diz e me dá a chance de explicar. É fantástica e se eu já não estivesse aos seus pés, certamente teria caído agora.
Ela me conta sobre seus planos para meu apartamento em certo momento, como acha que cores mais vibrantes podem ter mais a ver com a minha personalidade do que manter algo em preto e branco ou marrom. Então ela pega seu notebook, descansa em sua perna e mostra a versão macho alfa que ela fez, tudo em cores neutras, então a mesma versão com algumas cores vibrantes espalhadas, a que eu vi antes e uma terceira, que seria algo entre as duas. Eu preciso dizer, gostei de todas.
Então o sono me pega de novo no meio da conversa e sei que o remédio começou a fazer efeito. Tento lutar e ficar acordado, aproveitar cada minutinho de sua companhia, mas sou derrotado.
Diana
– Eu realmente não quero ver ninguém hoje. — Theo me diz de manhã. Ele está tão grogue pela nova rodada de analgésicos que suas palavras saem um pouco distorcidas.
Não vou negar que sua antipatia por visitas me deixa um pouco feliz, posso aproveitar o sono que começa a entrelaça-lo e limpar a casa, e sem pessoas visitando não haverá sujeira depois.
Perfeito!
Então, sem pensar duas vezes, mando mensagem para o número que Amy me passou ontem. Lhe digo que Theo não quer receber visitas hoje e que provavelmente estará dormindo o dia todo por causa dos remédios. Ela demora a responder, mas quando o faz, diz que manterá as pessoas longe e isso é tudo que eu preciso para me sentir em paz.
Isso e alguns baldes com água sanitária.
***
Ajudar Theo com o banho promete ser a tarefa mais difícil de todos os dias.
O Theodor Blake que conheci é controlador, mas ele também sabe escutar e ceder. Mas essa versão...
Ele passou cada hora que o acordei, para o remédio e comida, reclamando sobre tudo. Nem parece o mesmo homem que adormeceu em meio a conversa de ontem a noite.
No entanto, devo estar louca, acho que gosto até mesmo dessa versão teimosa dele. Tudo sobre ele me fascina e isso me assusta. Posso estar desenvolvendo uma séria obsessão aqui!
– Eu vou tomar banho sozinho, simples! — Reclama mais uma vez, enquanto bloqueio seu caminho na frente da cama.
Ele se sentou sozinho, fazendo caretas pela dor, mas tentando ao máximo não demonstrar. A tipoia ele deixou de usar mais ou menos na hora do almoço.
– Não deveria ter ido ao hospital se sabe tão bem como se tratar, não acha, Dr. Blake?
Deixo minhas mãos firmes em minha cintura e o encaro, tão determinada quanto ele. Talvez ele ache que pode ficar aqui e me dizer não e assim será... Mas está muito enganado. Eu posso ficar horas bloqueando seu caminho e ser bastante insistente, mas o que vai derrubá-lo será a dor que ele tenta esconder. Não mais que alguns minutos para ele abandonar essa pose, aposto!
– Diana, eu não preciso de ajuda para lavar meu pau. — Tento disfarçar o quanto a menção a suas partes íntimas me embaraçam, mas não é possível. As malditas bochechas nunca me permitirão sair de cabeça erguida. — Me dê um pouco de dignidade, por favor?
Ele tem repetido essa baboseira desde que acordou também. Eu não posso imaginar como sua vida tem sido para que não aceite ajuda nem mesmo quando precisa.
– Você pode tomar banho sozinho. — Digo e ele suspira aliviado. — Semana que vem, como o médico disse. — Recebo um olhar assassino.
– Além do mais, ele disse que deveria tomar banho de esponja, na cama... Então, acho que você deveria me agradecer por deixar usar o chuveiro.
– Não vou deixar você me dar banho de esponja. N.U.N.C.A.
Não me abalo nem por um segundo com seu olhar zangado e sua fala dura. Na verdade, acho que está me inspirando a ser tão teimosa quanto ele. Quem diria que ter o pior de Theodor Blake à tona seria um bom exercício...
Eu o vejo relaxar lentamente os ombros e isso, certamente, é pelas dores nas costelas feridas. Então, ele fecha os olhos por um momento e respira fundo. Quando volta a me olhar, sei que ganhei.
