Notas iniciais
Salve salve, malucos de plantão! Paz e amor u.u Prontos para um surto? Então vamos lá (ˆ▿ˆ)/ Boa leitura!

Theodor

Não importa o que se faz de bom na vida. Não importa que tenha optado por apertar o botão de recomeçar. Se vendeu seus bens e doou para um orfanato. Ou se salvou o a vida de alguém. A única coisa que vai te definir são os erros.

Não que eu tenha me tornado um santo nos últimos anos. Não me livrei dos meus bens em prol de outros. Mas posso dizer que Theodor Blake de agora é diferente do de um ano atrás. E certamente muito melhor que o de quase sete meses antes. E isso não tem a ver com o fato de Diana ter entrado em minha vida nessa época, mas admito que ela serviu como um bálsamo.

Me olhar no espelho era vergonhoso, então decidi que era tempo de mudar. De ser alguém melhor, que a própria imagem em um espelho não fosse motivo de embaraço. Mas tudo isso foi por mim.

Quando vi Diana pela primeira vez, era um daqueles dias em que eu estava sobrecarregado com todos os meus erros e nada podia corrigir isso. Meus esforços pareciam não dar em nada e a ideia de parar de tentar, era a coisa mais atraente que me vinha à mente.

Pode ser bobo, até supersticioso, mas quando a vi... Eu tive certeza precisava ser alguém melhor e que todo o esforço que eu havia feito não podia ser em vão. Eu queria ser um cara que fosse digno de apertar a mão daquela mulher sem manchá-la. Já tinha começado meu processo de desintoxicação. Mas vê-la foi uma motivação a mais.

Claro, admito, primeiro, queria tirá-la de Tyler, quando pensei que estavam juntos. Era uma reação natural contra ele. Mas era justamente contra essa raiva que me movia que eu estava lutando. Velhos hábitos demoram a morrer.

Olhando para ela agora, parada no meio da minha sala vazia, com choque estampado em seus olhos, eu posso dizer que não ganhei a batalha. Quando esse tipo de coisa continua voltando e voltando, é um sinal de que você não conseguiu o deixar ir ainda. Acho que todas as ligações e insistência daquela mulher deveriam ter me dado uma pista.

Nem mesmo sei como o porra do Tyler descobriu isso, mas tenho certeza que tem dedo dela. Quem mais contaria algo assim para ele? Jane certamente que não. Mesmo em seu espírito agitado e aventureiro, é leal. Ela nuca teria contado isso a ele. Especialmente sabendo da nossa rixa.

Maldito Tyler, sempre fodendo com minha vida!

Quando o vi com Jane pela primeira vez, tive vontade de matá-lo. Não acreditei nem por um minuto que ele gostasse dela. Mas quando estavam distraídos, quando eles se prendiam em sua bolha, era impossível negar que esse babaca tinha sido fisgado. E ele a faz feliz. De uma forma não correta, já que tem a estúpida tendência de fazer suas vontades. E vamos encarar os fatos, Jane é maravilhosa, à sua maneira, a amo muito, mas é mimada, egoísta e egocêntrica. Os dois juntos simplesmente são um vagão de trem descarrilhado, destruindo tudo pela frente. Mas eu estive bem com isso. Não interferi. Mas veja se ele poderia estender tal cortesia a mim...

Não, de forma alguma!

— Adoraria poder negar. — Digo. É a única coisa que posso dizer nesse momento.

— E você não pode, porque a come, ainda. — Não consigo dizer, pela sua voz, se ela quer chorar ou me bater. Talvez os dois.

Nem mesmo lembro quando foi a última vez que a vi. Um dos trabalhos de Amy e Simon é mantê-la longe de mim. Nem mesmo seu nome gosto de dizer. É como se estivesse evocando algum demônio.

E claro que nesse caso, eu sou um tremendo de um filho da puta. Comecei uma merda e depois a evitei, como se isso fosse melhorar as coisas.

— Você está perguntando se eu estou transando com a mulher que, segundo Tyler, é esposa do meu pai, e ao mesmo tempo com você? Porque, você já sabe a resposta.

Sinto algo inflamar em mim. Não sou a melhor pessoa do mundo, longe disso. Mas tenho sérios problemas com mentira. Não que eu não conte. Mas não para quem eu gosto. E não sem um bom motivo. Esconder e evitar assuntos não são mentir. E não é como se saísse dizendo as namoradas em potencial os meus podres, isso só acabaria com minhas chances antes mesmo de eu ter uma.

