À flor da pele
64 Aquecendo
Notas iniciais
Diana
– Amanhã é aniversário da Amy. — Theo me diz pela manhã, quando estou envergonhada demais para puxar papo.
Acabei dormindo em seu apartamento. Não transamos, mas eu pensei que estava indo justamente para aí depois de uma sessão de beijos no sofá.
Nós dormimos abraçados no seu quarto, em seu colchão, e acordamos com o meu celular tocando, já que o dele se perdeu em algum cômodo.
Ainda estou deitada, de barriga para baixo, fingindo estar dormindo.
É constrangedor olhar para ele. E não acho que é porque uso uma camisa e uma cueca sua. É porque eu menti ontem. Estou me sentindo culpada agora, a ponto de não poder olhar em seus olhos.
Escondi a visita de Theresa e ainda deixei Tyler vir em sua casa, um dia depois que ele o expulsou praticamente a pontapés. Sinto-me abusando dele.
– Eu... — Paro minha mente culpada e registro o que ele acabou de dizer. — Será que ela terá uma festa? — Pergunto, me esquecendo que estava fingindo dormir e sou obrigada a virar e o olhar.
Ele está em pé, na frente de um espelho, arrumando a gravata. O terno cinza certamente foi feito sob-medida, cai perfeitamente em seu corpo. Nunca achei que um homem de terno significasse algo mais que careta. Ok, eu não, Tyler! Eu meio que só concordava. Mas agora, desde que conheci Theo, acho muito sexy.
– É dia de jogo, os caras vão vir para cá. Vai rolar as cervejas de sempre, pizza e um bolo.
E a ficha cai!
– Oh!– Me sento apressada. — Eu vou para casa hoje, depois de terminar alguns esboços. Você não tem que se...
– Pera aí! — Ele se afasta do espelho e se ajoelha no colchão, ao meu lado. Ele usa uma camisa branca por baixo do terno e a gravata é cor vinho. Ele parece bem... Comível.– Antes que continue, eu não estou sugerindo que você tem que ir.
– Eu não pensei isso. — Mentira! Totalmente pensei que ele estava, educadamente, me dizendo para sumir!
– Estou te convidando. Meus amigos mais chegados virão, eu gostaria de te apresentar a eles formalmente.
Formalmente? Tipo... Namorada? Será que é isso que Theo está me dizendo?
– Isso parece... Bom. — Digo, toda corada e com o coração batendo tão rápido que posso sentir isso por todo meu corpo. — Mas não quero atrapalhar. É uma programação masculina e... — Ops – Não que eu esteja chamando Amy de cara, é só... — Paro de falar, sentindo até meus cabelos esquentarem de vergonha.
Ele sorri e beija minha testa.
– Ela é. Não vamos fingir. De qualquer maneira, a minha irmã vem também. Ela não gosta de esportes. No pior dos cenários, você ainda pode se juntar a ela e ficar conversando.
Mordo a língua para não dizer que assistir um esporte que eu nem conheço parece melhor que ficar conversando com a Jane sombria...
– Claro, eu gostaria disso. — Não gostaria, mas eu quero fazer parte da vida dele.
– Ótimo. E... — Ele empurra meu ombro, me fazendo deitar e se coloca sobre mim. — Você não tem que ir para sua casa. Eu estou adorando te ter aqui.
O que eu posso dizer sobre isso? Estou adorando estar aqui também. Estar com Theodor é como estar de férias em algum paraíso, com o único objetivo de ficar relaxada o tempo todo. Sua companhia é agradável e desperta coisas em mim. Coisas boas até esse momento.
– Eu volto para almoçar com você.
– Eu devo fazer o almoço, então? — Pergunto.
– Eu gostaria de levá-la para almoçar.
– Não tenho roupa aqui.
– Coloquei as suas na máquina quando desci. Mas, de qualquer maneira, eu vou passa em algum lugar e trazer algo.
– Ou eu poderia cozinha... — Ofereço. Não gosto de cozinhar. Eu sei, mas nunca gostei, por isso que tenho o hábito de cozinhar uma vez por semana e separar potinhos para cada dia. Mas eu quero fazer para ele. Quero que ele fique feliz e impressionado, como ontem, quando provou o jantar que fiz. Ele até rapou a panela!
– Você quer cozinhar para mim? — Ele deixa seu peso cair mais sobre mim, fazendo-me sentir sua ereção esfregar minha barriga.
