À flor da pele

77 Best Day Of My Life


Notas iniciais
Queria dedicar esse capítulo ao Joelhinho favorito, mas como ele é recém nascido e o capítulo é para +18, fica para a mamis dele mesmo. Amanta, sua linda, esse capítulo é para você... E para Juliana Gabrielle que foi trolada pela autora má u.u Sou bicha má mesmo u.u Ps: A autora mais atrasada do mundo só queria desejar FELIZ NATAL o/ https://www.youtube.com/watch?v=Y66j_BUCBMY Boa leitura!

Diana

Era cedo, Theo dormia despreocupo. A luz da manhã iluminava o quarto por uma pequena fresta da cortina, deixando-me vê-lo em toda sua glória nua. Apesar de estarmos no inverno, a casa de Theo tinha aquecimento adequado e o quarto estava tão quente e aconchegante que me fazia ter receios de me vestir também.

Eu estou sentada na poltrona, sem uma peça de roupa, olhando para meu namorado dormindo. Ele parece sereno e tão dono de si. Quem me dera ser tão confiante assim, que até em meu sono poderia passar essa certeza. Mas eu não sou como Theo e duvido que algum dia chegue aos seus pés.

Depois da minha revelação a respeito de me tratar, nós fizemos amor. Foi tão bonito... Foi a primeira vez que senti a diferença. Seus olhos nunca deixaram os meus, não havia pressa, só necessidade de estar junto e me mostrar todo seu carinho.

Isso acabou comigo.

Theodor não falou mais depois disso, apenas me abraçou forte e me confortou. Eu soube exatamente quando ele dormiu, foi horas depois de deitarmos que seu corpo finalmente relaxou. Bem, bom para ele. Eu ainda não consegui pregar os olhos.

Eu amo Theodor e quero fazer isso por ele. Quero juntar meus pedaços e ser alguém inteira que não tem medo de ser feliz. Mas, quero fazer isso por mim também, porque antes de Theodor, eu era uma bagunça total, agora finalmente me sinto... Normal. Eu quero isso. Gosto de não me preocupar com coisas bobas e surtar por qualquer espirro que alguém possa soltar perto de mim. Eu necessito sentir-me bem, principalmente por mim mesma. Mas... É tão assustador aceitar a mudança.

Eu não sei o que fazer, como dar um primeiro passo, ou qualquer coisa. Sinto esse passo decisivo como uma barreira.

Me levanto e separo um pouco mais a cortina, fazendo mais luz entrar. Me aproximo da cama e jogo o lençol caído sobre as partes de Theodor. Ele ainda está dormindo e seu... Material, já está todo em pé.

Se bem que ele ficou ainda mais quente com esse lençol só cobrindo sua cintura e um pouco mais abaixo. Suas pernas são bonitas, peludas e grossas na medida certa. E os pés... É a segunda vez que me pego estudando essa parte de seu corpo. É grande e bem cuidado. Será que o que falam sobre pés e tamanhos de... Pênis, é realmente verdade?

Me inclino um pouco e retiro o lençol devagar, deixando suas partes a mostra. Uso meus dedos, sem encostar, para tentar ter uma medição.

Só eu mesma poderia ir de um momento tão emocional e reflexivo da minha vida para a medição do pau do Theo...

Me assusto quando seu comprimento se movimenta um pouco e dou um gritinho, que desencadeia gargalhadas em Theodor.

— Você está acordado! — Acuso, envergonhada.

— Sim, e você é uma tarada, mulher! — Ele diz, com voz rouca de sono.

Theo se levanta um pouco e me puxa para ele. É bom esse contato pele com pele.

— O que é que você estava fazendo? — Pergunta e depois enche minhas bochechas de beijos.

Enterro o rosto no seu pescoço, com muita vergonha de encará-lo.

— Só... Olhando.

— Bem, não precisa fazer isso enquanto eu durmo. Vamos lá, faça seu estudo agora.

Ele abre os braços e os ergue, deixando embaixo da cabeça. Me separo dele e me sento. Ele apenas sorri enquanto me encara e espera.

