À flor da pele
58 Nós
Notas iniciais
Theodor
Diana arfa quando acaricio suas dobras com meu dedo. Ela estava quase dormindo, enrolada em mim no sofá. Mas, dessa vez, eu é que não quero deixar ir. Dormir não parece ser uma opção muito agradável nesse momento.
– Você gosta disso? — Esfrego meu polegar em seu clitóris e ela pressiona suas coxas com força, prendendo minha mão.
Quando a virei para mim e a aninhei em meu peito, simplesmente podia sentir o calor saindo de suas bochechas. Até poderia ser um cavalheiro e tê-la deixado em paz. Mas há algo sobre essas suas reações que me deixa realmente excitado. Não que eu goste de violência, ou forçado, longe disso. Gosto de carinho, de fazer e receber. Sou o tipo de cara que gosta de dormir abraçado depois do sexo. Mas, simplesmente adoro provocá-la e a ver tentando manter algum controle. O que não consegue... Nunca.
É fofo.
– Não lute contra... — Beijo seu ombro. — Não há nada para se envergonhar, você sabe, certo?
– É mais fácil falar.
Tiro a mão de suas partes e apenas a abraço. Sinto meu hálito de pasta de dente. Como da primeira vez, ela não me deixou beijá-la até que tivesse a boca lavada. Não foi legal subir para fazer isso, está frio hoje. E ela realmente parece apreciar sexo oral, o que torna um problema isso.
– Fale comigo. Como se sente em relação a nós?
Ela fica tensa por um momento. Só relaxa quando começo a fazer círculos em suas costas.
– Eu não tenho certeza.
Não é como se eu quisesse começar a discutir nosso relacionamento agora. Tudo que minhas cabeças, as duas, conseguem pensar é em estar dentro dela. Sou quase um animal essa noite, deixando os instintos me levarem. Mas essa apreensão toda me freia.
Nós conversamos quando estamos juntos. Falamos sobre quase tudo até agora. Menos sexo. Menos como estar comigo a deixa e, por algum motivo, parece-me muito mais importante agora do que eu imaginava.
– Eu te deixo nervosa? Você não gosta do nosso tempo juntos? — Tento soar tranquilo, mas tem uma parte de mim que espera ansioso pela resposta e se zanga em imaginar que ela dirá algo negativo.
Meus dias com Diana são fantásticos. Passei tempo demais apenas observando e desejando, agora que posso tocar, só não parece o suficiente. Preciso de mais. Irrita um pouco pensar que somente eu me sinto dessa forma. O que provavelmente é o que acontece. Tive muito tempo para me apegar a ela. Diana nem tanto.
– Eu gosto de estar com você, Theo. — Finalmente diz. Mas tem o rosto baixo, não me encara. — Mas é tudo novo para mim. Eu não posso deixar de me sentir insegura quando não faço ideia do que estou fazendo.
– É novo para mim também. — Confesso.
Um risinho baixo escapa dela.
– Você era virgem também? — Me pergunta, bem-humorada. Sinto-a relaxar por um momento.
– Espertinha! Eu não me referia ao lado sexual da questão. Esse você pode totalmente deixar em minhas mãos. Eu estava falando sobre nosso relacionamento. Essa coisa de namorar...
– Oh...
Sua reação me cala. Será que ela não quer um relacionamento? Eu supus que estávamos em um, mas nunca perguntei realmente.
– Isso é um namoro, então? — Sua voz falha quando pergunta. Está nervosa de novo. Tensa.
– Eu não deixei isso claro em Bora Bora?
Ela se afasta, deitando de barriga para baixo entre o encosto do sofá e eu. Apoia os cotovelos no estofado e então apoia seu queixo nas mãos. Finalmente me olha nos olhos e quem cora, dessa vez, sou eu. Maldita mulher que me bagunça todo!
– Você também disse que estávamos juntos há quatro meses, e isso não é verdade.
Acaricio seu cabelo, colocando uma mecha rebelde atrás da orelha.
– Eu me sinto ligado a você desde que coloquei meus olhos sobre essa bunda bonita. Quatro meses atrás. — Seis, na verdade. Mas é melhor manter as coisas o mais simples possível nesse momento. Não quero assustá-la. — E preciso dizer, foram quatro meses sem transar.
