À flor da pele

63 Escolhendo as batalhas


Notas iniciais
Voltei u.u Capítulo difícil de fechar esse, hein! Sem mais, boa leitura!

Theodor

Eu sou um homem em uma missão.

Nada pode me parar. Nem mesmo a vontade de ter passado a manhã com Diana. Cuidar dela está no topo da minha lista de prioridades nesse momento. Por esse motivo, engulo o orgulho e entro no último lugar que gostaria de estar. A sala do Tyler.

O maldito está uma bagunça, quase me convence de que está mal pelo que aconteceu ontem. Seu cabelo estúpido sempre foi um medidor de humor. Seu topete, geralmente pomposo, está desfeito e seus cachos rebeldes tomam conta de sua cabeça. Ele usa jeans, que certamente teve tempos melhores antes, e um suéter verde. Parece que ele apenas vestiu a primeira coisa que sua mão tocou.

– De saída? — Pergunto do batente da porta. Ele me olha confuso. Então fecha a cara.

– Você veio para quê? Quer jogar na minha cara que eu fiz merda? — Ataca, evidenciando a culpa que o cerca. Essa é a forma de Tyler se defender, atacar e machucar antes que façam com ele.

É uma pena que ele ainda não tenha percebido que agir dessa forma é que causa certos danos...

Ele sai de sua cadeira circula a mesa e para em minha frente, alguns metros de distância.

– Ou será que veio para rir. Para admitir que só queria me acertar?

Respiro fundo. Isso vai ser ótimo...

– Primeiro de tudo, rezo para que Diana te exclua da vida dela. É o mínimo que merece por agir feito criança. Mas não, não vim aqui para isso.

Eu entendo que passo uma má impressão para quem me conhece. Admito que meu comportamento durante os anos passados não ajudou a manter uma boa imagem. Mas convenhamos que, ser acusado de me aproveitar de Diana para arruiná-lo é... Baixo demais. Se fosse em outros tempos, talvez. Agora? Não mesmo! Não sirvo mais para isso e com certeza não contra ela. E Tyler tem visto esse meu lado calmo nos últimos meses, não sei o porquê está todo armado de repente.

Não tenho sido nada menos que amigável e tranquilo com ele.

– Eu vim para fazer uma pergunta, sobre algo que surgiu ontem.

– Imagino que seja muito importante para tirar o poderoso Theodor de seu castelo.

Reviro os olhos. Tyler normal é um saco. Tyler achando que consegue ser sério e soar ameaçador... Pior ainda. Ele definitivamente não combina com o papel. Sem contar que fala, fala, e não diz nada.

– Diana te deixou depois das revelações? — Ele pergunta, todo venenoso, mas eu já o conheço. Não perco o brilho dos seus olhos, a mágoa que ele sabe que causou a ela e que o está corroendo. Ele não quer realmente saber se ela foi embora, mas sim como ela ficou depois que eu o coloquei para fora.

– Imagino que não ligou para ela se não sabe a resposta.

Ele ergue a sobrancelha e cruza os braços, tentando me fazer ter medo. Só alguém que não o conhece cairia nessa intimidação de araque.

– Não... Ainda. Minha manhã foi movimentada, farei isso em breve. — Tenta disfarçar.

– Você conhece Diana há alguns anos. — Decido por ir direto ao ponto. Quanto menos tempo ficar aqui, melhor. — Ambos já citaram isso. — Me afasto dele e dou a volta em sua mesa, me sentando em seu lugar. Seus olhos brilham de ódio. E não é pela Diana e toda confusão. É só o lado territorial dele falando mais alto. Porém, fico realmente admirado quando ele não diz nada sobre isso, apenas se senta na cadeira a minha frente.

– Será que você conhece a família dela? — Continuo.

Ele me enerva. Cada vez que olho para ele, me lembro do meu pai me ridicularizando em sua frente. É engraçado que no fim, o garoto de ouro dele não passa de um pedaço de merda dramática, saindo com a garota que ele se divertiu atormentando quando ela era mais nova. E eu, o renegado, sou a única coisa que impede sua empresa de ser desmantelada e vendida aos pedaços.