– Você me mata, Diana, você mata! Me ajude, então. — Ele pede por fim, com um tom tão torturante e derrotado, que quase sinto culpa. Quase! Mas aí me lembro de todo o dia que ele passou mal humorado e decido que é muito bem feito.
– Certo, vamos lá.
Me abaixo na frente dele, desabotoando os botões de sua camisa e o ajudando a ficar em pé. Quando vamos ao banheiro, vejo seu olhar horrorizado ao perceber a cadeira de banho que trouxe quando ele dormia.
– Não vou usar isso.
– Vai sim!
– Não, eu não vou. Isso é uma porra de exagero.
– Porra de exagero é você agir como uma garotinha chorona. — Finalmente seu humor de merda se enlaça em mim, me colocando no mesmo lugar que ele está.
– Desisto da sua ajuda. Saia e me deixe tomar meu banho sozinho.
Ele se apoia na pia e escapa para longe de mim, mas fecho a distância com alguns passos e começo a soltar a faixa que rodeia suas costelas.
– Diana... — Diz em tom de aviso, que não assusta em nada, só me irrita.
– É melhor você parar de falar, Blake.
E ele para. Com o olhar mais raivoso que já vi.
O ajudo a sair de suas calças, me deparando com sua parte íntima muito em pé.
Será que brigar o deixou excitado?
Me afasto e ligo o chuveiro, mantendo a cadeira abaixo da ducha. Ele se senta quando saio do caminho e mesmo com suas partes masculinas praticamente acenando, ele não me dá atenção. Olha para o lado oposto com uma maldita carranca. Mas, o que importa é que eu venci.
1 para Diana.
0 para o Sr. Teimoso.
Theodor
Me sinto saindo do mundo de trevas que me enfiei por algum tempo.
A hora do banho foi tensa de novo, assim como todas às vezes que precisei usar o banheiro. No fim do dia, eu estava de volta a zona escura da minha mente. Cansado, com dor e com um sono que não parecia normal.
Na segunda-feira me senti melhor. Quando Diana me acordou para tomar o remédio de manhã, meu corpo e minha mente estavam firmes. Consegui ir ao banheiro sem gritar de dor e manter meu humor de merda apenas para mim. Acho que estou melhorando, ou então apenas me acostumei com a dor, o que é bastante preocupante.
Hoje, terça-feira, disse à Diana que aceitaria as visitas. Mas na sala.
Diana é teimosa. De uma forma completamente inesperada, mas acredito que posso dizer que dessa vez ganhei, já que estou sentado no sofá, acomodado em várias almofadas. Ela até me deixou tomar conta do controle remoto e escolher o que assistir.
– Você pode sentar ao meu lado, sabe? — Ofereço, enquanto ela digita ferozmente no notebook em seu colo, do outro lado da sala.
Diana levanta seus olhos para me estudar.
– Você está ferido, precisa de espaço.
– Não é como se sentar ao meu lado fosse me quebrar...
– Eu poderia esbarrar em você e causar dor desnecessária.
– Não vai fazer isso, venha aqui.
– Não.
Ela volta sua atenção para o computador.
Maldita mulher teimosa!
A pior parte de estar ferido é que me tornei de vidro. Nem mesmo consigo me lembrar quando foi que ela me deu o último beijo. Isso não é legal. Quando não estou grogue demais pelos remédios, estou ansioso e doído, olhando para ela, vendo cada uma de suas curvas e desejando poder ficar bem de uma vez para tocá-la.
A única vantagem do que me aconteceu é a companhia. Quando não está sendo teimosa, Diana é fantástica.
Desligo a TV e mantenho controle em meu colo, então fico a estudando.
– Preciso confessar uma coisa, vem aqui.
Ele levanta me olha e levanta uma sobrancelha.
– Boa, mas não. Espaço para você não se machucar. Ordens médicas.
Bufo.
– É sério, preciso te contar uma coisa.
Eu não sei se a inspiração veio do fato de estar meio puto ou o quê. Mas apenas vejo as palavras chegando e escorregando.
– A primeira vez que te vi foi há quase sete meses.
Ela para de digitar e deixa o notebook sobre a mesinha de centro.
