À flor da pele

39 Insegurança


Notas iniciais
Oie, quanto tempo, vocês sumiram... XD Como to sumida faz tempo, nem vou enrolar, então, BOA LEITURA!!

Theodor

Diana corre distraída. Ela está chateada. Eu estou chateado.

Quero perguntar por que tem o cartão do Thomas. Aliás, tinha. Eu o amassei e joguei no lixo.

Isso já é demais. O cara tem uma filha, uma ex-paranoica, mas que não nega sexo, tem lá as amiguinhas de Theresa que o cercam, então, por que ele precisa estar afim justamente da Diana agora? Já não tem demais? Aposto que tem dedo do Tyler. Eu o vi a levando até Tom na festa de sábado.

Será que ela gostou dele?

Ao inferno toda essa maldita insegurança que me ronda!

Desde quando eu ligo para isso? É só uma mulher, droga! Minha mulher!

Antigamente isso não seria algo importante. Thomas, Patrick e eu sempre tivemos gostos semelhantes. Até mesmo já ficamos com as mesmas mulheres. Isso nunca foi importante. Mas agora... Não quero dividir. Não quero que eles pensem nela como mais uma.

Diana não é só mais uma. Não vai entrar para a listinha de ninguém.

O que estou pensando? Não quero um relacionamento. Só uma amizade. Colorida.

Isso não a torna parte da minha lista?

De certa forma Isso não seria usá-la, eu acho. Não quero transar com Diana e seguir em frente. Realmente a quero como minha amiga. Gosto de conversar com ela. Sua companhia é divertida e relaxante.

– Não aguento mais! — Ela diz e fica para trás.

Paro e volto, a encontrando a poucos metros, inclinada com as mãos nos joelhos, ofegante. Acho que corremos o buraco 17 e 18 duas vezes. E isso é bastante. Cada buraco tem uma área bem grande em volta.

– Você está bem? — Pergunto, notando estar tão ofegante quanto ela. Será que só demos duas voltas mesmo?

Ela ergue uma das mãos, me pedindo para esperar por um momento. Então se deixa cair sentada na grama, ainda úmida pela chuva da manhã.

– Eu acabei com você. — Me sento ao lado dela e me concentro em respirar e sentir a corrente de ar em meu rosto quente.

– Agora entendo... — Ela interrompe as palavras para puxar o ar. — Você não esquece do seu dia estressante com a corrida, Theo, você se cansa o bastante para não conseguir pensar em nada mais que ir para a cama.

Diana se deita na grama e fica quieta, olhando para o céu, cheio de nuvens carregadas, que promete mais chuva pela frente.

Me inclino sobre ela, usando uma mão para me manter sentado. Sou rosto é iluminado por todas as luzes altas do campo e posso ver nitidamente as bochechas coradas, mas dessa vez acho que é pelo esforço feito.

– Me animei demais. — Dou de ombros. — Pelo menos não vai ter que se preocupar com os problemas.

– Definitivamente, não! Estou tão cansada que penso seriamente em dormir aqui mesmo! — Ela sorri.

Será que ela tem ligado para Thomas? Será que se sentiu atraída por ele? Eu quero sorrir, me soltar e relaxar com ela, mas estou curioso, e temeroso, a respeito disso. No entanto, se me atrever a perguntar, ela pode se sentir ofendida se não for o caso.

– Estou deitada em um lugar sujo, onde dezenas, talvez centenas, de pessoas passaram com seus sapatos imundos, certo?

Estudo seu rosto contorcido e acabo por sorrir. Deve ser bizarro o fato de achar bonitinho esse seu lado paranoico.

– Pelo menos choveu, pense que isso limpou a grama. Embora eu não ache... Deve ter só espalhado mais a sujeira!

– Oh, deus, Theo! Eu preciso de um banho! — Diz cheia de energia, mas não se move nem um centímetro. O que me faz lhe oferecer meu olhar mais cínico.

– Estou vendo, Dia! — Me inclino mais, tentando alcançar seu rosto. Acabo por dobrar o braço e apoiar o cotovelo na grama. Fico nariz a nariz com ela. Me preparo para beijá-la, mas ela me surpreende ao levantar um pouco a cabeça e alcançar minha boca.

É o segundo beijo que Diana começa. O primeiro foi o meu presente de aniversário e sonhei em repeti-lo a noite toda após nos despedirmos. Ponderei até mesmo em ir à sua casa depois.