Nós não transamos ontem, mas eu posso dizer com muita certeza que ele ficou excitado a noite toda. Embora não tenha tentado entrar em minha calcinha, ficou me abraçando e se esfregando em minha bunda em todas as oportunidades que teve. Foi um pouco desconcertante e muito excitante. Demorei a pegar no sono pela expectativa de que ele fizesse algo mais, sendo muito covarde para começar algo eu mesma.
– Eu não vejo problema. — Respondo olhando para seus olhos, que parecem escuros pela pouca iluminação do quarto de janelas fechadas.
– Você quer cozinhar para mim? — Ele repete, me deixando um pouco nervosa.
– Sim. — Admito e ele abre um sorriso de derreter calcinhas.
– Estarei ansioso por provar sua comida de novo.
– O que você gostaria de comer?
Ele estreita os olhos, abrindo o sorriso mais malicioso da face da terra e me fazendo corar ainda mais, se é que é possível. Ele aproxima devagar e beija meu maxilar, então sobe para minha orelha, mordiscando o lóbulo, arrepiando meu corpo inteiro, que está em expectativa desde ontem.
– Quero comer boceta. Mas posso me contentar com qualquer coisa que você oferecer.
Se eu tivesse mais coragem, eu gritaria “Claro, agora mesmo!”, mas ainda não cheguei a isso. Embora esteja perto. Ouvi-lo dizer essa palavra com B não foi tão ruim quanto na primeira vez.
Eu não sei se um relacionamento é assim, fazer sexo apenas algumas vezes por semana, ou se ele está se segurando porque eu sou nova na coisa. Ou se foi a merda que Tyler jogou sobre nós na segunda-feira. Aquilo certamente ergueu algumas barreiras.
Antes de Theo, eu nunca quis isso. Ter relações parecia algo desnecessário em minha vida. Agora até mesmo chego a sonhar com isso.
Theo se afasta, beijando minha testa mais uma vez e então se levanta.
– Preciso ir, linda, se sinta em casa, mexa no que quiser e se precisar de algo, tem o número da Amy na porta da geladeira. Estarei de volta por volta das 13, está bom assim?
Concordo, um pouco envergonhada.
Não envergonhada com suas palavras, mas por querer mais e não conseguir pedir. E por esconder que Theresa veio. E por decepcioná-lo precisando de Ty tão cedo. Envergonhada demais por tantas coisas.
***
Theodor chegou no momento em que o molho de camarão estava pronto. Ele me disse para ficar à vontade, então eu fiquei. Mexi em seus armários, em sua geladeira, e preparei um linguine, que ele gostou muito. Limpou a panela, mais uma vez. Ele também me trouxe flores e ficou por mais de uma hora batendo papo comigo, e me tocando inocentemente. Acariciando meus braços, meu rosto, fazendo cafuné em meu cabelo. Mas meu corpo não recebia dessa forma, era como se eu estivesse em chamas por dentro e isso era tão novo para mim quanto estar em um relacionamento. Mas o que mais me surpreendeu foi durante o jantar, que eu cozinhei de novo.
Ele me pressionou contra o a ilha da cozinha e me beijou como se não pudesse se afastar nem sob pena de morte. Mas então se afastou e eu estava prestes a implorar por mais. Para ele me tocar. Então ele mudou de assunto, fazendo o momento passar.
Eu me sentia torturada sexualmente. Com tudo prestes a explodir, mas ele não me dava o que eu queria, o que eu precisava. Simplesmente mudava de assunto do nada. Voltando com a atmosfera familiar e doméstica. Ele queimou meus miolos e me deixou tão desesperada a ponto de iniciar o contato e mesmo correspondendo aos meus beijos, ele não dava continuidade a nada. Discretamente nos separava e esfriava tudo. Pelo menos para ele
Eu continuava queimando.
Theodor
Campbell. Dizia o a ficha que Amy me conseguiu. Esse era o atual sobrenome da mãe da Diana. A pessoa que Tyler me disse abusar psicologicamente dela.
A mulher é bonita. As fotos recentes dela chegavam a me assustar. Ela estava quase na casa dos 50, mas poderia se passar por irmã da Diana. Imagino que isso deva ser resultado de cirurgias, não é normal uma coisa dessas.
Eleonor Campbell estava em seu sexto casamento. O último durou duas semanas. Ela era um escândalo e me surpreendeu saber que ela estava nas mídias com frequência. No entanto, numa pesquisa rápida, não vi nada que fizesse menção as filhas.