Lógico que não farei mais isso. Esse é o tipo de coisa que acaba com o clima. E não sei se ele gostaria de me ter medindo...

Theo fecha os olhos, o sorriso continua em seus lábios, me deixando saber que está bem acordado e quando olho para sua ereção, eu posso jurar que aumentou ainda mais.

Não vou tocar.

É embaraçoso.

Não farei isso.

De jeito nenhum.

Não!

Talvez só um toque...? Para ver se é tão duro quanto parece... Só um toquinho...

Estico minha mão e quando estou quase tocando, ele se move de novo, e junto com isso Theo começa a rir, me assustando mais uma vez.

— Eu te odeio! — Digo para ele, mas esqueço isso quando ele se lança para mim e me aprisiona embaixo de seu corpo.

— Gosto quando me toca. — Ele me diz quando esfrega seu nariz no meu.

— Eu não faço muito isso.

— Não... Mas eu gosto quando faz.

Me sinto culpada por não fazer isso com frequência.

— Não estou dizendo que precisa fazer isso. Vou pegar o que você me der.

Tarde demais! Agora realmente me sinto culpada.

Levo minhas mãos para seus ombros e vejo seu rosto se transformar levemente. Ele sorri largo quando começo a fazer minhas mãos descerem. Quando chego em sua bunda, aperto e raspo com as unhas sua pele, tirando um suspiro de seus lábios.

— Eu gosto de tocar em você. — Confidencio. — Mas não sei como exatamente. O que você gosta?

— Que pegue no meu pau. — Ele responde sem parar um instante sequer para pensar e eu só posso rir. Isso será um tipo de preferência geral a respeito dos homens? Eu acho que sim...

— Deixe-me tentar. Mas sem mexer...

Leva tudo de mim para dizer essas palavras. Ao contrário dos livros que leio, eu não acho que posso virar uma expert em sexo depois de fazer algumas vezes. Minha personalidade não me deixaria libertar a Diana devassa sem uma boa quantidade de álcool no sangue. Mas, em algum momento, terei de ir além de esperar que ele faça todos os movimentos. Eu quero conhecer Theo, de corpo e alma, mas para isso acontecer, é preciso dar alguns primeiros passos.

Ele se senta ao meu lado, e eu levo meu tempo para me sentar. Enrolando o máximo possível para ganhar tempo. Estou tentando me preparar mentalmente para isso. Quer dizer, nem é tão grande coisa. Ele colocou sua boca em mim, várias vezes, acho que passamos da parte de ficar “estranhos”.

Sento de frente para ele, completamente corada. Estou tão quente, que aposto que meu corpo também está vermelho de vergonha, mas visto minhas calças de menina grande e faço isso. Ele apenas me olha. Dessa vez sem o sorriso malicioso na boca. Ele parece mais ansioso que qualquer outra coisa.

Estendo minha mão entre nós, sem desviar de seus olhos. Quando alcanço sua ereção, ela é quente e aveludada, dura e úmida na ponta. Tiro a mão em um impulso, mas o suspiro que ele dá me incentiva e volto a tocá-lo. Vejo seus olhos mudarem, se inundarem de calor e desejo.

Ele se inclina um pouco, enquanto continuo a lhe acariciar, e toma meus lábios.

— Eu te amo. — Ele diz em voz rouca.

— Eu também te amo... Menos seu bafo matinal...

Ele engasga e começa a rir. Toma minhas mãos e me tomba na cama, voltando a me prender com seu corpo.

— Mulher difícil! Vou te ensinar a não ser tão impertinente logo de manhã...

***

Aprendi minha lição. Ser impertinente pela manhã é algo realmente muito bom!

Theodor me dá um tapa na bunda quando saio do carro. Nós tentamos chegar cedo em minha casa, manter a programação, mas as atividades da manhã nos fizeram atrasar consideravelmente. No entanto, não estou reclamando. Me sinto relaxada e leve.