Decido que gosto que ela tome a iniciativa. Mas o fato de não aprofundar o beijo e me deixar encontrar sua língua com a minha, me chateia.

Ela se afasta rápido demais e estou pronto a capturar sua boca mais uma vez. Só que ela deixa um dedo sobre meus lábios, me impedindo.

– Obrigada. — Me diz, com sua voz doce e suave. — Eu precisava disso.

Sorrio e abro os lábios, tento capturar seu dedo entre eles, mas ela o afasta.

– Precisava de um beijo? Eu posso te dar vários outros... — Uso minha mão livre para segurar em sua cintura. Acaricio o tecido da blusa, o erguendo com o dedo, até alcançar a camiseta, então faço o mesmo com a segunda camada de pano. Quando meu dedo toca sua pele, ela arfa e fecha os olhos por um momento.

– Devemos ir...

– Adiante? — Pergunto, relaxado pelo momento.

– Embora! — Ela sorri.

– Estou tão cansado, não acho que possa me mexer agora.

– A grama está molhada... — E está mesmo. Sinto o tecido da minha roupa ser molhado pouco a pouco. — Eu posso pegar uma gripe, sabia?

– É, você pode... — Está tarde e frio e embora estamos aquecidos pela corrida, ela já tomou chuva hoje. Ficar exposta aqui fora só fara mais mal. — Diana... — Ela me olha surpresa. Provavelmente por usar seu nome e não o apelido. — Você não deveria correr na chuva, sabia? Isso faz mal para a saúde.

Ela cora e desvia o olhar, vira o rosto para o lado oposto a que estou.

– Você estava lá então...– Sussurra.

Me aproximo do pescoço em evidência e passo os lábios ali.

– Não.– Sussurro em sua pele, sinto seu corpo ficar tenso e um leve gemido escapar de sua boca. Adoro essas suas reações. São tão espontâneas e sinceras. — Tive uma reunião de manhã, saí bem cedo. Baltazar comentou que te viu quando cheguei. — Minto. Acho que ela se sentirá menos envergonhada em pensar que foi ele do que a Amy. Eu não sei... Acho que Diana não está totalmente convencida de que minha amiga e eu não temos nada. O que é um pouco ofensivo. Eu lhe dei a minha palavra, o que mais ela quer?

Será por isso que ela anda ligando para Thomas? Uma espécie de retaliação?

Ela continua a olhar para o lado oposto, mas sua mão sobe para cima da minha que está em sua cintura, entrelaçando nossos dedos e me impedindo de continuar acariciando sua pele.

– Eu me sinto mal se não correr pela manhã. — Ela justifica.

Eu acredito em sua palavra, me sinto péssimo se pular o tempo dos exercícios, fico cansado, mais do que se tivesse os feito, e é como se o dia não rendesse. Mas, eu não acho que ela está sendo sincera. Ao menos espero que não.

Diana poderia ter continuado com seu trajeto antigo, o que não parava em frente ao prédio que moro. Mas ela não o faz.

– Mas na próxima vez que o céu estiver ameaçando cair sobre nossas cabeças, você pode simplesmente fazer alongamentos em casa. Ou ir para meu apartamento, tem uma sala de ginástica... Eu posso pensar em muitos tipos de exercícios para não te deixar parada. Em dupla, inclusive. E sem roupas.

Então ela finalmente me olha. Os olhos escuros arregalados e a face corada.

– Meus deus, Theo! Você só pensa nisso?

– Em fazer exercícios? Não, eu gosto de namorar também. E comer.

Ela sorri e tenta esconder isso virando o rosto, mas é tarde demais. Começo a rir e ela me acompanha.

O que eu posso dizer? Eu sou um homem! Um cavalheiro na maior parte do tempo. Pelo menos tento ser. Mas, tenho necessidades. Desejos. Chega uma hora que é difícil manter tudo isso sob controle. Começa a escapar dessa forma, com malícia através das palavras. E depois... Quem sabe...

Diana me encanta de diversas formas. Sexualmente é a principal. Não vou mentir. Estou louco para ter essa mulher. E acredito que em grande parte do tempo, o sentimento seja mútuo.

– Temos que voltar. Estou molhada. Vou começar a congelar...

– Molhada? - Isso é uma dica?

Ela sorri e revira os olhos.

– Da grama, Theo! Está úmida. Não te molhou?

Concordo, incapaz de falar qualquer coisa decente se abrir a boca. Então me calo.

Planto um beijo em sua testa e me levanto, estendendo a mão para ela, que prontamente aceita.

