À flor da pele

68 Bomba relógio emocional


Notas iniciais
Título pesado, hein! Boa leitura!

Diana

Hoje mais cedo Theo recebeu alta, e ordens específicas. Ficar em repouso total por uma semana e depois manter as coisas calmas e lentas até segunda ordem. O médico disse que esse tipo de fratura leva em torno de um mês para se curar totalmente, mas pode levar mais tempo se o paciente for teimoso.

O apartamento dele não era uma opção, já que estava sem móveis. Embora, Theo tenha dito que ficaria muito bem em seu sofá por uma semana. Mas então Tyler ofereceu a minha casa.

Não posso dizer que fiquei chateada. Eu já pretendia estar onde Theo fosse ficar. Mas me chocou um pouco. Especialmente vindo do Tyler. Eu fiquei de boca aberta me perguntando onde estava o cara que levava meus ex-namorados para festas do Theo.

No fim, disse que sim. Não poderia ter feito diferente quando ele abriu um sorriso tão grande e brilhante, então concordou, como se não houvesse outro lugar que gostaria de estar mais do que minha casa.

Então, agora tenho um Theodor adormecido em minha cama. Simon na frente da minha casa com mais dois seguranças e Amy no andar de baixo, assistindo TV. Minha casa nunca pareceu mais cheia. E estou tentando, fortemente, esquecer que eles estão todos sujos, que saíram do hospital e vieram direto para cá.

Tyler ainda não apareceu, mas Jane mandou mensagem mais cedo, dizendo que viria ainda hoje. Mal posso esperar... Tyler deveria, no mínimo, ficar por aqui e ajudar, já que foi quem ofereceu.

Abro a mala que Amy trouxe e começo a separar as camisas masculinas e guardá-las no meu guarda-roupa. Isso é tão pessoal. Chega a ser estranho. Nunca imaginei que teria um cara, que não fosse Tyler, vivendo comigo, dividindo minha cama e meu guarda-roupa. É surreal.

Respiro fundo e digo a minha mesma para manter a calma. Ninguém precisa de uma maluca gritando, entre lágrimas, enquanto quebra tudo.

Estar com Theodor é uma constante batalha para não me deixar estourar. Pelo menos quando tem terceiros juntos. Estar apenas com ele é relaxante. Eu amo isso. Mas então temos alguém mais na equação e sinto a sanidade beirando o precipício. Eu temo que se surtar possa afastá-lo. Ou pior, que não consiga voltar ao normal depois disso.

Quando chego nas roupas debaixo, não sei bem onde guardá-las. Será que na minha gaveta de calcinhas? E quando é que ele terá a chance de tomar banho se precisa ficar deitado? Será que terei que usar uma esponja?

Prendo a respiração por um momento. Ansiosa com o pensamento. Eu não deveria ter aceitado cuidar dele aqui. Nem mesmo sei o que fazer!

Solto o ar que segurava e começo a contar as minhas respirações, obrigando-me a manter a calma.

Guardo as cuecas e meias em minha gaveta de calcinhas, por fim. Deixo a mala de lado, então escorrego para a cama, para o lado do braço bom de Theo e fico o estudando dormir. Ele parece tão em paz. Tão diferente do cara de ontem de manhã, que queimava de desejo, ou do abatido no hospital.

Acho que seu estado significa sem sexo por um longo tempo. O que traz um certo lamento. Eu estava começando a gostar da coisa.

Estendo minha mão e afasto uma mecha de cabelo de seu olho. Eu realmente não me importo de tê-lo aqui. Só queria que fossemos apenas nós dois. Sinto que ter pessoas indo e vindo o tempo todo, só vai fazer o pior de mim vir à tona. E Theo não merece isso.

Theodor

– Que gracinha! Eu preciso de uma foto. — Escuto alguém dizer.

Abro os olhos para me encontrar em um quarto que não é o meu, com um peso em meu braço, o outro queimando e um bando de marmanjos me encarando.

Leva apenas meio segundo para que eu consiga me situar.

Estou na casa da Diana, em seu quarto, ela dorme em cima do meu braço bom, e o ferido arde, como se estivesse em chamas vivas. Sem contar a porra das costelas doloridas, que me impedem de fazer qualquer qualquer movimento brusco.

Olho para as pessoas em volta de novo. Patrick, Thomas e Tyler estão nos assistindo.

– Que diabos vocês estão olhando? — Digo, ficando imóvel para não acordar Diana.

– Vocês dois são muito lindos! — Tyler disse animado e então percebo, tarde demais, a câmera fotográfica em sua mão. O flash me cega momentaneamente. — Vim para ajudar no banho. — Ele anuncia animado.