Não falamos sobre a minha declaração de ontem e, embora eu tivesse pensado que isso seria o elefante rosa na sala, não está me incomodando. Pela primeira vez na minha vida eu sei o que eu quero, não estou certa como fazer ainda, mas eu sei que ele vai estar ao meu lado quando eu tiver que dar esse passo. Nem mesmo imaginar como Eleonor vai lidar com isso me incomoda.

Isso, talvez, se deva ao fato de que eu entendi que ela não tem que lidar com nada. Quando a vi afiando as garras na direção de Theodor, acho que uma luz se acendeu dentro de mim e vi que alguém tão baixa não é bem vinda na minha vida, logo, sua opinião não importa.

Claro que, isso pode ser só resultado do entorpecimento causado pelo sexo gostoso da manhã, minha Diana de baixo está realmente feliz e contagia todo o resto do meu corpo. Talvez, quando eu me ver confrontada com a minha mãe, toda essa segurança escape entre meus dedo, mas eu tentarei mantê-la, custe o que custar!

Eu gosto dessa nova recém-descoberta coragem. Embora, seja perigoso, o tombo sempre é maior.

— Finalmente! — Meu pai nos recebe na porta, me abraçando apertado. — Olha só quem estava no portão essa manhã.

Ele dá um passo para o lado, me revelando Peter, meu ex, muito corado.

— Hey...

Sinto a mão de Theodor descansar pesadamente em minha cintura e me puxar possessivamente para junto dele.

— Oi, Peter. — Estendo a mão, não sabendo bem o que fazer. Olho sobre os ombros dele, esperando Tyler aparecer, porque aí sim estaria explicado sua presença.

— Diana... — Ele aperta a minha mão, desconfiado e depois estende para o Theo, que nem se mexe. — Theodor.

— É uma surpresa bem inesperada. O pegou rondando aqui, Jonh?

Olho para trás, para meu namorado ciumento, surpresa com a falta de educação que ele oferece.

— Ele estava no portão, olhando para cá quando cheguei.

Olho para Peter, que fica ainda mais vermelho, então me estende a mão esquerda com uma pequena caixa.

— Eu só queria te entregar um presente de natal. Não demos certo como casal, mas eu realmente gostaria de manter a amizade.

— Claro, Peter. Eu gostaria disso. — Aceito seu presente. — Obrigada.

— Certo... Bem... Eu acho que vou indo, eu estava a caminho do mercado para a minha mãe, só me desviei para passar no Tyler e aqui.

Me sinto um pouco culpada por não ter comprado nada para ele. Talvez se lhe enviar um cartão durante a semana não fique tão feio.

— Tchau então.

Ele contorna Theodor e eu, então sai. O silêncio que fica é realmente constrangedor enquanto ele se afasta.

Olho para meu pai e depois para meu namorado, que seguem Peter com os olhos até ele sumir no fim da quadra.

— Isso foi muito inadequado.

— Não me diga, ele não tem nenhum senso... — Theodor responde.

— Eu estava falando de você, Sr. Namorado possessivo e ciumento!

Reviro os olhos e ignoro os dois homens mal humorados na porta. Entro e sou recebida por Liam de boca suja de chocolate e só de cueca.

— Bia!

— Anjo!

Eu o pego no colo e o aperto. Sua pele está tão fria!

— Não o deixe escapar, Diana! — Julie aparece, de roupão aberto e descabelada. — Venha dar feliz natal para seu pai, Liam! — Ela o pega no colo e o enrola em uma coberta enquanto ele ri e tenta escapar. — Estou usando seu computador no escritório, se não se importar.

— Claro que não.

Ela então se afasta, entrando no escritório e fechando a porta, com o meu sobrinho hiperativo.

Em outra vida, a antiga Diana estaria chorando enquanto passa água sanitária em cada pedaço desse lugar e em seguida se esfrega no banheiro pelo contato. Eu apenas sorrio e corro para meu quarto.

Theodor

— Ele apenas ficou parado olhando para o portão. Isso por uns dez minutos. — John me conta. — Eu estava do outro lado da rua, comprando jornal, e fiquei esperando que ele fizesse algo. Você acha que é ele?