Como o mundo dá voltas...

– Eu os conheço... Não me diga... — Seus lábios se abrem em espanto e seu rosto ganha uma expressão de puro horror. — Vai pedi-la em casamento?

Dessa vez a surpresa é toda minha.

– Desacelera, Tyler.

Falei como Diana. Será que é assim que ela se sente quando diz que as coisas estão muito rápidas? Ansiosa, insegura e assustada?

Eu nunca pensei em me casar realmente. Não sou contra. Mas acho que é preciso um bom motivo para fazer uma merda dessas. Embora, me manter bem amarrado a Dia não pareça uma má ideia.

Desacelera, Theo!

Nós conversamos ontem, depois que você, gentilmente, me fodeu na frente dela.

Ele deixa os lábios se curvarem por um momento, em um pequeno sorriso de canto, então fica sério de novo.

– Contei algumas coisas...

– Contou sobre as outras mulheres do Robert também? — Ele me corta. — Porque não foi só uma. Será que contou o que roubou dele? Ou...

– Chega, Tyler! Não é nenhum de seus negócios!

E eu não contei, e nem pretendo. Eu fiz merda. Uma tonelada, na verdade. Mas, eu era um garoto. Um garoto magoado e cheio de raiva. Mas agora mudei, será que isso não conta para alguma coisa?

– O caso, Tyler, é que no meio da conversa, ela pode ter insinuado algo que não posso deixar de lado simplesmente.

– Nós não transamos! — Ele se defende prontamente. Isso leva muito de mim para não lhe dar um soco.

– Não vou nem perguntar o que te fez pensar que foi isso.

– Prossiga. — Ele diz, me irritando ainda mais. Não posso nem imaginar o que Jane viu nesse cara.

– Você sabe se Diana sofreu algum tipo de abuso em casa?

Ele congela. Me confirma o que eu queria que fosse um engano.

– O que ela te disse?

– Inferno, Tyler, só desembucha!

– Isso não é um dos meus negócios também, Theo. Eu não posso contar coisas que ela não se sente à vontade para te falar. E a julgar por você ter vindo até aqui me perguntar, ela não te contou.

Fecho os olhos e solto o ar. Estou irritado. Esse merda nunca consegue ser útil.

– Eu vi Amy na frente do meu trabalho algumas vezes nos últimos meses. O que sabe sobre isso?

Esperto! Mudou de assunto, e justo para um que me encrenca.

Tyler é cheio de defeito. Uma tonelada deles. Mas ele gosta da Diana e não consigo imaginar como ele iria reagir se soubesse que eu tenho mantido um olho nela nos últimos meses.

– Eu não sou o dono dela, não sei onde ela está quando não comigo. E não estou lembrado de ir ao seu trabalho. Aliás... — Me faço de confuso — Tem uma ocasião, quando você me pediu carona.

Ele morde o lábio. Quase me lembra Diana. Talvez seja uma mania que pegaram um do outro depois de anos de convívio.

– Você gosta dela? — Pergunta-me.

– Sim. — Será que ele acha que eu fico com qualquer rabo de saia que apareça? Ok, admito, eu ficava... Mas não agora!

– Por quê?

– É uma pergunta boba. — Sorrio para ele. — Você a conhece, sabe que existe muitos motivos.

Ele sorri timidamente, mostrando que aprovou minha resposta.

Não que isso importe.

– Vocês estão transando?

– Não é da sua conta.

Ele estreita os olhos.

– Não é da sua conta. — Repito.

– Bem... Eu me importo com ela, Theo. Se você tem algum problema comigo e está querendo me machucar por meio dela... Apenas faça isso diretamente. Ela não precisa desse tipo de merda para lidar.

– Eu não estou Tyler. Não dessa vez, pelo menos. — Dou de ombros.

Ele suspira.

– Se quer saber realmente, eu sempre achei que o falecido padrasto tinha abusado dela. — Ele diz abruptamente, me chocando completamente. — Ele era médico, ela tem uma coisa com hospitais e médicos.