— Eu preciso...

Ela não termina, começa a se mover devagar, com passos incertos. Passa por mim e entra na sala de TV. Espero por um momento para ir atrás. Sinto que esse é o tipo de coisa que não dá para consertar. O passado não pode ser alterado, se pudesse, eu o faria. Isso é parte de quem eu sou agora. E tudo que eu fiz de errado antes, me acompanha. É minha bagagem. E sinceramente, muito do que fiz, não mudaria.

Me junto a Diana na sala. Ela está sentada no sofá. Retirou os sapatos e recolheu os pés para cima, puxando os joelhos e os rodeando com os braços. Ela olha para mim, me observa sentar no sofá ao lado, longe dela. Não sei se me quer por perto agora. Ou depois. Diabos, acho que depois de hoje, ela nunca mais vai querer me ver. E isso causa algo estranho. Novo. Uma maldita angústia que nunca senti antes.

Como posso estar tão apegado a ela em tão pouco tempo? Eu a observava, fato, mas conviver mesmo, faz poucas semanas.

— Me conta. — Ela pede, com uma firmeza surpreendente. Acho que estava esperando lágrimas e gritos. Um cara entenderia a situação, especialmente depois de ver o pedaço de carne em questão, mas uma mulher? Não mesmo! Ela deve estar travando uma batalha e tanto para se manter tão calma.

— O que exatamente você quer saber?

— Você ainda a vê?

Seus olhos não deixam os meus nem por um momento. E embora as bochechas coradas sejam um indício de que ela não está tão calma quanto aparenta, aprecio sua tentativa de manter as coisas sob controle.

— Não.

— Quando parou?

— Quase um ano agora. A última vez que a vi foi no Natal.

— E vocês transaram nesse dia?

Inferno de pergunta!

— Sim.

Diana fecha os olhos por um momento, então os abre e continua.

— Ela terminou?

Terminar? Nem mesmo tínhamos algo para começo de conversa.

— Eu parei de vê-la.

— Você transou com ela e então a abandonou?

— Sim. — E isso não caminha para um lugar bom. — Mas, se isso conta, já havia terminado as coisas antes. Só que ela ignorou isso.

— Ok.

Ok?

Certo, ela precisa de tempo para processar agora.

Fico quieto. Espero.

Nada.

E nada.

E nada.

Estou ansioso. E confuso! É agora que ela começa a berrar insanidades, me chama de cretino enquanto derrama rios de lágrimas, e então termina, certo?

Continuo esperando.

Nada.

Espero mais.

Nada.

E seus olhos nunca deixam os meus.

E nada.

Nenhuma reação.

— Ok, Diana, estou confuso. Isso é tudo?

Ela franze o cenho, quase juntando as sobrancelhas.

— Estou fazendo errado? — Pergunta surpresa. Quase penso que está sendo sarcástica, mas não. Está séria. — O que eu deveria, supostamente, fazer? Essa coisa de namoro, tipo namoro mesmo, é nova para mim, não sei bem como agir.

Puta que pariu! Como eu amo essa mulher!

— Eu só esperava...

Espera aí...

Amo?

Eu acabei de pensar isso?

Uou!

Afasto esse pensamento, não é a melhor hora para analisar isso.

— Você não quer saber como começou? Se ela me seduziu? Se se aproveitou do corpo do filho e do dinheiro do pai? Não quer os detalhes sórdidos?

Ela respira fundo.

— Pensar nessas coisas me atormenta muito. Eu quero saber algumas delas, admito, mas... Definitivamente, não os detalhes sórdidos... E nada que seja pesado demais para você. Eu acho que posso entender a necessidade de deixar certas coisas para trás e recomeçar. Isso supondo que é o seu caso...

Tão direta, e não aparenta isso geralmente. Mas fico feliz em vê-la assumir tal postura nesse momento.

— É o meu caso. Eu estou recomeçando. — Digo.

— Bem, eu não tive lá as melhores experiências. E posso ser um pouco... Intensa, com minhas emoções. Algumas vezes. — Tropeça em suas palavras, visivelmente nervosa — A maioria, talvez. Então...