– Jane estava seguindo Tyler, ela achava que estava sendo traída. Não foi por querer, mas acabei sugado para o meio disso. Então quando percebi, só queria vê-la outra vez.
Diana cruza os braços. Ela está usando uma longa blusa de lã creme, que desce até metade das coxas e sobra nas mangas, mas não consegue esconder completamente seus fartos seios, o que a deixa com um decote muito perturbador à mostra, e provavelmente nem é por querer. Mas, tal vista, quase me impede de registrar que seu rosto não diz nada. Ela não sorri, ou faz careta. Não sei se está com medo ou não. Não faço ideia se vai me mandar dar o fora da sua casa e da sua vida.
O silêncio que ronda a sala é terrível e acho que posso ter cometido um grande erro ao confessar isso tão cedo, mas então ela me olha e se prepara para falar.
– Eu vi você algumas vezes, mas não tinha certeza. — Fica quieta.
Tem horas que seriamente desejo que Diana seja mais parecida com Theresa. Nessas horas, por exemplo, quando ela se cala, fico completamente perdido. Tessa ao menos colocava tudo para fora, sempre soube exatamente onde estava com ela. Com Diana é como se tivesse uma venda em meus olhos e pudesse cair em uma armadilha a qualquer momento. Isso me confunde e assusta. Eu não acho que posso deixá-la agora se ela decidisse isso.
– Você está com medo de mim? — Arrisco.
Ela nega.
– Bem, eu acabei de admitir que te observava... Parece-me um bom motivo...
– Fez isso muitas vezes?
Muitas! Foram os dois meses mais bizarros que tive antes de me apresentar formalmente. Me senti um pouco maluco porque queria vê-la a todo instante. Teve uma semana que dispensei Amy e fazia minha ronda sozinho.
– Muitas vezes, quase diariamente. — Admito. — No começo, umas duas vezes na primeira semana, acompanhando minha irmã em sua missão, depois fui por conta. Ficava parado na frente do seu trabalho, esperando para ter um relance seu.
Ela morde o lábio, nervosa, mas não amedrontada.
– Mudei meu percurso da corrida para te ver sair para o trabalho. — Confessa ela, mas isso já sábia.
Sorrio, desejando estar mais perto e poder tocá-la.
– Eu percebi isso, e comecei a me demorar mais no café, onde podia ficar te olhando sem que me visse.
Suas bochechas ganham aquela cor avermelhada e ela sorri, o que a deixa simplesmente encantadora.
– Bem, eu acho que era para ser. — Completo.
Ela concorda e morde o lábio.
– Senta aqui... — Tento mais uma vez e espero pela negação, mas dessa vez ela se levanta e vem para meu lado, mantendo a distância de um lugar. Estendo minha mão para segurar a dela, sentindo dor no processo, mas evitando demonstrar para que não fuja.
Sua mão cobre a minha e alisa minha pele. Seus olhos fixos nos meus caem para meus lábios por um momento.
– Você está linda. — Digo, apreciando a visão perfeita à minha frente.
– Eu acho que você está cego, Theodor Blake.
Theodor Blake.
Até meu nome soa diferente em seus lábios.
– Não mesmo.
Seu cabelo está preso em um pequeno coque frouxo e alguns fios escaparam, emoldurando seu rosto.
– Me beija.
Ela aperta os lábios e enruga o nariz em uma falha tentativa de parecer séria.
– Não quero te machucar...
– Não vai, vem aqui...
Aos poucos estou aprendendo como dobrar essa mulher.
Diana fica de joelhos no lugar vago ao meu lado, então ela se inclina, tomando cuidado para não se apoiar em mim, então encosta seus lábios macios nos meus. Um selinho é tudo que ela pretende, percebo, mas ergo o braço e a segurando com força junto a mim. A dor vale a pena.
Ter Diana em meus braços é um remédio muito melhor. Esqueço tudo quando estamos assim, tão perto, nos tocando.
– Era para ser... – Repete minhas palavras de antes quando nos separamos.
Ela está sorrindo e não posso deixar de acompanhá-la nisso. Nós somos perfeitos juntos.
– Isso aí. — Digo. — Simples assim.
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