À flor da pele

45 O pote no fim do arco-íris


Notas iniciais
Oi pessoal, vamos começar falando sobre um assunto sério: As cobranças! Eu fico feliz em saber que minha história agrada vocês a ponto de ficarem ansiosos pelo próximo capítulo. Isso é ótimo para meu ego, que já superou o do Theo u.U Mas olha, ultrapassou os comentários... '-' (E não é a primeira vez!) Sejam mais pacientes comigo. Se eu demoro a postar, não é por maldade (como foi sugerido) é porque eu não tenho tempo! Eu já sou velha gente, tenho casa e marido pra cuidar u.u Peguem leve com a veinha! XD E agora, mudando de assunto, queria agradecer a Juliana Gabrielle que recomendou a história. Obrigada flor! Me deixou muito feliz =) Sem mais, boa leitura!

Theodor

— Oi... — A voz de Diana soa diferente. Rouca, quase desejosa. É uma ótima forma de começar a noite, ouvindo sua voz. Embora, eu fosse apreciar muito mais sua companhia.

— Oi... Como você está? — Pergunto por educação, mas minha vontade é ir direto ao assunto. Ela não deveria ficar sozinha. Serão quatro dias até que eu esteja de volta. Isso é tempo demais.

Eu abriria mão dessa maldita reunião de bom grado, exceto que Patrick ficaria muito zangado e Thomas, provavelmente, tentaria me matar.

— Bem... — Ela parece nervosa agora. Dia tem essa coisa, em um momento está completamente relaxa e no seguinte tensa, a beira dos nervos. É difícil lidar com ela algumas vezes. — E você? — Me pergunto se eu é que a deixo nervosa. Por que isso certamente deve significar algo bom, certo?

— Ansioso para o fim de semana acabar logo. — Sou sincero, no entanto não pareço. É a maldita ansiedade que me deixa nervoso. Um sentimento que têm estado comigo diariamente desde que conheci Diana. Não é bom, e parece sumir apenas quando estamos juntos. — Tem certeza que ainda está ficando? — Digo, sem paciência de prolongar. Tenho esperanças de que ela tenha mudado de ideia. Aliás, eu acho que ela quer ir, mas não admite.

— Sim, ainda estou ficando. — E a ansiedade aumenta e incomoda. Sinto-me culpado por ir sem ela.

Deixo um suspiro abafado escapar.

— Estou contando as horas para voltar... — Digo de novo, porque é verdade, e porque não sei mais o que dizer.

Odeio insistir em algo. Implorar nunca foi meu estilo. Não estou gostando de todas essas sutis mudanças que me assolam. Elas aparecem em pequenos gestos, como insistir em algo, cancelar coisas importantes só para vê-la por alguns minutos, ir contra meus princípios para seu benefício...

Me sinto ridículo agora que paro para pensar sobre isso.

— Para onde você... — Ela começa, mas para bruscamente. Apenas ouço sua respiração do outro lado, mais como um gemido. Mas não dos que eu quero escutar.

— Dia? — Chamo, quando ela não continua.

— Alguma coisa caiu no andar de baixo. — Fico tenso pelas suas palavras.

— Como assim alguma coisa caiu?

Então eu escuto algo ao fundo. Como um vidro quebrando, talvez, é um som distante, porém preocupante.

— Barulhos lá embaixo. Eu vou checar. — Ela diz, com a voz trêmula. E isso me assusta pra cacete.

— Como assim checar? Ela é maluca? Não pode estar falando sério!

— Eu acho que é o maldito gato do vizinho de novo. — Insiste, com a voz mais firme agora.

Afasto o celular por um momento.

— Pra casa da Diana, agora! — Digo e Amy, que esta me fitando preocupada pelo espelho, concorda com um aceno. — Dia, me escuta. Se tranca em algum lugar e me espera. Estou indo.

Mesmo que seja apenas o gato agora, só o fato dela pensar em descer para checar, já prova sua insanidade!

Mulheres não deveriam fazer esse tipo de coisa. Cadê aquele pânico, a histeria, e covardia? Ela deveria se trancar em algum lugar, como manda o manual feminino. Não que isso exista, mas se existisse certamente isso estaria lá!

— Relaxa Theo, é o gato. Eu fechei tudo antes de subir. Um ladrão não faria tanto barulho!

Que raiva dessa mulher teimosa! Sua convicção só me deixa mais assustado. Como ela pode afirmar isso? E se estiver indo direto para algum invasor? E um não animal, mas sim humano!

— Diana! Por favor... Começo, impaciente e muito preocupado.