— Eu não faço ideia. Mas não vamos descartar. Ele tem aparecido bastante ultimamente. Embora, a culpa seja do Tyler nas vezes anteriores.

— Eu não gosto disso, Theodor. É a minha filha e não vou a lugar nenhum até que peguem esse cara.

— Isso vai acontecer em breve. Ninguém vai machucá-la.

— Eu espero que você esteja certo.

E com isso, John entra, me deixando um pouco irritado, soa como se ele estivesse me acusando de algo. Tipo, não cuidar da Diana. Mas faço o meu melhor para ignorar.

Entro na casa e vou para a sala, que está vazia, então subo, para o quarto de Diana. Ela está sentada na cama, com a caixinha de presentes que o ex deu. A vontade de tomar de sua mão e jogar pela janela é grande.

— O que ele te deu?

Ela me olha, um pouco apreensiva. Para o bem desse tal de Peter, espero que não seja um anel.

— Brincos. Posso ficar com eles?

Faço uma careta.

— Por que está me perguntando?

Ela deixa a caixinha de lado e se levanta vindo para mim e então segurando meu casaco e me pressionando na porta com sua cintura.

Diana segura e abusada. Gosto disso.

— Bem, meu namorado é muito ciumento. E, embora, eu ache isso bobo, não sei como me sentiria se visse uma ex lhe dando um presente. Não acho que ligaria realmente, pelo menos não se for algo inocente. Mas, eu não posso ter certeza. Então, eu estou perguntando, como se sente sobre isso?

Relaxo e encosto minha testa na sua.

— Deveria ter perguntado antes de aceitar, não acha?

Ela morde o lábio e concorda.

— Eu não quis constranger o Peter. Ele é meu ex, mas nunca fizemos nada que nos configurasse como namorados realmente, sempre fomos amigos. Eu me sentiria culpada por negar isso na frente do meu pai e você, acho que ele se sentiria envergonhado. Achei mais apropriado devolver, quando ninguém estivesse presenciando isso.

— Nunca fizeram nada?

Certo, sou meio idiota por só ouvir essa parte.

Ela sorri.

— Nós demos alguns selinhos, mas não passou disso. Eu não estava pronta. Qualquer tipo de contato era algo muito difícil para mim, meus relacionamentos sempre se trataram de companheirismo, então, quando eles estavam prontos para o próximo passo, tudo ia por água abaixo.

— Homens fracos e idiotas. Eu teria esperado por você, não importa quando tempo.

Ela começa a negar e então a rir.

— Você com toda a certeza do mundo, não teria feito isso. Theodor Blake, você é um arrombador de portas!

Gemo pelas suas palavras. Não um gemido bom, pelo contrário. Minha garota acaba de me deixar um pouco mais traumatizado depois disso.

Arrombador...

Que Amy Scott nunca escute Diana dizer isso!

Diana

— Feliz Natal! — Digo ao telefone.

— Feliz Natal! — Terry responde animada. Fico feliz que ela parece melhor. Na nossa última ligação ela estava deprimida.

— Como vai tudo?

Estou no quarto de Theo, em sua casa, terminando os últimos retoques da minha maquiagem.

— Você não vai acreditar no que acabei de ver!— Ela soluça e entendo a sua felicidade. Está bêbada!Sabe o advogado que minha mãe me arrumou?

— Sim... — Tenho a impressão não vou querer ouvir isso...

— Eu acabei de vê-lo praticamente engolindo a mamãe no quintal!

— Ai, meu deus! Sua mãe tem tipo, quase setenta!

Chacoalho a minha cabeça, tentando apagar a imagem que começa a se formar.

— O amor não tem idade, Di!

Certo...

— Então, como está sendo receber a família?— Ela muda de assunto, felizmente.

Me sento na cama e começo a alisar minha calça preta, pensando em uma resposta.

— Até agora tudo bem.