Desvia, finalmente, o olhar. Ela não tem vergonha de falar sobre minhas indiscrições, mas se encolhe toda ao pensar em sua própria história. Isso me faz pensar se as pesquisas que Amy fez sobre Diana eram profundas o bastante, porque acho que perdi alguma coisa. Ou muitas delas.

— Eu não vou te julgar, ok? — Continua — Mas, não minta para mim, Theo, por favor.

— Não vou.

Ela fica em silêncio, olhando para o nada.

— Posso me sentar com você?

Ela consente com um aceno, mas o movimento é tão suave que quase o perco.

Me junto a ela no sofá e passo o braço sobre seus ombros, a trazendo para perto. Ela não reclama, descansa a cabeça em meu ombro.

Respiro aliviado, sentindo meus ombros perderem, consideravelmente, muitos quilos de um peso invisível.

— Eu a seduzi. — Conto, me sentindo envergonhado, mas sentindo necessidade de dar algo a ela. Especialmente depois que ela simplesmente foi tão... Forte. Mas dizer isso em voz alta é ainda pior do que foi admitir isso para mim mesmo.

— Você a amava?

— Não. — A resposta sai rápida e precisa. Nunca a amei. Nunca a desejei de verdade. Ela era bonita, quente, mas era a pessoa mais desagradável que eu já havia conhecido. Foi tudo um capricho. Uma forma de mostrar que eu poderia tirar tudo dele... Como ele fez comigo. — Eu queria machucar meu pai... — Deixo deslizar para fora de mim.

Acho que devo parecer uma criança para ela nesse momento. Me ouvindo, penso isso.

Talvez agora, Diana acorde e perceba que Tyler pode ter razão sobre mim. Não sou bom para ela. Tyler sabe disso, até mesmo eu sei. Se fosse um cara bom, a deixaria ir. Sairia de sua vida e me concentraria em lidar com todas as minhas merdas. Mas eu não sou e nem nunca fui um bom rapaz.

— Ele tinha tudo, o que ele queria acontecia, e isso era bom para nós quando éramos família. Mas as indiscrições da minha mãe o levou a nos considerar um problema. E ele lutou, arduamente, para fazer a vida dela um inferno. No entanto, quem mais foi atingido foi Jane e eu. E sempre tive tanta raiva dele... E cada oportunidade que tive de atingi-lo, eu o fiz.

Ela suspira. Espero lágrimas de decepção pelo menos. Mas nada, pelo contrário...

— Isso eu posso entender. — E eu não.

— Entender o quê? — Preciso me concentrar para não ser grosseiro. Esse tema sempre leva tudo de mim. E Diana não tem culpa de nada, ela não precisa me ver em meu pior estado. — Eu me tornei como ele. Tinha tanta raiva e no fim fui pelo mesmo caminho. Eu não acho que eu possa compreender isso, como você poderia?

Ela suspira de novo. Isso é irritante.

— Querer machucar quem te faz mal, Theo. — Não deixo passar o movimento de suas mãos, ela começa com essa mania horrível de arranhar. Coloco minha mão sobre a sua, parando o movimento.

— Eu entendo isso. — Ela continua. — Se tornar como quem odiamos é a parte ruim de dar o troco, não? Isso leva tudo. É preciso pensar como alguém ruim para poder dar a eles o gosto do que fizeram. — A aperto em meus braços, sentindo uma conexão profunda com ela. — Ele te machucou muito, não foi?

— Machucou.

Percebo, então, algo que eu gostaria de ter ficado na ignorância. Eu não fui o único a sofrer algum tipo de abuso. Isso acende uma chama. Traz de volta o que eu queria deixar enterrado. Eu quero machucar quem fez mal a ela. Quero dar o troco, destruir e tomar cada coisa que possa ser importante, como fiz com meu pai. Eu quero vingá-la.

— Fizeram o mesmo com você. — Digo, mas ela não responde. E nem precisa, não foi uma pergunta.

E não é necessário dizer mais, o tremor que passa por seu corpo responde tudo que preciso saber.

E eu juro para mim mesmo, que seja o for que tenham feito para ela, essa pessoa vai ter seu troco.

Notas finais
Conta aí, vocês não esperam por isso né? XD É aquilo né, enquanto você aponta um dedo, tem outros três (Isso mesmo, 3 e não 4, a menos que você quebre seu polegar. Ou seja o homem borracha, Sr. Fantástico... Desenho animado... Ou eu que sou defeituosa '-') apontados para você! XD Bj bjs