Ela se surpreende com minha confissão. Seu rosto confuso é uma gracinha também.
– Está dizendo que parou de fazer sexo quando me conheceu?
– É exatamente o que eu estou dizendo.
Seus olhos parecem mais claros. Há algo ali que ilumina, uma emoção que desconheço. E as bochechas coradas.
– Isso é insano, Theo... — As palavras saem pesadas de sua boca. — Por que fez isso?
Insano, para mim, é chegar aos 25 sem nunca ter feito nada... Mas tudo bem, vou deixar isso de lado. Até mesmo porque, admito, me sinto um pouco orgulhoso de ser o único a tê-la tocado.
– Nenhuma mulher parecia boa o suficiente depois que te conheci.
Ela não parece convencida. Parece confusa, na verdade. Eu deveria ter ficado quieto. Diana não aceitaria minhas palavras como algo romântico, eu já deveria saber disso. Ela pensa muito, analisa demais. O tempo todo. E isso é uma droga algumas vezes.
– E se eu não tivesse gostado de você? Só nos aproximamos pelas brincadeiras bobas do Ty. E se ele tivesse ficado quieto?
Não disse... Analisa demais.
– Eu teria encontrado um jeito de fazer meu caminho até você, Diana. — Isso soa como uma ameaça. Mas é a pura verdade. O convite para a festa era meu primeiro passo. Ty se meteu antes que o dia chegasse e isso ajudou muito. Fato. Mas eu não precisava dele. — Com ou sem Tyler, eu tenho certeza que estaríamos aqui agora. Nesse exato momento e dessa exata forma.
– Isso é um pouco presunçoso, não acha? — Ela sorri.
De volta ao jogo!
– Não!
Aprisiona o lábio inferior entre os dentes e quando o solta para falar faz um leve biquinho.
Adoro cada detalhe dessa mulher.
– Então, nós somos... — Parece ter desistido das malditas análises.
– Namorados. Amantes. O que você achar melhor. Mas, definitivamente, estamos juntos.
Me passa pela cabeça em deixar claro que seremos exclusivos também, mas isso provavelmente a chatearia. Diana não me parece ser o tipo de pessoa que pensaria em estar com outra pessoa quando em um relacionamento. Ainda mais o nosso, que é tão... Intenso. Se eu tocar nesse assunto, ela certamente pensaria que é algo que eu faço, ser infiel. E isso certamente só traria dúvidas para essa cabecinha. Sendo assim, apenas sorrio, feliz que tenhamos acertado tudo.
– Namorados então... — Diz incerta.
Gosto como soa em sua boca.
– Mas acho que precisamos nos conhecer melhor.
– Eu já te conheço. — A interrompo e me arrependo.
Conheço Diana. Muito bem, aliás. Mas não acho que ela vá aprovar a profundidade do meu conhecimento. Não nesse momento em que estamos.
– Conheço o suficiente. — Me corrijo. — Mas, sim, eu gostaria de saber mais. E conhecer sua família.
Não sei o porquê digo isso. Conhecer a família de uma garota é assumir algo bem grande. Mas acho que tenho um pouco de curiosidade a respeito de seus pais. E especialmente do sobrinho que tem toda sua atenção. Até um pouco de ciúmes...
Ela será uma mãe adorável.
Ok... Volte, Theodor! Zona desconhecida e perigosa essa!
– Me fale sobre sua avó. — Ela pede.
– Minha avó... Não acho que palavras seriam o suficiente para descrever. Tenho uma ideia melhor... — A coisa começa a tomar forma em minha mente e eu sei que não devo deixá-la sair. Mas há uma parte de mim que quer exatamente isso. — Vamos almoçar com ela essa semana, então você pode tirar suas próprias conclusões.
– Oh... — Ela está surpresa. Não esperava por isso. E nem eu, para ser sincero.
– Você já combinou...
– Não, mas sempre a vejo uma vez por semana. — É certo que ela está tensa agora. Envergonhada e temerosa. E não consigo compreender ainda, como eu consigo estragar as coisas assim? Será que estou sendo rápido demais e pressionando-a? Será que é algo com ela?