— Shii — Ela sussurra. — Você vai me fazer espantá-lo... Vou pegar esse bicho no pulo...

Olho para fora, tentando identificar onde estamos. Nós demos a volta na quadra que Dia mora e então voltamos para o lado em que vivo, pegando a avenida principal. No momento estamos quase no meu prédio e isso parece longe demais.

— Theo... — Ela chama num sussurro, com o medo mais que explícito.

— Inferno, Diana! — Não é um gato. Não pode ser! — Anda logo, Amy! — Apresso minha amiga, afastando só por um segundo o celular do ouvido.

Amy não responde, ela leva seu celular ao ouvido, o prendendo com o ombro enquanto dirige.

— Diana? Fala comigo! — Ela não responde. Está em silêncio.

Até que ele é quebrado.

— Ah, meu deus! — Diz com desespero. — Socorro!

— Porra Amy, tem alguém lá! Diana?

Nunca me senti tão impotente em minha vida. Tento escutar alguma coisa, mas tudo que ouço são barulhos.

Vejo a casa de Diana à frente, cerca de uma quadra e meia e já estou com a mão na porta.

— Não entra, Theodor! — Amy me diz, autoritária. — Eu tô falando sério, porra!

E o celular fica mudo.

— Podem estar armados... — Ela diz e para o carro, quase jogando na calçada e eu estou fora imediatamente, abrindo o portão com um empurrão só.

Ela continua me dando ordens. Ou pelo menos acho que é isso. Mas é claro que eu não vou ficar para escutar.

Alcanço a porta e ela está trancada, então chuto. Só quero me livrar de qualquer coisa que esteja entre Diana e eu.

Amy foi policial. Por pouco tempo, mas foi. Ela tem todo o treino da academia, mas isso se torna algo tão fútil de repente.

Escuto os gritos de Diana assim que estou dentro da casa.

— Diana? — Chamo quando estou perto da escada. A escuto, lá de cima. Subo correndo, ouvindo Amy falar palavrões atrás de mim.

Não perco no topo da escada um fio de sangue nos degraus. Isso é o bastante pra me colocar em seu quarto em segundos, de onde os gritos vêm, completamente aflito.

A porta do banheiro está fechada e seus gritos de desespero vêm de lá. Estou pronto para encontrar o pior, e quem sabe ser atingido por algo. Empurro a porta com força, lançando todo meu peso. Ela se abre e vejo Diana ir contra a parede. Ela grita e se debate. Olho em volta e nada vejo, então a seguro, passando meus braços ao seu redor.

— Calma, Diana! É o Theo!

Ela tenta se soltar a todo custo.

— Não me machuca, por favor! — Diz, entre os gritos e o choro, se debatendo em meus braços. A tiro do banheiro com dificuldade, quase nos derrubando várias vezes no processo. Então me deixo cair na cama, segurando-a firmemente.

— É o Theo, calma, linda. Calma. — Continuo repetindo, então ela para de lutar e o choro se torna intenso. Seu corpo treme, por várias e várias vezes, até que a sinto relaxar, mas os soluços estão ali, insistentes.

— É o Theo, linda... Calma. — Sussurro pra ela. — Estou aqui, você está segura agora.

— O cara pulou a janela! — Amy entra no quarto, guardando sua arma no coldre que tem embaixo do casaco. — Eu não consegui alcançá-lo, merda! Ele subiu em uma moto no fim da rua, sem placa. — Ela está ansiosa, e muito chateada.

Se aproxima da cama e se ajoelha, tocando Diana, o que faz seu corpo ficar tenso.

— Ela está em choque, Theo. E sangrando. Vou pedir uma ambulância.

Sangrando...

Solto Diana, por um momento, me sentando e a mantendo na cama. Sua testa tem sangue. Ela tem um corte , que não parece fundo, mas é difícil dizer em meio ao sangue. Assim que seus olhos encontram os meus, ela se senta e vem para mim, me agarrando em um abraço desesperado. E as lágrimas voltando com tudo, e os soluços e espasmos são constantes.

Diria que eu mesmo estou em choque com tudo isso. Sabia que não deveria deixá-la. Sentia isso em meus ossos. Como uma maldita premonição.

Amy se levanta e afasta, vai para o banheiro.

— Calma querida... — Continuo sussurrando para ela, passando a mão gentilmente em suas costas.

Seu batimento cardíaco é rápido e forte, um reflexo do meu próprio. Eu me obrigo a estar calmo por ela, mas é só por fora. Por dentro fervilho. Com todo tipo de emoção que nunca tive antes.

Amy volta com uma toalha.