Diana era virgem, isso é indiscutível. Mas há muitas formas de abuso. Sexuais ou não. Não posso imaginar minha adorável namorada passando qualquer coisa desse tipo. É cruel.

Preciso respirar fundo algumas vezes, tentando controlar meu humor.

– Eu não posso afirmar. — Ele continua. — Ela nunca me falou.

Isso me surpreende, não entendo porque ele mudou de ideia e está me contando. Ou talvez entenda... É a culpa. Caso contrário ele nunca diria nada. E se eu não soubesse o quanto gosta dela, nunca iria falar com ele sobre esse assunto.

– Ela disse que me entende. — Ele me olha confuso. — Querer machucar quem te fez mal. — Repito suas palavras de ontem. — E ela parecia tão perdida. Assustada...

Olho para Tyler. Ele parece preocupado.

Em todos os nossos anos de desentendimento, a única coisa que ele me acusou foi de agir tão porcamente quanto o meu pai. Ele ama aquele homem terrível, mas ele não o apoia e não nega o que ele me fez e a Jane. Isso eu tenho que dar a ele.

– Eu acho que... — Ele franze o cenho. — Acho que ela estava falando... — Ele para quando seu celular começa a tocar na mesa.

Olho o aparelho em minha frente. É Diana ligando. Pego o celular e entrego para ele.

– Graça a deus ela guarda mágoa por muito menos tempo que você! — Ele me lança um sorrisinho de canto, cantando vitória antes da hora. Só espero que ela ao menos lhe diga algumas coisas duras, para colocá-lo em seu lugar.

– Não diga que estou aqui. — Ele concorda e se levanta, ficando de frente para a janela enquanto atende.

– Anjo? — Tyler diz, o carinho em sua voz e inquestionável. Eu poderia sentir ciúmes se não o conhecesse melhor. Se já não o tivesse visto com Jane.

Ele suspira. Espero que esteja ganhando um sermão!

– Não só na internet. — Ele diz e isso me chama atenção. — Nos jornais e na capa de uma revista também.

Ah, merda! Ela ficou sabendo...

Amy me ligou de manhã para avisar sobre isso. Eu pretendia dar uma olhada pessoalmente nas coisas antes de contar a ela. Com Diana nunca se sabe que reação esperar.

– Respira. Vai ficar tudo bem.

Me levanto, pairando atrás dele, querendo ouvir a conversa e saber como ela se sente em relação a isso.

– É muita hipocrisia ela achar ruim quando está nos jornais toda semana, quando troca de marido. — Ela quem? — Respira querida. Vai ficar tudo bem. Eu sinto muito pelo que disse. Não queria te magoar. — A última parte soa realmente com pesar.

Tyler é um babaca, mas é babaca que ama minha irmã e a minha namorada. Da melhor forma possível... Eu posso lidar com isso.

– Querida? Você está aí? Respira, anjo. Isso não é nada. Tenho certeza que Theodor pode consertar isso.

Ele vira e me lança um olhar ameaçador.

– Eu vou te encontrar. Onde você está?

Ele ergue uma sobrancelha, me avaliando.

– É mesmo? — Ele continua. — Tudo bem, estou em meu caminho.

Ele desliga.

– Ela está bem? — Pergunto assim que ele baixa o celular.

– Por que você veio ate aqui hoje? — Me pergunta.

Respiro fundo. Isso não esta indo a lugar nenhum.

– Porque me machucou vê-la daquele jeito. Eu apreciei ser compreendido, mas odiei que ela tenha experimentado algo semelhante. E foi ruim ver como isso a afeta.

Ele concorda.

– Eu vou te dar o beneficio da dúvida, Theodor. Mas se machuca-la... Você vai perceber que não é o único com instinto vingativo.

Fecho a cara, irritado pela ameaça. Não lido muito bem com esse tipo de coisa.