Mulheres! Por que tão difíceis? Depois não entendem porque os homens decidem apenas pegar sem se apegar. É tão... Irritante! Por que não podem apenas dizer o que pensam e colocar as cartas na mesa? Por que não ser mais... Homem?
Deixo um riso escapar e ela me olha, curiosa.
Talvez seja o fato de serem tão complicadas que as torne tão interessantes.
Oh bicho complicado!
– Eu gostaria de conhecer sua avó. — Ela diz por fim.
Diana
Namorar? Conhecer a minha família? Apresentar a dele?
É tudo extremamente rápido. Deixa-me em pânico. Especialmente o fato de eu concordar com cada coisa que saiu de sua boca.
Eu devo estar maluca! É o momento que tivemos, está nublando minha mente. Tem que ser isso. Por qual outro motivo eu aceitaria essas coisas?
E se for piada? Bem, Theo não faria isso. Mas é tão inesperado...
A campainha toca e ele se levanta, beijando meus lábios antes de se enrolar no roupão e deixar a sala.
Enterro meu rosto na coberta, totalmente desconcertada.
Desacelera, Diana!– Me ordeno, mas o que posso fazer agora? Eu já disse sim para tudo.
Acho que me senti obrigada depois de sua revelação. Quatro meses sem sexo...
Isso não é nada para mim. Mas vendo o quão faminto e desesperado ele me toca, só me faz pensar que para ele, o cara que estava em cada capa de revista com uma modelo diferente, foi um esforço e tanto a ser feito.
O que me magoa ao mesmo tempo. É tão estranho sentir ciúmes de uma fase de sua vida em que nem nos conhecíamos. Mas eu sinto.
– A pizza chegou! — Theo aparece na sala, com uma caixa grande na mão.
Percebo que estou faminta e deixo minhas dúvidas guardadas por enquanto. De barriga vazia a cabeça não pensa direito.
***
Eu sonhei que estava em casa. E então um homem de capuz estava lá também. Mas o homem de capuz tinha rosto. Theo. E eu o queria lá. Invés de me bater na escada, nós fizemos outras coisas ali. Eu acordei então, suada, ansiosa e um pouco assustada também.
Não tinha pensado no que aconteceu em casa ainda e certamente não pretendia despertar no meio da noite para isso. Mas aqui estou eu. Olhando para o nada, com Theo ao meu lado, ressonando baixinho em seu sono pesado.
Nós dormimos no sofá, que eu descobri ser retrátil e ganhou alguns bons centímetros quando Theo puxou o assento. Não é desconfortável. É bom, acolhedor, e devo dizer, me sinto protegida aqui. Mas a realidade é que tudo está uma bagunça e quando amanhecer, eu terei que arrumar tudo. Voltar para casa, lidar com os danos feitos, lidar com minhas mais novas escolhas. Lidar com Tyler, talvez...
Se bem que, o conhecendo bem, ele não vai dar às caras até que eu o procure. É orgulhoso demais. Mas eu também sou e não esqueci, nem por um minuto, esse joguinho estúpido que ele fez para me tirar da jogada. Não se faz isso com os amigos.
Theodor se mexe ao meu lado, apertando seu braço a redor da minha cintura.
Não faço ideia de como essa coisa de namoro vai funcionar. Já tive relacionamentos, mas nenhum deles tinha sexo envolvido. E agora nós... Dormimos na casa um do outro? Transamos duas vezes por semana? Mais? Não faço ideia de como fazer isso acontecer. Mas não posso dizer que há apenas dúvidas. Me sinto feliz também, ansiosa por não saber o que esperar, mas também por querer saber qual será o próximo passo. Não por medo, porque desejo isso, ter alguém com quem compartilhar alguma coisa.
É bobo, de certa forma. É um desejo tão egoísta, talvez. Mas eu não quero mais ficar sozinha. Eu gosto desse eu de agora. Não mais Diana. Theo e Diana... Soa muito bem para mim.
– Theodor e Diana.– Sussurro entre um sorriso bobo.
Espero que dure.
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