— Você tem que deitá-la. — Ela sussurra pra mim. Diana se aperta mais ao meu pescoço. E me vejo levantando com ela e então deitando-a lentamente na cama, e ficando ao seu lado, uma vez que ela não parece disposta a me soltar.

Me quebra vê-la nesse estado.

Viro a cabeça um pouco e vejo que Amy segura uma toalha.

— A polícia? — Sussurro, quase sem emitir som.

— Vindo, assim como a ambulância.

— Checou a casa?

— Tudo limpo. Acredito que era apenas um. — Ela me diz e senta na cama. — Está tudo bem, querida, você está segura agora.

Amy usa um tom gentil e afaga o braço de Diana com carinho, puxando aos poucos, a incentivando a me soltar, lentamente. Até que seus braços afrouxam e posso me afastar um pouco e encarar seu rosto assustado.

Toco sua bochecha e ela se encolhe um pouco, mas não se afasta. Seus olhos nunca deixam os meus, nem quando Amy coloca a toalha úmida sobre seu ferimento da testa.

Sua pele está fria.

Levo as mãos aos braços dela, afastando-os, e finalmente fico livre de seu agarro. Me sento e olho em volta, atrás de uma coberta. Puxo a que está metade na cama e metade no chão, então passo sobre ela.

Nesses poucos movimentos que fiz, percebi uma coisa. Meu corpo me trai. Minhas pernas tremem, assim como minhas mãos. Estou com medo.

Não medo de ser ferido. Eu temo por ela. Pelo que possa ter passado. Quando ouvi seus gritos no telefone, imaginei o pior. Isso me assustou como o inferno!

Foco em seus olhos. Embora ela esteja à minha frente, parece estar se distanciando pouco a pouco.

— Vou descer. — Amy me diz, e então percebo sirenes se aproximando.

Assim que minha amiga sai do quarto, me ajoelho ao lado da cama e Dia se vira, ficando de frente para mim.

As lágrimas cessaram, mas o medo continua estampando em seu rosto. Diana está completamente fora de sintonia. Duvido até que saiba quem eu sou.

— Você está bem...? — Pergunto, tentando parecer calmo.

Ela não responde. Não se move.

— Ele te machucou? Tocou em você?

Nenhuma reação. Seu estado me alarma. Temo que quem quer que esteve aqui hoje, lhe fez mais danos emocionais do que físicos.

Quero tocá-la. Lhe oferecer algum tipo de conforto... Mas tenho medo de feri-la, ou assustar ainda mais.

Escuto vozes no andar de baixo e passos. Logo Amy está na porta, falando com alguém.

Diana olha para eles, assustada, e vejo seus olhos se encherem de lágrimas de novo, sua respiração fica rápida e seu corpo está agitado.

— Calma... — Toco seu braço. — Tudo vai ficar bem. Não vou mais te deixar sozinha, eu prometo.

E só então, quando Amy pede para que me afaste, para Diana ser examinada, é que eu percebo a extensão do que acabei de prometer.

***

— Como ela está? — Me viro e dou de cara com Thomas.

Estou na sala de espera da clinica que trouxe Diana. Os paramédicos enviados fizeram um péssimo trabalho, nem mesmo a queriam trazer para um hospital, então os dispensei e liguei para um amigo. Que não era Thomas.

— O que faz aqui? — Eu o avisei mais cedo que me atrasaria para o voo e ele não ficou nada feliz, mas não dei detalhes. Ou disse onde estava.

— Amy. — Claro, a linguaruda!

— Não precisa estar aqui, Thomas. Está tudo sob controle.

Meu amigo está impecável. Ele usa um terno, mas não é isso. É sua postura confiante. Isso sempre esteve com ele. Também é o mais responsável do nosso grupo. E muito irritante.

— Só quero ajudar, mantenha para si mesmo essa irritação. O vamos fazer é importante, Theo! Por isso estou aqui, por sua causa, não dela. — Ele completa, me estudando e acertando.

Temos um grande negócio em andamento. Patrick e Tom são meus sócios em investimentos fora das empresas Blake. Esse feriado será o momento perfeito para observar e tomar uma decisão a respeito de algo que vem chamando nossa atenção. Há dinheiro demais envolvido. Tempo demais gasto. Mas não posso simplesmente deixar Diana assim, desamparada.

— Theodor... Será possível que você nunca vai aprender? Quantas mulheres mais você pretende colocar na sua vida para arruinar as coisas? – O tom altamente acusatório me irrita. Mas, não posso culpá-lo. Mereço suas acusações, de certa forma.