Terry é bem aberta sobre tudo. Seu relacionamento com Garry, com a sua mãe, sua vida sexual, suas coceiras que deveriam ser secretas... Eu gostaria de ser um pouquinho mais aberta como ela. Só um pouquinho, não vamos exagerar também... Mas, ainda não consigo. No entanto, eu me sinto mais à vontade agora com ela. Não estou contando toda a minha vida, como faço com Theodor, mas sinto que posso deixar certas coisas saírem sem ter medo.

— Minha mãe ainda não chegou, eu acho. Minha confiança sobre a noite parece estar ruindo um pouco com aproximação do encontro.

— Pelas fotos que eu vi dela, ela parece ser osso duro de roer. Mas olha só, a Diana que eu conheço também é.

Não posso deixar de sorrir, ainda mais quando ela soluça de novo em seu estado bêbado.

— Certo, acho que você tem razão.

— Claro que tenho e só para ter ter certeza, uma ou duas taças de vinho antes dela chegar não faria mal...

Começo a rir.

— Certo! — Contanto que não fique num estado nem próximo ao da minha amiga... — Como está Harold? — Mordo o lábio, ela não falou mais sobre ele.

— Não pergunte! Ele é material para você! Eu assusto o inferno fora dele e só saímos para jantar, imagina se eu tivesse decidido dar para o cara, ele teria corrido para as montanhas traumatizado com as coisas que sugeriria.

Engasgo. E eu que pensei que falar sobre isso seria zona segura. Mas de novo, essa é a Terry bêbada, as papas na língua, quase inexistentes, agora estão extintas!

— E o trabalho? — Esse não pode ser um tema muito complicado...

— Eu quero matar Hoen! Aquele velho, filho da puta, está queimando meus neurônios! Ele me dispensou depois de duas tentativas e passou por mais dois designers, para no fim, decidir que eles eram “piores” que eu e me dar mais uma chance. Mas, há dois dias atrás, ele decidiu que somos novos demais e não conseguimos entender sua mente.

Eu devo concordar com ele. Não entendemos mesmo. Eu estava me vendo maluca com o projeto da casa dele. Foram meses para chegar em algum lugar e quando finalmente pensei que chegamos, travamos no maldito banheiro.

— E ele ainda quer refazer um dos quartos, porque a filha vai ter gêmeos e não apenas um menino, como o médico disse no primeiro ultrassom. Oh, e ele está processando o médico e o fazendo pagar pelas obras. Ele passou cerca de duas horas na semana passada intercalando a história da vida dele com insultos de como nossa agência é incompetente. Eu quero que ele morra. Eu sou uma pessoa má?

Começo a rir.

— Acho que todos somos...

Eu certamente estou sentindo-me um pouco agora, ao desejar um final meio trágico para meu cliente...

— E quer saber... Ele perguntou quando você volta, disse que no fim, suas ideias ruins eram melhores que as nossas boas!

— Ai não! — Tremo só de pensar em ter que lidar com ele de novo!

— Mas tudo bem, tem um cara novo e ele é muito gostoso! Estou pensando seriamente em fod...

Ok... — Conversa longa demais. — Te vejo amanhã à noite?

Ela se convidou, junto com Tyler, para um jantar pós natal em casa.

— Claro. Tô louca de saudades, até amanhã.

— Até, tchau.

— Tchau.

Desligo o telefone, me sentindo mais confiante.

Fico em pé e dou uma última olhada no espelho. Calças negras, uma blusa negra com detalhes pratas, um blazer vermelho por cima, meu cabelo solto com alguns cachos e os saltos vermelhos que o Theo tanto gosta. Liam é quem escolheu a blusa, ele disse que os detalhes pareciam bolinhas de natal...

Saio do quarto e desço as escadas, super confiante. Mas falho miseravelmente assim que vejo uma loira deslumbrante agarrada a Theodor. O ambiente bem aquecido só fez bem a ela, porque o vestido negro que ela usa lhe cai perfeitamente, moldando as curvas generosas e a deixando com bastante pele à mostra também.