– Prefiro ficar os próximos dias sem banho do que ter a sua ajuda para isso.

– O orgulho mata! E afasta a namorada! — Ele me repreende.

Thomas se senta na poltrona perto da cama e Patrick na cama, próximo de mim.

– Fomos ao hospital ontem, mas você já estava dormindo. — Tom conta. — Sabe que pode ficar em minha casa, certo?

Sei disso. Eu sempre pude contar com meus amigos, mesmo com todas as nossas rixas.

Dou um aceno de cabeça. Mesmo isso, algo tão sutil, me traz uma onda de dor.

– Eu gosto daqui. — Patrick fala e percebo que ele está distraído olhando a decoração.

– Eu gosto daqui também. — Thomas concorda.

Meus olhos vão, automaticamente, para o rosto adormecido da Diana.

– Sim. Eu amo esse lugar.

– Vince diz que vem te visitar depois do seu expediente. — Thomas se inclina um pouco. — Eu falei com sua avó, disse que teve um contratempo e que entraria em contato. E não falei com sua mãe. Passo essa tarefa. — Ele levanta as mãos e as bate, como se estivesse limpando.

– Não acho que seja necessário. Será que a imprensa sabe sobre isso?

– Amy disse que ninguém disse nada até o momento. — Patrick me informa.

– Mande-a soltar uma nota dizendo que estarei viajando. Qualquer coisa que os afaste daqui por um tempo. Não quero que isso vaze.

– Eu mesmo posso fazer isso. — Ele diz e começa a digitar em seu celular. — Feito! — Diz minutos depois, guardando o aparelho.

Patrick tem uma barba de alguns dias por fazer. Ele tem olheiras profundas, que duvido muito terem sido causadas pela preocupação por mim. Meu amigo está passando por algo e me incomoda que ele não tenha dito nada. Mas o fato dele estar usando branco constantemente só me faz suspeitar...

Thomas por sua vez, sempre calmo. Ele é todo centrado. A vida toda foi. O que me irrita um pouco. É difícil tirá-lo do sério. Exceto por Amy, que parece fazer isso o tempo todo.

Eu estou feliz que eles estão aqui. Embora Tyler poderia ter ficado na casa dele. Esse maluco continua mirando a câmera na minha cara e tirando foto.

– Dá para parar com isso, porra?

Ele abaixa a máquina e sorri.

– Mas vocês ficam tão bem, juntos! Eu preciso de fotos para quando for fazer vídeo de começo de namoro até o dia que ficaram noivos. Todo mundo adora esses vídeos no casamento.

Engasgo com a própria saliva, fazendo Thomas gargalhar e então Diana se mexe um pouco, mas continua dormindo.

– Não acho que fotos do nosso rosto com hematomas seja um bom atrativo para um vídeo de casamento.

Patrick assovia.

– E ele não negou!

– Acho que isso é algo bom, hein? — Tyler diz e me oferece um sorriso tão encantador que sinto meus pelos do braço arrepiarem.

Tyler não é encantador comigo. Ele é miserável, totalmente desagradável e metido a fazer gracinhas, que apenas ele acha graça.

– É melhor vocês saírem antes que ela acorde.

– Tarde demais! — Ty mira sua máquina na cara de Diana.

Ela dá um grito assim que abre os olhos.

– Por que tem tanta gente aqui? — Ela leva as mãos aos olhos quando um flash atinge nosso rosto.

– Já chega! — Jane aparece no quarto a tempo de ver o namorado nos fotografando e toma a câmera de sua mão.

– Obrigado! — Digo a ela, que é enlaçada pela cintura por Tyler. E aí está, aquele momento bolha deles. Ele a olha com tanta intensidade que chega a ser constrangedor. Então se afasta e está de volta em modo “incomodo total”.

Será que Diana e eu temos momentos assim?

– Vou ver Amy. — Patrick anuncia e se levanta. — Quando quiser tomar seu banho, é só chamar.

Bufo.

– Nenhum de vocês está me ajudando a tomar banho, inferno!

Eles riem. Patrick sai e logo Tom o segue.

– Vamos lá, anjo, você está uma bagunça.

Tyler se aproxima de Diana, estendendo a mão. Ele está certo, ela está uma bagunça. Parece que não dorme há dias. Não deve ter cochilado mais que uma hora aqui, já que ainda é dia lá fora.

Sou deixado com Jane, que se concentra em falar sobre qualquer coisa que não seja mamãe ou o que aconteceu comigo.