Não respondo. Me afasto e vou para uma cadeira. Ele me segue e senta ao meu lado.

— Vocês se meteram em uma briga? — Bom, pelo menos Amy não falou tudo.

— Não. — Não quero contar nada a ele. Tom é intrometido demais. E ainda tem o fato de Diana ter um cartão dele. Será que eles andam conversando? Não estou tão certo que não seja por causa dela que ele está aqui.

— E então? — Ele pressiona.

Quanta pressão! Suspiro irritado com a situação.

— Enquanto falávamos pelo telefone alguém invadiu a casa dela e a atacou.

Ele se mexe na cadeira, visivelmente desconfortável.

— Ela está viva?

Suas palavras soam chocantes por algum motivo.

— Por deus, sim! — Olho para ele, assombrado pela pergunta. — Ela se trancou no banheiro. Estávamos por perto, saindo para o aeroporto. Então voltamos.

Ele concorda e fica em silêncio.

A grande coisa sobre Thomas, é que ele nunca está quieto realmente. Quando suas palavras somem, é provavelmente porque ele está analisando os fatos. Como um psiquiatra, não meu amigo. É inevitável que esse seu lado sempre entre em ação. E completamente irritante.

— Quanto tempo leva até a liberarem?

— Não faço ideia. A Amy está com ela.

Eu queria acompanhá-la, mas ela estava fora de si. Assustada demais. E embora parecesse que minha presença a fazia bem de início, isso parou depois de um tempo, com a chegada dos paramédicos. Então Amy ficou ao lado dela e eu de fora. Aguardando a boa vontade de alguém para me dar noticias.

— Vou ver se consigo alguma coisa. — Thomas levanta e se afasta, sem me deixar dizer nada. Queria tanto que ele não estivesse aqui!

É ridículo, eu sei, mas desde crianças, Tom tem a preferência de todos. Patrick sempre foi o irresponsável que ninguém mais se importar, porque é problemático demais. Mas Tom... Ele costumava representar um tipo de perfeição que nem eu e Patrick tínhamos. Era sempre o queridinho, até mesmo meu pai tinha mais simpatia por ele. E minha mãe. E Jane. E qualquer pessoa. O Dr.Charme sempre conquistava a todos. Acho que crescer ao lado dele me traumatizou um pouco. E, provavelmente, ele seja a causa do meu namoro conturbado com Tessa. Eu queria a única coisa que era dele e não era realmente...

Vejo meu amigo de muitos anos se afastar e entrar na área “proibida”.

— Convencido!— Sussurro para mim mesmo.

Tom e eu deveríamos nos juntar ao Patrick essa noite. Me admira que o cara não tenha ligado ainda, por nosso atraso. Ele adquiriu um jatinho como último de seus investimentos, e agora mal para em casa. Cada fim de semana um lugar diferente.

É possível que até já esteja no aeroporto, largado em algum canto. Bêbado!

O cara parece ser um poço de irresponsabilidade algumas vezes, mas é um grande investidor. Ele é do tipo que olha para algo simples e consegue enxerga potencial. Só não em si mesmo! Então, está envolvido nas coisas mais inusitadas e rentáveis.

Essa noite vamos usar sua última compra para conhecer e decidir sobre um novo projeto. Estamos animados. Pelo menos eu estou. Animado e ansioso. Desde muito cedo eu sonhei com o desligamento entre meu pai e eu. Financeira e emocionalmente. E finalmente consegui isso. Sem contar que o tal negócio é algo que meus amigos e eu planejamos desde a adolescência.

As portas que Thomas atravessou se abrem, e ele está de volta. Caminha confiante. Irritante isso!

— Ela está bem! Nada quebrado ou fora do lugar. — Ele diz animado. Será que a viu? — Já vai receber alta. Deveríamos levá-la conosco.

E essa é a gota d'água.

Me levanto, irritado demais para lembrar que estou em um ambiente hospitalar.

— Eu vou levá-la, Thomas, e não porque você acha que eu deveria. Mas porque eu já havia decidido isso. E agradeceria se pudesse manter distância.

Ele sorri, daquele jeito zombeteiro que me irrita desde pequeno.

— Quem diria que Theodor Blake seria fisgado tão facilmente.

Fisgado? Como se isso fosse possível!

Bem, talvez seja...

— Eu só quero ajudar, abaixe as armas! — Ele diz, ainda em seu modo insuportável. — O que a polícia disse?

Ele se afasta e senta.

O que interessa a ele o que a polícia disse? Ou se ela está bem ou não? Ou ainda, se fui ou não fisgado! Homem insuportável!