Ela tem os braços em volta do pescoço de Theo e os lábios colados em sua bochecha. Ele levanta seus olhos para me encontrar e sorri, tenta se separar da mulher, que não o deixa ir e se movimenta junto, se aproximando de onde estou.

— Ai, meu deus, mãe!

Mãe?!

Pisco completamente surpresa. Não parece mesmo com a mulher que vi nas fotos!

— Mãe...? — Pergunto meio perdida. Ela parece tão nova, mas então as semelhanças estão lá, as maças do rosto, o nariz arrebitado e os olhos. Mas ela parece tão jovem, eu teria dado 10 anos a mais que ele apenas.

— Diana, essa é Helena de Troia...

A mulher deslumbrante faz uma careta e dá um tapinha no braço de Theo.

— Completamente deselegante, Theodor.

— Mãe, essa é Diana, minha namorada.

A mulher o solta na mesma hora, leva as duas mãos a boca e me olha dos pés a cabeça.

— Namorada, do tipo que noiva em seguida e então se casa? — Fala com a voz abafada pelas mãos.

— Jesus, mãe! Você acabou de pedir minha namorada em casamento em meu lugar? Isso é que é deselegante!

Helena abre os braços e me captura em um sufocante abraço.

— É a primeira garota que ele traz em casa! Estou tão emocionada!

— E eu completamente embaraçado.

Eu não esperava isso.

A forma magoada com que ele falou dela me fez pensar em alguém mais parecido com Eleonor. Mas então, uma mulher como Eleonor não conseguiria causar uma guerra entre dois caras que duraria por anos. Já essa mulher, com uma personalidade tão borbulhante... Explica muita coisa.

— É um prazer conhecê-la, Sra. Blake.

Ela faz um gesto desdenhoso com a mão quando me solta.

— Não é mais Blake tem muito tempo, querida. Mas, de qualquer forma, sem sobrenomes, me chame de Helena.

— De troia. — Dessa vez o comentário vem de Jane que aparece em seu estado mais sombrio desde que nos conhecemos. A maquiagem, a roupa, o esmalte, até o cabelo parece mais negro que o normal. E ela esta com assustadoras lentes de contato pretas, sem brilho algum, que lembram monstros de filmes de terror.

— Não seja desagradável.

— Mãe, quero que conheça a família da Diana. — Theodor se apressa em pegar a mãe pela mão e a puxar para a sala, longe da irmã e de onde agora um Tyler de cara feia se encontra.

— Vocês não se dão bem? — Pergunto. É bem óbvio, mas o clima tenso requeria algum primeiro passo...

— É difícil gostar de alguém que fode com sua vida, não? — Jane diz e sai. Me deixando com Tyler.

— Eu acho que você sabe bem, né... — Ele sussurra para mim e então me abraça e beija minha testa. — Feliz natal, querida. Você está... Radiante!

Sorrio para ele.

— Obrigada. — Então dou uma afastadinha e olho bem para seu terno vermelho brilhante e gravata borboleta verde. Seu cabelo bem escovado em seu habitual topete de James Dean, mas muito mais elaborado hoje.

— Eu diria que no quesito radiante, estou bem no fim da fila.

— O que eu posso dizer, natais são inspiradores! — Ele se afasta e dá uma voltinha! — Amy tem o vestido combinando!

Solto um som estrangulado.

— Como é que você a convenceu a participar de uma de suas excentricidades?

Ele gargalha.

— Menina boba, isso foi ideia dela. — Enganchando o braço no meu, ele nos leva para a sala de estar, onde tem muito mais pessoas do que eu esperava. Além da minha família, Patrick e Vincent estão aqui, e uma senhora séria sentada ao lado do meu pai em frente a lareira. Amy está perto da árvore com Liam, destroçando os presentes. E o Tyler tem razão, ela combina com ele. Seu vestido brilhante verde, com cinto vermelho e gravata da mesma cor não deixa nenhuma dúvida.

Minha mãe também já está presente e senta o mais longe possível do meu pai. Ela parece tentar se manter em uma conversa com minha irmã, mas o copo em sua mão e o olhar vago me diz que essa noite ela só gostaria de se perder.