Nem mesmo eu sei o que aconteceu direito. Só sei que fui atacado por alguém, e se tivesse prestado atenção, isso nunca teria acontecido. Meu corpo todo está doendo e estou me sentindo uma merda.

É uma luta manter meu humor.

– Será que você pode encontrar Amy e Simon? — Peço a minha irmã.

Ela concorda.

Preciso saber o que aconteceu e quem na face da terra teve a audácia de me tocar. Esse ser maldito está com os dias contados.

Diana

Tyler me leva para o banheiro do corredor.

– Precisa tomar um banho. Vou deixar roupas para você no meu quarto.

Seu quarto...

É a primeira vez que ele vem aqui desde que brigamos, antes da viagem. É tudo tão estranho.

– Vou preparar algo para você comer, que tal?

Concordo.

– Eu gostaria disso.

Não me lembro de comer hoje de manhã e nem de almoçar. Theo estava dormindo pela maior parte do dia, então deve estar com fome também.

Tyler me deixa sozinha no banheiro, mas não tomo banho. Sento-me sobre a tampa do vaso e fico ali, tentando fazer um balanço de tudo que aconteceu. Estou tão surpresa de ainda estar firme. Acho que somente Tyler pode entender o quanto isso é grande para mim. É tanta pressão.

A porta é aberta de novo e Ty entra com meu shampoo e condicionador e pendura uma toalha.

Ele liga o chuveiro e me puxa, para ficar em pé.

– Banho, querida. Por favor?

Concordo e dessa vez me movo, começando a descalçar meus pés. Tyler sai do banheiro e então tomo meu banho.

Sinto-me tão exausta.

Essas coisas apenas continuam acontecendo. E a minha casa está tão cheia de gente agora. Pessoas sujas, que encostam em meus móveis limpos, pisam em meu chão, trazendo todo tipo de bactéria. E...

Quero todos fora daqui!

Me esfrego, mais do que deveria, tentando me sentir limpa. Mas não consigo.

Quando acabo o banho, vou para o quarto de hóspedes, onde encontro Tyler acabando de passar pano no chão. O cheiro de água sanitária me deixa aliviada. Um pouco de normalidade em meio ao caos.

– Oi. — Ele deixa o rodo e o pano de lado.

– Você deveria ter colocado ele nesse quarto, Diana. — Ele me repreende. Mas não é como se eu estivesse pensando direito quando chegamos. — Você fica aqui quando precisar de um tempo, ok? Eu passei pano nos móveis e troquei a roupa de cama. Você deve descansar um pouco agora e eu vou colocar ordem na casa.

– Obrigada, Tyler.

Ele se aproxima e planta um beijo na minha testa.

– Mas eu ainda estou brava com você por causa do Peter e por me embebedar.

Ele sorri.

– E eu estou orgulhoso de você. Eu vejo uma mudança finalmente. Minha Diana de antigamente já teria tido uma crise. Estou feliz por ter algo para se segurar.

Suas palavras me levam à beira das lágrimas.

Mesmo no nosso pior momento ele me entende. Isso é algo que nunca vai mudar.

Ele fica em pé e caminha para a porta, então para.

– E, sabe, eu estou feliz que estejam juntos.

Então ele sai do quarto e me deixa sozinha.

Ty parece diferente. Sem toda a afobação natural de sua personalidade. Ele está fazendo suas piadas, tentando manter aqueles traços tão barulhentos de sua personalidade, mas ele também está fingindo.

Tyler se sente culpado e isso me machuca. Nunca quis que isso acontecesse.

Olho para a cama, encarando a escolha dele de roupa. Um pijama de inverno e calcinha da vovó. Sorrio. Não aguentava mais essas calcinhas de guerra.

Me visto e seco o meu cabelo o máximo que dá com a toalha, então a deixo no gancho da porta e puxo as cobertas, me deitando. Ainda não escureceu lá fora, mas as sombras começam a dominar a janela. Deve ser quase seis da tarde. O dia passou voando.

Estou quase dormindo quando a porta é aberta de novo e Tyler reaparece, dessa vez com Thomas em seu encalço e uma bandeja na mão.

Tom parece muito relaxado e confortável em seu jeans e jaqueta. O que me surpreende nele, é que o cara simplesmente parece combinar com tudo. Em qualquer cenário ele consegue ficar tranquilo e se encaixar.

– Ei você! — Thomas diz.

– Não entre, fica na porta. — Tyler diz. — E não senta na cama, você está sujo! — Ele deixa a bandeja ao lado da cama e acende os abajures. — O Tom quer trocar uma palavrinha com você. Tudo bem?

Na verdade não. Não quero conversar. Ainda mais com Thomas, que sempre me faz sentir encurralada.