Quando estamos ambos em pé, passo meu braço em volta de sua cintura, sentindo, de fato, a roupa molhada. Não devo estar muito diferente, sinto a brisa fria deixando o ponto que tocou na grama mais gelado.

– Me conte sobre o ego responsável pelo lugar.

Ela me surpreende ao tocar nesse tema.

Eu não gosto de falar sobre minha família bagunçada e o assunto proposto vai justamente por esse caminho. E não é como se ela já não soubesse. Minha vida pessoal já estampou várias revistas e jornais.

– Você já sabe tudo que precisa saber. — Digo e dou de ombros.

– Não entendi. — Diz e me encara, enquanto a conduzo para o carrinho de golfe. — Você não quer falar, é isso? Vai fazer o papel de "homem misterioso"?

Reviro os olhos pelo comentário bobo. Se tem algo que eu não poderia ser é esse tal "homem misterioso". Não quando a minha vida está na internet para qualquer um consultar.

– Os jornais, as revistas, a TV... Tudo isso sempre deixou claro.

Ela fica quieta, pensativa.

Alcançamos o carro e a solto para se acomodar. Me sento ao seu lado e ligo o carrinho. O silêncio que se forma chega a ser desconfortável.

– Eu não vejo TV com frequência e se vejo, são filmes. Quase não leio jornais. E as únicas revistas que acompanho são de decoração. Então... Eu não entendo.

Suspiro.

É agoniante isso. Repetir toda a merda.

– Deixemos esse tema para outro dia. — Sorrio para ela, mas não a convenço, aparentemente.

– Você só precisa dizer que não quer falar sobre isso. Eu não sou uma criança, sabe?

Apesar das palavras, ela não parece chateada. Eu diria que compreensiva seria o certo para descrevê-la nesse momento. E isso aquieta meus desejos sexuais. Me faz lembrar do porquê gosto tanto de sua companhia.

– Esse lugar pertence a um ex-amigo do meu pai. — Ela não diz nada. Apenas escuta. Não sei se quero falar mais. Esse é um tema que me chateia. Mas tento. Empurro para não decepcioná-la. — Atual ex-da minha mãe...

– Oh... — Ela começa a compreender... Torço para que fique nisso. Que ela decida que eu posso parar por agora.

Mas não.

– Então eles são ex-amigos pelo casamento do amigo com a ex? Nossa, é confuso pôr em palavras! — Sorri, levando a situação de uma forma tranquila e cômica.

– É isso! Meu pai me deu a casa e o terreno em volta foi comprado como uma provocação. — Dou de ombros. — Para algumas pessoas o tal do “quem pode mais” é algo que engrandece a alma...

Diana descansa o rosto no encosto enquanto me encara.

– Vocês se dão bem?

– Meu pai e eu?

– Sim. E o ex-amigo dele.

Quando penso sobre isso, percebo que a resposta é mais complexa do que esperava.

– Bem com o ex-amigo. Nem tanto com o pai.

– Sinto muito. — Oferece gentilmente. — Minha mãe e eu temos lá nossos problemas também. Ela se casou com um... Quase amigo do meu pai também. Mas nunca houve essa coisa de quem pode mais. Acho que o amor entre ela e o papai acabou e era... A coisa certa.

Não gosto de falar sobre o passado, isso me deprime. Mas ouvir sobre ela e sua vida é como encontrar o baú do tesouro. E você sabe que quando abri-lo vai encontrar coisas preciosas.

Quero saber mais sobre ela. Quero saber tudo.

– Quantos anos tinha quando eles se separaram?

Ela não responde de imediato e acho que cutuquei uma ferida.

– Eu tinha acabado de completar 15. Não foi algo traumático realmente. — A olho por um momento, ela dá de ombros e coloca um sorriso nos lábios. Sorriso falso, que tenta esconder o quanto suas palavras lhe chateiam. — Eles brigavam bastante, e ainda brigam, mas era uma briga diferente. Não do tipo que marido e mulher têm. Eles eram amigos, apesar de tudo. Não concordavam em discordar e daí saia tanta farpa, mas se apoiaram em todos os momentos que foi preciso.

– Entendo. — Mentira. Não entendo. Que tipo de relação eles tinham? Não parece como se fossem um casal realmente. No entanto, sou só um telespectador de uma lembrança de Diana. Uma que possivelmente está bem maquiada.

Parece que não fui o único a ser negligenciado quando mais novo.

– Como sua irmã lidou?