Essa mulher da foto não parecia alguém capaz de machucar Diana. O que me faz pensar sobre o tal padrasto e a suspeita de abuso do Tyler. Isso fazia mais sentido. Mas, meu pai também não parecia o tipo ruim. Ele era gentil na maior parte do tempo e todos que não fossem Minha mãe, o amigo traidor, Jane e eu.
As aparências enganam.
Quando dá 17:30, fecho a pasta e a tranco na minha gaveta do escritório. Preciso buscar Diana agora. E me torturar um pouco mais.
Minha namorada não é fácil. Estou ardendo. É difícil vê-la e não querer dobrá-la sobre uma mesa e deixar a frustração ir. Não temos transado. Tenho me mantido um perfeito cavalheiro. Está certo que um cavalheiro não ficaria se esfregando em uma dama, mas estou tentando o meu melhor...
Ela colocou um espaço entre nós depois que Tyler nos encontrou. Eu estou tentado respeitar isso. Mas não e fácil. Ela é gostosa, me deixa duro só de olhar. E eu sei que ela está frustrada também. Seu corpo denuncia, mas ela não cede. Eu preciso que ela faça isso, caso o contrário, não posso esperar que confie em mim de novo. Por mais que ela diga que estamos bem, sinto que barreiras foram discretamente colocadas entre nós. E eu as quero fora. Mas preciso que seja ela a retirar, já que foi a única que as colocou lá.
Sem contar que tudo com Diana é tão frágil. Eu tenho medo de pressionar demais e assustá-la.
Simon já está me esperando na garagem quando desço. Ele me leva diretamente para casa de Diana.
Ela não quis dormir em meu apartamento ontem. Eu disse que a deixaria em casa, mas acabei ficando. O fato dela permitir isso é um bom sinal. As coisas estão andando, no fim das contas. Mesmo que não na área que eu preciso.
Simon para na frente da casa dela antes das seis da tarde, e mal saio do carro quando ela aparece. Usa um casaco longo, cinza e saltos pretos. Tem apenas do joelho para baixo aparecendo, mas sob uma meia-calça negra. O cabelo está preso em um coque baixo e frouxo, com algumas mechas soltas ao redor de seu rosto. E tem uma bolsa grande pendurada em seu ombro.
Não deixo de me surpreender com sua beleza cada vez que a vejo.
– Perfeita! — Digo, lhe dando um beijo na bochecha. Evitando qualquer contado mais íntimo que vá me empurrar para a borda.
– Oi. — Me diz, visivelmente ansiosa. — Teve um bom dia?
Como se isso fosse possível quando tenho o pior caso de bolas azuis da face da terra!
– Ótimo. Embora tenha sentido sua falta.
Ela sorri e me afasto, abrindo a porta do carro.
– Olá, Simon. — Ela o cumprimenta e se senta, bem perto da porta. Eu sigo seu exemplo, deixando um espaço de uma pessoa entre nós. Eu sei que se me aproximar, as coisas podem sair um pouco fora do planejado. E eu preciso me segurar, para provar a mim mesmo que posso manter o controle. Pelo menos sobre mim.
O pequeno trajeto é feito em silêncio. Eu perdido em meus pensamentos e ela parecendo tão longe quanto.
Simon estaciona na frente do meu prédio e sai do carro, abrindo minha porta. Saio e a estendo a mão para ajudá-la. Dou as instruções para meu motorista, sobre onde ir buscar o bolo que encomendei, e ele sai em seguida.
Passamos pela portaria e cumprimento o porteiro, que nunca vi antes. A segurança é feita por uma empresa, que poucas vezes manda os mesmos funcionários. Acho isso muito negativo. O porteiro nunca sabe quem realmente é daqui ou não. Por isso mantenho meu próprio pessoal na recepção. Isso me salva de muitos paparazzi que não tem vergonha de fingir ser moradores daqui para conseguir algumas fotos.
Quando entro no elevador, percebo Diana passando as unhas levemente sobre as costas da mão. Não sei bem o que a deixa ansiosa assim.
Nós não voltamos a falar sobre a revista e as fotos na internet. Mas eu sei que quando menos esperar isso vai voltar para me assombrar. É como ter um esqueleto no armário. Se bem que eu posso dizer que tenho muitos...