– Claro. — Digo contra minha vontade.

Me sento, e Ty afofa meus travesseiros antes que eu encoste.

Eu não sei porque Tyler esta me tratando como se eu fosse quebrar. Agora, especificamente, não acho que é a consciência dele em tudo. Ele está agindo como antes, se preparando para uma crise antes dela chegar.

Bem, talvez seja porque o eu de antes, como ele falou, já teria quebrado. Mas Theo sofreu um acidente, ele deveria estar sendo cuidado, não eu. Esse é o tipo de coisa que me coloca em meu lugar. Não posso ter pessoas cuidando de mim enquanto Theo está ferido.

Meu amigo empurra o copo que estava na bandeja em minhas mãos. Parece ser vitamina. Tomo um longo gole, percebendo que com estou mais fome do que estou dando crédito.

– Volto logo. — Ele sai e me deixa sozinha com Tom, que continua parado perto da porta.

– Você sabe quem eu sou, Diana?

Deixo o copo de lado e espio a bandeja que tem um sanduíche. Ele está clamando para ser comido, mas o deixo de lado e me forço a olhar para Tom.

– Amigo do meu namorado?

Uso a palavra namorado de propósito, para deixar claro em que pé estamos.

Ele não parece muito confortável.

– Nós tínhamos um encontro marcado alguns dias atrás.

Franzo o cenho, confusa.

– Dr. Müller... — Ele acrescenta.

Ah, droga! Sinto que a cama desaparece embaixo de mim.

– Eu pensei que você soubesse, mas conforme o tempo foi passando, cheguei a conclusão que você poderia estar perdendo algo.

Me sinto tão constrangida!

– Tyler não me disse que era você. — Então o nome da Theresa vem a minha mente. Theresa Müller, irmã dele. E Theo o chamando de doutor.

Meu deus! Acho que simplesmente não quis perceber.

– Bem, ouça. Eu não quero que se sinta constrangida. Não vou te forçar a ter uma consulta comigo. Ou a tomar remédios. Ou trancá-la em uma sala acolchoada e quem sabe prender em camisa de força. — Ele ri. — Todo mundo tem essas ideias, e não sei o porquê!

Eu não faço a menor ideia também, mas eu já consigo me ver em uma camisa de força, presa em uma sala acolchoada, passando por uma consulta forçada enquanto algum enfermeiro brutamontes enfia comprimidos a força em minha boca!

– Você nem precisa me ver como um médico, ok? Podemos continuar exatamente de onde estamos. Amigos.

Como assim? Será que ele espera que eu derrame minha merda para ele? Nem fodendo!– Como diria o Tyler.

Me sinto péssima em saber que toda vez que estávamos próximos, ele sabia que tinha algo errado comigo. E ele até mesmo já pode ter uma avaliação pronta. Será que ele contou para mais alguém? Será que falou para o Theo? Estou tão nervosa! Me vejo cambaleando novamente na beira do penhasco emocional.

– Diana?

Olho para ele. Tentando focar no agora.

– Não estou aqui para julgar. Só vim porque estou preocupado. Você parece muito controlada. E pelo que entendi do seu diagnóstico, isso não é algo bom.

Pontos negros começam a dançar em minha vista. Totalmente perdendo o controle. Me sinto em modo contagem regressiva.

– Você estava me avaliando! — Acuso.

– Não. — Ele me diz, totalmente calmo. — Eu olhei seus relatórios médicos. Você foi diagnosticada com Transtorno de Personalidade Obsessivo-Compulsivo quando era mais jovem. Será que houve algum acompanhamento médico depois disso?

– Como você conseguiu...

Inferno! Será que pode ficar pior?

Quero me levantar e fugir, mas tudo parece girar.

– Com seu médico anterior. Tyler me conseguiu seus dados e fui atrás. Conversei com o médico que te atendeu na adolescência.

Maldito Tyler! Ele sempre, sempre, sempre, se mete onde não deve!

Se Thomas falou mesmo com o meu médico anterior, então ele sabe que Eleonor não me deixou ter nenhum acompanhamento.

– Eu fiz tratamento particular. — Minto.

Ele me olha, não parecendo muito convencido.

– E tem tomado remédios?

– Ah... — Droga! — Eu não fiz acompanhamento. — Confesso, rápido demais. — Mas não me sinto mal. Não preciso disso, estou bem agora. Você deveria estar se preocupando com Theodor e o que aconteceu com ele, não comigo.

– Theodor está bem. Agora, você, descrita como bomba relógio emocional, pelo seu antigo médico, é que me preocupa.