– Muito bem. — Ela suspira. — Ela tinha 12 anos, não ligava realmente para o que acontecia em casa. Mas quando as coisas ficaram feias, ela simplesmente disse que ficaria com o papai. E ficou. E até hoje ela vive com ele.

Sinto uma pitada de rancor em sua voz.

– E você com sua mãe?

Ela concorda, mas não me oferece mais.

– Quantos anos você tinha quando aconteceu com você? Jane lidou bem?

E agora ela é que acabou de colocar o dedo na minha ferida.

– Ah... Ela não tinha nascido ainda. Minha mãe estava grávida, na verdade.

– Oh... — Ela não esconde a surpresa. — Ele não queria outro filho...

Tento relaxar, mas é impossível.

– Ele não queria um filho que não era dele.

Dou uma olhada para ela e vejo quando o reconhecimento cruza seus olhos.

– Oh, meu deus! — Não esconde a surpresa e ainda leva a mão à boca. — O ex-amigo foi genial! — A olho sem entender o comentário. — Troia! — Ela ri e então volta a tampar a boca com a mão. — Desculpa. Não queria rir.

– Tudo bem. Se não rir serei obrigado a chorar, vamos concordar que é uma puta situação.

Meu pai quis acabar com o pai de Jane. Especialmente quando criou o clube alguns anos depois. Houve processos e mais processos. Um tentando levar o outro a falência. Isso foi quando eu decidi dar abrigo ao pai da minha irmã em minha casa. O que me colocou bem no meio do campo de batalha.

– Obrigada por me contar.

Concordo, sem desviar os olhos da pequena rua construída em volta do campo.

– Você joga? — Ela muda drasticamente de assunto.

Nego.

– A única coisa que sei sobre o esporte, é que é preciso enfiar a bola no buraco em menos jogadas. E isso é tudo.

– Até eu sei disso! — Como não rir? Me sinto relaxar aos poucos.

– Você não gosta de esportes? — Pergunto.

– Sim, de corridas. Gosto de assistir à maratonas, mas só isso. Meu pai nunca foi um homem de muitos esportes. Era mais um intelectual, apaixonado pelos livros, músicas antigas e grandes nomes do cinema do passado. Nunca tive que passar fins de semana assistindo programas esportivos, isso me fez uma ignorante para o assunto. Mas você tem cara de que gosta de futebol. — Ela chuta. — Acertei?

Sorrio e então nego.

– Nem um pouco. Basebol! É o único esporte que me leva àquele estado insano de homem viciado, em que uma linda mulher de biquíni pode ser ignorada facilmente.

Ela ri com gosto e soa como música para meus ouvidos. Eu poderia ficar horas a ouvindo fazer isso.

– Deixando a linda mulher de biquíni de lado, isso é como golfe fora do chão? Há um taco também, certo?

– Um bastão e você só pode estar brincando. Já deve ter visto alguma coisa nos tempos de escola. Todo colégio tem um time hoje em dia. Você tem que conhecer alguma coisa. Pelo menos os jogadores bonitões que toda mulher adora suspirar.

Desvio o olhar do caminho para olhá-la por um momento. Ela está sorrindo.

– Te peguei, não foi?

E a gargalhada gostosa soa novamente.

– Bem... Tem outdoors por aí com propagandas de tudo e eu não sou cega. Mas não posso nomear ninguém e muito menos afirmar se é modelo, jogador, ou qualquer outra coisa.

– Está me dizendo que nem mesmo jornal lê?

Estou impressionado. Deve ser tudo mentira! Ela é uma mulher, por favor! Deve ter assinatura de alguma revista de fofocas. Me recuso acreditar que uma mulher desinteressada na vida alheia exista. Pelo menos a vida dos famosos. Até mesmo eu leio algo de vez em quando.

– Eu leio, Theo, não sou ignorante! — Diz com uma nota de humor presente. — Mas prefiro ler sobre política e artes. O que está acontecendo no mundo a fora e não sobre a vida dos outros.

Chego ao lugar que peguei o carro, me dirijo para a vaga que estava antes. Não vejo Vincent pelo caminho.

– Você gostaria de beber algo? — Ofereço quando finalmente paro.

Ela olha em direção a construção principal, onde há o bar e restaurante. Então me encara e nega.

– Sinto-me desconfortável com essa roupa molhada.

Concordo e desço do carro.

Uma das coisas que gosto em Diana é o fato dela me deixar ser cavalheiro. Ela não desce do carro por conta. Pelo menos não comigo. Me dá a oportunidade de abrir a porta e tocar em sua mão ao ajudá-la a sair. Realmente gosto disso.