– Sobre o que ela te disse... — Ele me encara, está sério. E dessa vez sem ter que se esforçar para tal. — Eu acho que ela estava falando sobre a mãe dela. Eleonor é uma vadia, mas ela nunca encostou a mão em Diana. Pelo menos não que ela tenha me contado. Ela se parece com Robert nisso, o abuso é psicológico. — Ele passa a mão pelos cachos, os bagunçando mais. — Diana não me escuta, é completamente irracional quando se trata da mãe e só a menção de seu nome a aterroriza. Isso não é normal, ou saudável. Ela precisa de ajuda especializada. Mas, como eu disse, tem sérios problemas com médicos. E suspeito que isso venha de casa, por isso te falei sobre o padrasto. Penso que o acompanhamento de um profissional possa ajudá-la. Você sabe como é, passou por isso.

Sim, passei... Anos e mais anos de terapia. Mas não adiantou nada. No fim do dia eu ainda odiava Robert e ainda decidi dar o troco.

– Mas Theo, isso não é sobre dar o troco, antes que vista o manto de protetor das donzelas. Diana não precisa se vingar, ela precisa de ajuda. Mas do jeito que é teimosa, vai continuar ignorando isso. — Ele se aproxima, parando bem perto de mim, antes de continuar. Me seguro para não dar um passo para trás pelo desconforto. — Eu acho... — Ele morde o lábio, visivelmente lutando para decidir se continua ou não. Então suspira e relaxa. — Você pode fazer alguma coisa que preste finalmente. Se for com calma... Talvez ela te escute.

***

Tyler me deu o que pensar.

Ele disse que a mãe de Diana lhe aterroriza psicologicamente. Eu sei bem como é. Eu cresci dessa forma. Sei bem como pode deixar cicatrizes mais profundas que agressão física.

Estou tão envolvido com esse tema, que mal presto atenção na reunião que estou. Alysha, que está sentada ao meu lado tomando notas, me lança olhares reprovadores de tempos em tempos. E quando essa merda finalmente chega ao fim, sou o primeiro a deixar a sala. Praticamente o diabo correndo da cruz!

– Ansioso? — Eliot me alcança no corredor a caminho da minha sala.

– Eu diria que sim, um pouco.

O homem mais velho passa a mão sobre meu ombro de forma amigável. Assim como o filho, ele tem esse ar de superioridade. Mas ele certamente não me irrita como o maldito Thomas!

– Algo em especial?

– Só querendo voltar para casa. Não consegui dormir o suficiente.

– É mesmo? — Ele debocha. — Será que sua falta de sono não está ligada a “Tia Di”, que a Abby falou tanto?

Suspiro resignado. Essa raposa é mais esperta e ligada do que aparenta.

– Nada a declarar, Eliot.

Ele começa a rir.

– A imprensa por outro lado...

Suspiro irritado. Só quero ir para casa e ver Diana. Saber o que ela pensa sobre isso. Se será um problema. Espero que não, afinal eu sou uma figura pública. Não há muita coisa que eu possa fazer sobre isso.

– Não vi o jornal e a tal revista, o que é que diz?

Ele me solta e coloca as mãos abertas em sua frente, as afastando, como se estivesse visualizando algo grande.

– Solteirão capturado?

Sorrio.

– E isso é tudo?

– Basicamente. Você saiu na coluna de fofocas, logo ao lado do resumo da novela. — Me pergunto como ele sabe dessas coisas...– Um parágrafo mínimo e foto terrivelmente desfocada e com muito Photoshop.

Abro a porta da minha sala e entro, ele fecha logo atrás dele e se lança no sofá.

– Já a revista...

Faço careta. Vou direto para minha mesa e começo a pesquisar no meu computador.

– Lembra daquela entrevista que você deu para People duas semana atrás?

Fecho os olhos, angustiado pela lembrança. Nunca estive tão irritado como naquele dia. Era uma entrevista sobre empresários que investiam em programas sociais, mas das 15 perguntas que respondi, apenas duas eram sobre isso, umas cinco sobre meus relacionamentos e o resto era sobre meus pais e o escandaloso casamento. Foi um tormento.

– Ela deveria sair por agora, certo?

– Sim! Essa manhã, na verdade.