Toco sua mão, ela me olha no mesmo instante. Os olhos estão brilhantes, os lábios semiabertos e a respiração entrecortada. Sem contar o leve rubor em suas bochechas, que sempre a deixa mais linda.
Talvez eu não seja tão controlado como gostaria. Eu começo a planejar em minha cabeça, acabar com tudo isso muito em breve. Fechar essa distância entre nós e nos dar o que precisamos.
– Como foi seu dia? — Respiro fundo, mas sou invadido pelo cheiro suave e gostoso de seu perfume. O que não me ajuda e acabo cedendo ao impulso, empurrando-a contra a parede do elevador e capturando sua boca em beijo faminto.
Ela se assusta com o ato tão inesperado e deixa a bolsa cair, fazendo um som alto de espanto, mas não me afasta. Enrosca os dedos em meus cabelos, os puxando com força. Minhas mãos vão, automaticamente para seus seios e os massageio, a fazendo gemer nos meus lábios.
Então o elevador para. A maldita porta abre e sou obrigado a soltá-la. E é um inferno de difícil soltar os belos monte macios...
Estamos ofegantes e ela não soltou meu cabelo ainda, mas faz aos poucos.
Abaixo-me e pego sua bolsa, então a puxo para meu apartamento. E a maldita porta está destrancada!
– Amy? — Chamo quando entro.
Ela aparece segundo depois, usando a calça de um pijama e a camiseta que lhe dei na ilha.
– Feliz aniversário. — Digo, me separando de Diana e abrindo os braços. Ela sorri largo e salta pra mim.
– Obrigada! E obrigada pelo presente!
Amy não esta falando sobre a camiseta. Eu lhe dei uma viagem de férias, para qualquer lugar que ela quiser, tudo que tem que fazer é me avisar quando for tirar um tempo. Eu fiz isso deixando uma pequena carta para ela com as instruções de manhã.
Como é seu aniversário, dei hoje e amanhã de folga. E como ela não respeita nada mesmo, ela está na minha casa, aproveitando os benefícios da minha TV enorme, sem pudor algum.
– Parabéns... — Diana diz, com a voz dura. Olho para ela, que nem me oferece um segundo olhar. Ciúmes, só pode ser. O que é muito irracional.
– Obrigada! — Amy a agarra sem rodeios, lhe dando um abraço tão apertado quando deu em mim, derretendo um pouco a postura fria da minha namorada, que acaba sorrindo.
– Eu te comprei algo... — Ela mexe em sua bolsa grande e tira uma caixa. Fora de brincadeira. Ela tira uma maldita caixa, daquela mala que ela chama de bolsa.
Eu não consigo não ficar alarmado com as mulheres e suas bolsas. Nunca se sabe o que vai sair ali de dentro!
Amy abre no mesmo instante, deixando laços e papel de seda caírem no chão, seguida pela caixa, enquanto ela segura um vestido verde na frente do corpo, com rendas nas mangas de renda.
– Ah, meu deus!
Admito é bem bonito e que sinto uma pontinha de ciúmes, já que Amy parece mais animada com o vestido do que esteve com a viagem. Seu eu soubesse, teria lhe dado algum vale compra em alguma daquelas lojas chiques que ela gosta.
Uma coisa muito maluca sobre Amy é seu gosto. Ela parece um cara, age como um. Eu nem mesmo tenho certeza se ela gosta de homem ou de mulher. Mas então o gosto dela... A mulher tem uma coisa com coisas fofas e delicadas. Bonecas, sapatos, bolsas e os malditos vestidos. Ela sempre consegue arrancar alguns dólares meus e dos outros rapazes com os vestidos.
Já me fez perder reuniões ao ver algo que gostava no caminho e estacionar para comprar. E geralmente coisas que custavam mais do que ela pode pagar. Aí é que os rapazes e eu entrávamos. Quem é que pode dizer não para ela quando decide encarnar a garota apaixonada por coisas femininas? Ela muda até de personalidade. Parece um anjo! Mas só até ter o que quer, aí volta a ser o machão de sempre.
– É maravilhoso, Diana. Obrigada! — Ela se lança sobre Dia em mais um abraço carinhoso e quando se afasta, é que percebo que tem algo errado.
– Você está mancando. — Digo quando ela se afasta alguns passos.
– Não é nada, Theo! — Diz impaciente.
– Ela está assim o dia todo.