Ren adorava o natal, era diferente a forma que era comemorado no japão, seu país de origem, então ele tentou nos ensinar isso em nosso último juntos... Acho que não importa quanto tempo se passe, não dá para deixar um grande amor ir.

Olho para Theodor, que está tentando fugir de sua mãe agora. Seus olhos estão fixos nos meus, seu sorriso brincalhão dança nos lábios. Quando ele finalmente me alcança, ele me abraça apertado. Ainda consigo ouvir Helena falando atrás dele, mas é como se sua voz fosse diminuindo, porque a nossa bolha está crescendo em volta de nós e esse momento é só nosso.

— Feliz Natal, Dia... — Ele sussurra para mim.

— Feliz Natal, Theo...— Sussurro de volta, o abraçando apertado.

— Feliz Natal, belezura! — Esse com certeza é Vincent estourando nossa bolha e nos prendendo em um abraço apertado juntos. Quando ele nos solta, me sinto até um pouco tonta.

— Feliz Natal, Vincent. Fico feliz em vê-lo de novo.

— Diana. — Patrick cumprimenta-me com um breve abraço.

— Patrick, Feliz Natal!

Ele devolve com uma piscada o cumprimento.

— Minha avó... — Theodor me diz quando me direciona até o sofá.

A senhora sentada é bem intimidante, apesar de pequena. Os cachos brancos estão bem presos em cima de sua cabeça e os óculos redondos, que deveriam lhe dar um ar de vovó, lhe fazem parecer um pouco perigosa. Estou meio feliz pelo primeiro encontro não ter dado certo, apesar das circunstancias que levaram ao cancelamento. Não sei como me sairia apenas com Theo como apoio.

— Nona, essa é minha namorada, Diana. Dia, essa é...

— Nona. — Ela corta Theo, mal humorada. — Se me chamar de outra coisa não vou responder.

— Certo... — Estendo minha mão, insegura se ela vai aceitar, mas ela o faz. Com um aperto bem firme. — É um prazer conhecê-la... Nona. Vejo que já foi apresentada ao meu pai.

A mulher intimidante olha para o homem risonho ao seu lado e então acena em consideração.

— É um homem interessante.

Com certeza ele é... Especialmente com esse rubor alcoólico na bochecha. Eu devo ter realmente demorado no andar de cima, porque minha família parece ter prestado atenção especial as bebidas!

Finalmente me aproximo de Julie e minha mãe. Trocamos os cumprimentos e isso é tudo. Sem abraços. Eleonor não parece muito no personagem hoje. Só espero que a falta de suas máscaras não estrague a noite.

— O jantar está servido! — Um homem alto, vestido de preto diz da porta. Nunca o vi antes.

— Vamos lá... — Theo me guia para fora da sala enquanto meu pai ajuda sua avó. E aos poucos os outros nos seguem.

A sala de jantar é uma visão esplêndida. A mesa comprida e bem abastecida parece cena de filme e a decoração em volta é um sonho. A exclamação de surpresa dos demais deixa claro que não sou a única espantada com tudo.

— Eu disse que cuidaria de tudo. — Theo diz ao meu lado, com um sorriso largo e charmoso. Me lanço sobre ele, depositando beijos felizes em sua bochecha, enquanto escuto os gritos de alegria de Liam ao ver a sala.

— O melhor dia da minha vida!

Notas finais
O fim está chegando. Já começo a fazer minhas considerações finais, porque são muitos obrigados a distribuir u.u *Primeiro agradecimento é para todos vocês que acompanham AFP e tiveram paciência comigo e minha demora (ninguém tem paciência comigo...), sem vocês não existiria essa história amorzinho. Foi todo o carinho e apoio que me incentivou continuar, mesmo nos momentos mais escuros, eu sabia que vocês estavam esperando, então me forcei a continuar. Obrigada pessoal, vocês são demais. À flor da pele é para vocês ♥ Bj bjs ♥