Desisto do computador por um minuto e começo a vasculhar minha mesa. Se saiu hoje, eu deveria ter recebido uma prova dela antes.

– O que tem na revista?

Olho para Eliot que sorri grande.

– Nada demais... Só algumas fotos... E uma página ou duas a mais sobre seus relacionamentos...

Pego meu telefone e ligo para a minha secretária.

– Em que posso...– Começa, com aquela voz irritante.

– Você está com a minha edição da People? — Que coisa nada máscula para dizer!

– Sim.

– Traga. — Desligo.

Não leva nem um minuto e a chata bate e entra. Ela sorri largamente para Eliot e deposita a edição em minha mesa. Então se retira sem nem olhar para minha cara.

Vadia insuportável!

Assim que olho para baixo, localizo uma foto minha e da Diana. Não é grande, mas está na capa... E foi tirada no campo de golfe. Ela está deitada no chão e eu estou inclinado sobre ela. E em cima tem a legenda “Novo Affair?”.

Bem, não é tão comprometedor...

– Vai para página 25. — Eliot sugere.

Abro e fico instantaneamente indignado.

– Isso aqui aconteceu ontem! — Aponto para a foto tirada no mercado. — Eu tenho uma sombra agora?

Está claro que Simon precisa de apoio, porque ele não consegue fazer o que lhe pago para fazer. Afastar os paparazzi.

– Malditos sanguessugas!

E há outras fotos. Nossas corridas, caminhando de noite depois que saímos do bar que Tyler nos levou, com Baltazar, na ilha... Puta que pariu!

Folheio rapidamente toda a parte que fala sobre mim, mas não tem nada mais comprometedor.

Eu estive com Diana seminua no barco. Dançamos na varanda do quarto quando ela só usava uma camisa e calcinha. Não posso imaginar a merda que ocorreria se conseguissem uma foto dessas.

Males de se estar apaixo... Com alguém. Você fica cego e totalmente imprudente.

Paro para dar uma lida por cima na matéria, nem mesmo me colocaram na parte que disseram. Não fala sobre meu trabalho, ou os trabalhos filantrópicos, ou qualquer merda que não seja sobre a mulher que têm sido vista com frequência ao meu lado. Tem alguns parágrafos falando meus antigos relacionamentos. Aliás, alguns parágrafos não, uma página toda. Isso certamente não deve contar pontos com o relacionamento novo...

Há citações sobre meus pais também. Isso não poderia faltar.

– Isso que eu chamo de começar com o pé esquerdo. Eles precisavam mesmo listar tantos nomes?

– Ninguém pode dizer que ela entrou nessa sem saber...

Reviro os olhos.

– Você não está ajudando. — Desligo o computador e pego a revista.

– Vou embora.

Ele sorri.

– Você sabe que tem muitas pessoas irritadas com você e seus horários.

– Oh sim! E com minha roupa. Com o que eu como. Com o que eu faço no banheiro e com tudo mais que tem a ver comigo. Afinal... — Vou em direção a porta e olho para ele antes de sair – Theodor não é Robert!

Ele ri e eu saio, mas não sem o ouvir murmurar “É melhor!”.

Saio sem minha secretária ver, já que ela não está em sua mesa. Torço para que ela precise de mim depois e quando for me procurar... Nada!

Então, vou para onde não deveria ter me afastado hoje.

Diana.

***

Quando entro no prédio em que moro, encontro Simon. Ele me olha surpreso. É difícil que eu saia sem ele ou Amy. E nunca sem que eles ao menos saibam meu paradeiro.

– Perdi sua ligação? — Pergunta preocupado.

– Não. — Entrego a revista para ele. — Preciso de mais seguranças.

Ok. - Me responde com surpresa ao localizar minha foto ali.

Vou para o elevador então para o apartamento. A porta esta destrancada. O que não deveria...

Encontro e não vejo ninguém, mas escuto vozes na sala de TV e na cozinha. Passo na sala primeiro e vejo Amy largada no sofá, vendo o VT de algum jogo de futebol. Nem dou oi. Vou para a cozinha, onde encontro o que procuro.