— Quadrilha especializada em casas vazias nos feriados. Tiveram várias chamadas hoje.

— Como? As casas não estavam vazias? Quem é que ligou?

Eu já disse que o Thomas me irrita? Grande parte do tempo pelo menos. Especialmente quando ele tá feliz, assim!

— Eu vou te ignorar, ou vou acabar te socando até não ser possível te reconhecer.

E então ele ri.

Chato!

Irritante!

Mas pelo menos está aqui. Mesmo que seu pretexto não seja dos melhores. Não o quero aqui, mas agradeço que esteja.

— Agora vamos falar seriamente. — Droga, modo terapeuta on! — Amy disse que você entrou na casa, Theodor. Que diabos você estava pensando?

O que eu estava pensando? Não é óbvio?

— O que esperava que eu fizesse? Ignorasse? A deixasse a mercê de um bandido?

— Claro que não!. — Diz calmamente. — Esperasse a polícia! A Amy está furiosa, você poderia ter levado um tiro. Sabe como isso a afetaria?

Droga!

Eu não pensei. Mas isso certamente teria sido muito problemático.

— Eu não parei para pensar, Thomas, eu só precisava fazer algo. Eu sei, sinto muito. Vou certificar-me de pedir desculpas a ela.

Thomas, Patrick e Amy estiveram ao meu redor desde muito antes de nos considerarmos gente. Nunca houve aquela coisa de demostrar sentimentos com abraços e declarações. Nós nos apoiamos e isso sempre foi o suficiente. Mas não dá para não sentir medo um pelo outro.

Amy se formou cinco anos atrás na academia de polícia de São Francisco. Ela estava feliz, nós estávamos também, até que chegou aquela noite... O telefone tocou de madrugada e recebemos a noticia que a nossa garota estava no hospital depois de se envolver em um tiroteio. Esse tipo de coisa acaba com uma pessoa.

Tenho certeza que Amy foi levada para esses dias enquanto estávamos na casa. E eu nem mesmo me importei com isso. Estava tão focado em alcançar Diana que me esqueci de Amy.

Nós concordamos que ela trabalharia comigo, após deixar a polícia, porque eu era o mais sossegado de todos. E nós estamos perto há anos. Sempre a considerei da mesma forma que Janet.

Eu deveria, teoricamente, ser o ponto seguro para mantê-la. Foi isso que nós combinamos. Não ela. Amy nunca soube desse nosso acerto. Ela só queria ter uma arma na cintura e prender os caras maus.

Diana se tornou uma parte importante. Meu ponto cego. Eu me importo mais do que deveria. Mais do que me importei com qualquer outra mulher. Thomas está começando a perceber isso e eu, aos poucos, aceitar. Porque não posso apenas dar às costas e fingir que está tudo bem. Como se nunca a tivesse conhecido. Como eu costumava a fazer...

Dessa vez não vai funcionar.

Admito que gostaria de dividir tudo isso com Thomas. Apesar de nossas diferenças e dessa rivalidade que surgiu. Talvez não da parte dele, só da minha. Ele sempre foi o mais próximo e compreensivo. Embora a compreensão possa ser apenas por sua profissão. Mas acredito que ele fosse capaz de me fazer entender essa confusão que Diana causa.

Não estou apaixonado, isso definitivamente não! Mas gosto dela. Demais. E só em imaginar que algo poderia ter acontecido essa noite, é o suficiente para que o controle escape de minhas mãos. E Theodor Blake sem controle, certamente não é algo que Diana apreciaria. Acho que ninguém, na verdade.

Se Thomas não fosse tão insuportavelmente certinho, eu me abriria com ele. Mas... Sua profissão colocou barreiras.

Amy e eu nunca dividimos o problema de Jane e seu ciúme. Não contamos sobre como temos Dia em nossa mira desde então. E tão pouco como me sinto atraído por ela. E não dividimos isso porque ele sempre vai deixar seu lado terapeuta vir à tona em uma conversa de tal porte. É inevitável.

— Acho que é conosco. — Tom diz, me chamando atenção. Ele fica em pé e caminha para as portas da emergência, onde Amy acena para nós.

Me levanto, com a mente confusa e o coração batendo mais forte do que deveria, e vou ao encontro de minha amiga, com esperança de ver Diana.

E não porque estou preocupado. É porque preciso dela.

Notas finais
Então, o capítulo ficou longo, ai fui obrigada a dividir u.u A segunda parte preciso só revisar, mas tenho compromisso agora, mas esperem que durante a semana ela sai ;) Bj bjs