Olho para a porta da sala e encontro um Patrick de braços cruzados. Ele usa calça jeans e camisa polo branca. Eu não tenho certeza, mas ultimamente peças brancas têm brotado de eu guarda-roupa. Me pergunto se isso tem algo a ver com Theresa...
– Olá, Diana. — Ele se aproxima, dando um beijo em sua bochecha e então pegando Amy, inesperadamente, no colo.
– Isso é puro exagero! — Ela reclama, mas ele a leva para a sala.
– Eles são um casal? — Ela me pergunta de voz baixa, para não ser ouvida por ele.
– Eu não faço ideia!
E isso é a mais pura verdade. Patrick tem estado ao redor de Amy mais do que o normal, mas ele continuam a se tratar da mesma forma. Sem contar que Patrick sempre foi carente, e apesar da personalidade da nossa amiga, ela adora mimá-lo sempre que dá.
– Posso guardar seu casaco? — Pergunto a Diana, que concorda e solta os botões do casaco cinza e fica de costas para que eu o puxe. Quando a peça é retirada de seu corpo, prendo a respiração por meio minuto, completamente encantado com a roupa de baixo.
Um vestido branco, soltinho, de manga longa, que para no meio de suas coxas, abraça seu corpo. Atiça completamente a minha imaginação.
– Maravilhosa. — Sussurro em seu ouvido antes de me afastar e pendurar o casaco em um suporte de chapéus, que certamente não me pertence. Amy deve tê-lo trazido de sua casa.
Deixo a mão na cintura de Diana e a acompanho até a sala de TV, onde Patrick está sentado no sofá e tem o joelho de Amy apoiado em seu colo. Ele segura uma uma compressa ali.
– Você deveria ter avisado que não estava bem. — Ralho com Amy.
Sento-me no sofá com Diana e deixo minha mão sobre sua coxa. O que é uma péssima ideia. Sinto seu corpo ficar tenso, sua respiração parece acelerar e quando ela me olha, seus olhos tem um brilho cheio de desejo.
Me sinto da mesma forma.– Quero dizer a ela. Mas deixo para lá e me concentro em Amy e Patrick.
– Vocês são tão exagerados! — Amy anuncia. — Provavelmente é essa queda de temperatura. É normal sentir um pouco de dor no inverno. Não é grande coisa. Eu vou lhes dizer quando não puder aguentar, então, só parem de ser mulherzinhas, ok?
Diana ri baixinho e se controla rapidamente.
Eu não consigo entender porque ela tem ciúmes. Amy e eu somos incompatíveis! Nós provavelmente nos interessamos pelas mesmas mulheres.
Ela pode nunca ter admitido gostar de garotas, mas eu sempre achei que ela tinha uma queda por uma ex minha...
– Estou me sentindo uma visita em minha própria casa. — Comento, passando o braço sobre os ombros de Diana e a puxando para perto.
– Eu não entendo vocês dois. — Patrick debocha. — Ela está sempre aqui, dorme na sua cama, come sua comida, usa sua TV, porque não a convida de vez para morar com você?
Sinto todo o sangue sumindo momentaneamente do meu corpo.
Conheço Patrick por anos e eu sei que ele só queria soar engraçado. É o tipo de coisa que ele fala quando estamos em nosso grupo. Mas ele deveria, seriamente, ter considerado que dizer essas coisa na frente da minha namorada não me traria nenhum benefício.
Até Amy sabe disso, a cotovelada que ele recebe nas costelas deixa isso evidente.
Diana ficando toda dura ao meu lado e começa a se afastar.
– Ou talvez eu apenas devesse trocar as fechaduras e manter idiotas fora da minha casa.
Me levanto e seguro a mão de Diana, a puxando para fora do cômodo, mas não sem antes ouvir Amy xingando nosso amigo.
– Não é da forma que soou! — Digo, enquanto a levo para cima, para o quarto.
Tranco a porta atrás de mim e a puxo para o banheiro, a fazendo se sentar na borda da banheira. Suas bochechas estão vermelhas, mas sei que dessa vez não é de vergonha. O olhar raivoso que ela me lança me deixa incapacitado de pensar antes de colocar para fora e apenas deixo que saia tudo.
– Amy mora no apartamento de baixo, mas como você já percebeu, ela tende a vir muito aqui. Assim como os caras. É quase um santuário aqui, sabe?
Ela não sabe, aparentemente, já que está em silêncio e com os olhos queimando.