Diana está debruçada sobre a ilha da cozinha, apontando alguma coisa em um papel aberto, enquanto o maldito Tyler rabisca alguma coisa.

– Você não deveria estar trabalhando? — Pergunto, estourando a bolha deles. Ela pula pelo susto e praticamente perde toda a cor em seu rosto e é aí que me dou conta de como soou o que eu disse.

– Então? — Digo, olhando para Tyler e deixando claro que não disse isso para ela.

Me aproximo de seu corpo tenso e a puxo para um abraço. Beijo sua testa e a mantenho em meus braços.

– Infelizmente tive uma dor de estômago depois do almoço e precisei ir ao médico. — Tyler diz rindo.

– Vejo. Que grande prazer tê-lo aqui, Tyler. — Reviro os olhos, deixando claro que é uma mentira.

Olho para Diana, que me espia de canto de olho. Seu corpo ainda está tenso em meus braços. Sorrio para ela, tentando encorajá-la a relaxar.

– E como foi seu dia?

– Acho que consegui alguma coisa... — Me diz incerta, olhando de Tyler para mim. — Eu... — Está aflita. Pelo menos Tyler não disse que já nos vimos hoje.

– Está tudo bem. — Tranquilizo-a. — Me mostre o que você tem!

Ela sorri, mas ainda não está calma o bastante.

Se aproxima da mesa e tira a folha em que trabalhava, deixando uma outra que está terminada. Ou pelos para mim parece que está.

– Uau! Esse é o meu quarto?

– Sim. Você gostou?

Não se parece em nada com o meu quarto. Não como ele era pelo menos. A cama grande ao centro, virada para a janela me deixa muito animado. É uma vista incrível e será bem aproveitada agora. Os tons quentes, mas ainda sóbrios, dão um ar sensual. Vejo uma parede a mais também.

– Será que essa parede pode ser reconstruída? — Ela aponta para trás da cama.

– Tenho certeza que sim. Está no projeto original. Acho que o que não deveria ter sido feito era tirá-la.

– Bom.

Ela mal me deixa absorver os móveis do desenho, coloca outra folha por cima.

– Esse seria o closet.

Estou impressionado. Ouvir que ela fez algo não se compara a ver ganhando forma realmente por suas mãos. Cada traço nesses desenhos é carregado de paixão.

– Isso está incrível, amor.

Tudo muito másculo. Exceto os arranjos de flores sobre a pequena mesa que vi no quarto e na ilha do closet. Mas, como eu sugeri antes, poderia ter sido tudo rosa que eu ainda estaria gostando.

O importante é a mudança, abafar cada lembrança ruim que esse lugar e sua antiga decoração me trazem.

– E esse que estavam mexendo?

Tyler coloca a grande folha sobre a mesa de novo. É minha sala principal e sala de jantar, em diferentes ângulos.

A sala de jantar mudou de lugar, agora fica antes dos vidros e o lado de fora não tem mais uma mesa grande, apenas bancos estofadas em mesas menores para apoio do lado. Mais a frente, onde tem a churrasqueira, uma mesinha de quatro lugares foi colocada. Tudo em tons cremes e marrom.

– Ainda não está pronto. — Ela aponta para outras versões de ângulos diferentes do lado de fora. E tem mais de uma versão de móveis e cores.

– Eu gostei muito disso.

– Ela é talentosa. — Tyler anuncia.

– Sim, ela é. Foi um trabalho impressionante o que fez no sobrado.

– Embora seja muito feminino. — Tyler revira os olhos.

– Eu sou uma garota, desculpe por isso. — Diz ela sarcasticamente.

– Estou muito feliz por isso! — Seguro seu rosto entre minhas mãos e lhe dou um selinho.

– Acho que essa é minha deixa para ter dor de estômago em casa.

Tyler circula a ilha e para em nossa frente, beijando Diana na testa e apertando levemente meu braço.

– Me liga depois com os detalhes sórdidos, Di!

Ela cora.

– Suma, Tyler! — Digo por cima do meu ombro. Ficamos em silêncio até que o único som no apartamento venha da TV da sala.