Bomba relógio emocional? Que ridículo! Essa não é eu.

Certo?

Ele dá um passo para mais perto e então encosta a porta.

– A sociedade de hoje em dia tende a fabricar pessoas que precisam de algum tipo de ajuda. É tudo uma loucura, ninguém está a salvo, você sabe? Nem mesmo um médico.

Mais um passinho para dentro do quarto, contaminando a limpeza que o Tyler fez.

– É natural pedir ajuda e manter essa “anormalidade normal” sob controle.

– Você acha que sou maluca?

Ele sorri e se senta no chão, ao lado da cama. Mesmo sentado ele parece alto demais.

– Não acho. Nem depois de te conhecer e nem depois de ler seus relatórios médicos. As pessoas têm uma ideia muito errada sobre problemas emocionais, as causas disso, e com certeza sobre os tratamentos. Nada. De. Camisa. De. Força! — Ele pisca.

Mordo o lábio para não rir. Não quero me sentir confortável com alguém que não confio. Especialmente um que acha que eu sou doente.

– Você contou para o Theo?

– Não é assim que funciona. Se você quiser falar comigo, sou todo ouvidos. Seja como médico ou amigo. Mas nada do que você me disser será repassado. Você não tem que se preocupar com isso, ok?

Penso sobre isso por um momento. Parece uma boa oferta. Exceto que não é. Não vai funcionar, especialmente com Eleonor quase batendo à porta. E eu odiaria fazer um tratamento para um problema que nem mesmo tenho coragem de assumir para o Theo. Me sentiria como uma traidora.

– Agradeço, Tom. Se a coisa... Sair do controle, eu prometo te procurar.

Não pretendo fazer isso realmente, mas quem sabe prometendo, ele relaxa e me dá algum espaço.

Essa situação toda me incomoda. E isso me humilha. Ele não deveria estar aqui. Não deveria estar me falando essas coisas. Eu deveria ir atrás de ajuda se eu achar que preciso, não o contrário.

Mas então tem essa voz em minha cabeça que nega tudo isso. No fundo eu sei que não iria até ele nem que estivesse em minha pior crise. Eu já aceitei que não estou tão bem quanto gostaria, mas aceitar e, de fato, procurar ajuda, são coisas bem diferentes.

– Claro, Diana. — Ele concorda. — Como você está com tudo que está acontecendo?

– Preocupada com Theodor. — Digo sem ter que pensar.

– Ele está bem, mas eu posso te dizer que não será fácil tê-lo aqui. Você pode mandá-lo para minha casa a qualquer momento. Ele é um homem ativo, não vai se sentir confortável por depender de outra pessoa. Mesmo que apenas por alguns dias. Eu pedi para Amy e Simon ficarem por perto para ajudar. Não queremos te sobrecarregar.

Não gosto disso. Essa é a minha casa, eu deveria ser a autoridade aqui. E não quero pessoas bagunçando tudo.

– Agradeço. Mas eu tenho certeza que posso lidar com o Theo.

Ele estreita os olhos, me deixando desconfortável.

– Eles estarão por perto, se precisar.

Ficamos em silêncio.

– O que planeja para o natal? — Recomeça ele.

O que é isso agora?

– Será que vai visitar a família? — Continua.

Ele me faz lembrar que meu pesadelo está a caminho. Tenho evitado ficar em torno de telefones com medo que ela me ligue...

– Minha mãe e irmã estão vindo para cá com meu sobrinho.

– E seu pai?

Mas que diabos! Que conversa mais constrangedora. Ele disse que não ia me analisar, mas sinto que está fazendo isso.

– Ele provavelmente vai aparecer no ano novo.

Não ofereço mais. Não é da conta dele, independente se tem boas intenções ou não.

– Se você quiser conversar... — Ele levanta e mexe em seu bolso. — Me ligue. A qualquer hora.

Tom deixa ao lado da cama um cartão, igual ao que Tyler me deu algumas semanas atrás.

– Tchau, Diana.

– Tchau, Tom.

Só depois do que parece uma eternidade, após a saída de Thomas, é que Tyler entra. E ele parece estar na defensiva. Caminha devagar, não diz nada. Ele deveria me temer mesmo, porque nesse momento, eu estou com tanta raiva dele e suas porcarias.

Ou seriam minhas porcarias?

Parando para analisar agora, a pior parte dessa conversa toda com Thomas, é que eu tentei escapar desconversando, mas não neguei nada.

Notas finais
Eu não acho que o primeiro diagnóstico se aplique. Ela certamente conseguiu pirar mais desde aquele tempo XD Bj bjs