Na adolescência eu até tentei ser assim com Amy, mas ela não apenas saia sem me dar oportunidade de ajudá-la, como ainda batia a porta e tinha a mania feia de se sentar no capô. O detalhe sobre essa coisa de sentar onde não deveria, é que quando mais nova, ela não era alta como hoje. Então, ela se apoiava no capô e saltava, pressionando demais a lataria e sempre causando algum dano. E coitado de quem reclamasse...

Quando Diana está em pé em minha frente, fico a encarando por um momento. A corrida a deixou corada. Ou a conversa que tivemos. Seja qual for o motivo, a deixou linda. Eu já disse que adoro suas bochechas coradas? É, eu adoro!

Levanto a mão e acaricio sua bochecha.

– Casa? — Pergunto, meio perdido em seu rosto. Nos traços delicados e muito femininos. Ela tem uma boca tão bonita...

– Por favor...

Suspiro, não querendo me afastar, mas me obrigo.

Andamos de mãos dadas até o estacionamento. Vejo vários rostos conhecidos pelo caminho, mas não paro para cumprimentar. Não gosto das pessoas que frequentam o clube. São, em sua maioria, esnobes encrenqueiros. Já os funcionários, me dou bem com todos e indiquei muitos deles. Trabalhei com alguns também. Conheci muitas pessoas ao longo dos anos. Especialmente quando decidi me afastar do meu pai e viver minha vida sem suas amarras.

Abro a porta do passageiro, do carro de Diana, e espero que entre antes de fechar. Quando vou para o lado do motorista, a vejo inclinar o banco para trás um pouco e se acomodar. Vai dormir cedo hoje e muito profundamente, pelo jeito. O que não parece muito atrativo para mim.

– Então, está com fome? — Pergunto.

– Muita! Mas preciso de um banho antes de poder pensar em qualquer outra coisa.

Dirijo o carro para fora do clube e pego a estrada que vai para a avenida principal.

– Bem, você pode ter seu banho e eu farei o jantar.

O riso forte e alto me contagia.

– Você não vai cozinhar, de jeito nenhum, Theo!

Deixo minha mão livre sobre sua coxa e acaricio levemente.

– Mas agora tenho um livro de receitas. Um bem sugestivo. Quero testá-lo, sabe?

– Podemos apenas pedir uma pizza. Acho que merecemos um pouco de gordura depois dessa corrida. Então você pode deixar seu livro de receitas para outra ocasião.

Pizza? Desvio o olhar do caminho para encará-la por um instante.

– Você come pizza? — Volto a olhar para a frente.

– Não frequentemente, mas sim.

Isso definitivamente é algo a se pensar.

– Ótimo, vamos de pizza, então! — Tento disfarçar meu espanto.

Tessa não come pizza. Ela não come nada que seja preparado fora de sua vista. Na verdade, ela prefere preparar sua comida. Ter certeza que não tenha nenhuma sujeira...

Diana não tem TOC, isso eu estou certo agora. Não só pela pizza. A noite foi uma prova e tanto.

Vince a beijando na bochecha foi o começo. Eu esperei quatro meses para tocar além de sua mão. O primeiro beijo na bochecha foi apenas há semanas atrás. E o cara chega a tocando e babando em seu rosto. Tessa teria tido algum ataque. Aliás, ela teve quando o viu pela primeira vez. Não é à toa que ela não pisa mais aqui.

Depois foi a grama. Apesar de suas palavras deixarem claro que ela estava consciente e até desconfortável, se manteve calma e foi uma excelente companhia. E agora isso.

O que é ótimo, de verdade. Namorar uma mulher com TOC já foi o bastante. Quer dizer, estava bem com Diana, supostamente, tendo isso também, mas ela não ter... Nossa! Que alivio! No entanto, as semelhanças com Tessa estão lá. Mesmo que sutis. O que me faz questionar: Se Diana não tem TOC, o que há com ela?

Notas finais
Né, o que há com ela então? U.u *********** Eu não lembro se falei aqui antes, ou só no face, mas agora Diana e Theo estão no Widbook (Que é formado de livro e eu acho tãoooo bonitinho) e no Wattpad. Deixei link no meu perfil e também do meu face, quem quiser me add para bater papo, manda ver o/ *********** Desculpem a demora, é que é mês de férias e eu tô com visita e preciso dar atenção néee, mas estou tentando adiantar um pouco todo dia antes de dormir