Ela se vira e ergue a cabeça, encontrando meus olhos com os seus.

– Você está bravo por ele ter vindo? — Me pergunta insegura.

– Depende. Você o convidou ou ele invadiu de novo?

Eu sei a resposta, mas ela não precisa saber disso.

– Eu o convidei...

– Então tudo bem. Só não o deixe abusar.

– Combinado!

E então ela finalmente relaxa.

– Será que teve um bom momento almoçando com Amy?

O relaxamento não dura muito. Está tensa de novo e se afasta, voltando a atenção para os desenhos.

– Na verdade eu fui antes dela chegar. Mas ela passou a tarde aqui. É bem divertida.

Será que está tensa porque ainda acha que Amy gosta de mim? Não sei mais o que fazer para ela entender que esse barco partiu faz tempo.

– Como foi seu dia? — Pergunta sem me olhar. Começa a enrolar lentamente as folhas que estão na mesa.

– Chato! — Puxo uma cadeira e me sento, a observando juntar as coisas.

– Você sempre sai tão cedo do trabalho?

Sorrio.

– Só quando há algo muito bom me esperando em casa.

Ela sorri e morde o lábio, na tentativa de esconder.

– Eu acho que devo ir para casa. Preciso trabalhar nesses esboços.

– Você pode fazer isso aqui... Em minha adorável companhia, logo depois de fazer aqueles cookies... Ou, pode deixar para outro dia e só se aproveitar de mim.

Ela abre um sorriso tão radiante que sinto meu coração acelerar um pouco.

Quando ela termina de recolher as coisas, fica apenas uma revista de fora. E é “a” revista.

Pego do balcão e deixo perto de mim.

– Você leu?

Ela concorda.

– Você está chateada?

Diana deixa suas coisas na mesa e puxa uma cadeira na minha frente. Deixa suas mãos repousarem na mesa e percebo arranhões frescos.

– Não pensei que você era tão famoso. Foi chocante, na verdade, ver tantas fotos minhas espalhadas. No Google tem até mesmo fotos de quando eu usava aparelho. Eu não faço ideia de como conseguiram isso. É bem intimidante.

Fico feliz por ela não citar meus antigos casos presentes na matéria.

– E como você está lidando com isso?

Ela volta a morder o lábio e então desvia os olhos dos meus.

– Não estou lidando ainda. Estou tentando fingir que não aconteceu.

Droga! Então a merda ainda vai bater no ventilador... Pelo menos terei tempo de me preparar.

– Sinto muito. Eu deveria saber que algo assim aconteceria. Você ainda está comigo?

Seguro a respiração por alguns segundos, ansioso.

Estendo a mão e coloco sobre a dela, que por fim acaricia meus dedos com os seus.

– Eu estou nisso.

Solto o ar aliviado, tirado um sorriso envergonhado dela.

– Fico feliz. Eu vou cuidar para que você não seja incomodada com isso, ok?

Ela concorda.

– E agora, cadê aqueles cookies que você me prometeu ontem? Os armários estão cheios e minha barriga vazia.

– Será que sua barriga vazia lembra sobre o nosso trato no mercado? Primeiro comida saudável?

– Lembra sim! Estou ansioso para provar sua comida.

– Certo. — Ela se levanta. — Então, mãos à obra!

– Isso! Só preciso chutar aquela folgada do meu sofá.

Ela ri e é um som fantástico.

Por hoje vou ignorar todas as informações que Tyler me deu. Só quero aproveitar o momento e fazê-la sorrir. Mas amanhã estarei pronto para qualquer coisa que chegar.

Notas finais
Escolha as armas, Theo, seu safado fio de uma égua XD **************************************************************** Tenho uma indicação para quem gosta de yaoi. A história se chama Good for you e é do meu amadinho talentoso, Gu! Deem uma passadinha e deixem um oi pra esse lindo ヽ(´▽`)/ https://fanfiction.com.br/historia/641707/Good_For_You/ Até o próximo capítulo! E preparem vossos corações... ;) Bj bjs (っ≖‿‿≖)っ ❤