– Aqui não tem família, somos só nós, com nosso jogo e conversa furada. Eu nem mesmo moro aqui, para ser sincero. Estava passando mais tempo na casa em que você foi ao meu aniversário, do que aqui. E Amy gostava de dormir em minha cama por causa do tamanho. Desde a primeira vez que ela pisou aqui, ela está pedindo para lhe dar o móvel. Mas veja, — Me ajoelho em sua frente, descansando as mãos em seus joelhos. — Não é comigo que ela dorme, disso tenha certeza. Eu não menti em nada para você.
Seus ombros se abaixam, relaxados. Mas a cor continua ali em suas bochechas. Mas agora talvez seja um pouco de vergonha. O que é bom, sinal de que ela acredita em minhas palavras.
– É um pouco difícil me acostumar com essa amizade de vocês. Ela desvia os olhos dos meus. — Será que você é consciente de que ela é uma garota? Por mais que você a trate como um dos “caras”. Ela ainda é uma mulher. E você dormiu com ela...
– 12 anos atrás... — Acrescento. — E nunca mais a toquei. Ela é como minha irmã, Diana! — Acabo soando um pouco irritado, mas esse ciúmes e tão bobo.
– Você não dorme com sua irmã.
Ah, que droga! DR justo agora?
Patrick maldito!
– Éramos adolescentes curiosos, desajeitados demais para conseguir outros pares. Não significou nada. Ela é como minha irmã, não consigo pensar nela como outra coisa.
– E ela sabe disso?
Sorrio.
– Ela sabe sim, só você que não. Eu tenho certeza que Amy ficaria maluca se soubesse que você tem ciúmes dela. É muito nojento imaginar isso!
Seguro seu rosto delicado entre minhas mãos.
– Só tem uma mulher que me interessa nesse momento. E ela está me deixando maluco com seu ciúme.
Literalmente maluco! Frustrado. Subindo pelas malditas paredes!
Ela morde o lábio, então olha em volta.
– Por que me trouxe para o banheiro?
Seus olhos encontram os meus e me aproximo, beijando seus lábios levemente. Então me levanto.
– Eu preciso tomar banho.
A verdade é que me surpreendo que ela não tenha me impedido de tocá-la por ter vindo direto do trabalho.
Ligo o chuveiro e começo a soltar a gravata. Vejo seu olhos acompanhando cada movimento.
Tiro os sapatos, o blazer, minha camisa e então as calças. E seus olhos ardentes de desejo apenas me estudam.
Fico feliz que o assunto "Amy" já tenha acabado.
– Não quero te entediar. — Sorrio para ela. — Você pode esperar no quarto, se quiser. Tirar um cochilo, talvez?
Ela não reponde. Não tira os olhos da minha cintura. Entro embaixo do chuveiro e mantenho a porta de vidro aberta, ficando de frente enquanto tomo meu banho.
Me parabenizo por encontrar um novo método de mantê-la distraída.
Espero que ela se junte a mim, mas acho que é esperar demais. Diana tem muito que se soltar ainda. Mas o fato dela não ter fugido do banheiro é um começo.
É difícil estar com Diana em muitos aspectos. No momento, o sexual tem sido o pior. Ela é tão inocente! Qualquer outra mulher já teria me fodido loucamente. Ainda mais com toda essas provocações. Mas Dia? É um maldito autocontrole!
Termino meu banho e puxo uma toalha. Paro de frente para ela, secando primeiro meu cabelo, então os braços, peito, cintura e pernas. Geralmente enrolaria a toalha em minha cintura e iria pegar roupas, mas dessa vez apenas descarto de lado e vou para o quarto. A escuto suspirar pesadamente atrás de mim e após alguns minutos seus saltos me dizem que ela me seguiu para o quarto.
– Está... Quente aqui.
A escuto atrás de mim. Encontro a camiseta do meu time, mas não a coloco, a penduro sobre meu ombro e me viro, para encará-la.
– Definitivamente está.
Os olhos dela parecem pegar fogo quando me olha, mas a maldita não faz um movimento. E por mais que eu queira, é uma questão de honra que ela dê o primeiro passo. Me recuso a atacá-la, dar o que ambos precisamos agora, e depois ser acusado de não respeitá-la ou a seu tempo. Mulheres são complicadas assim!
Diana desvia os olhos, encarando o teto.
– Você vai se atrasar...
– E não queremos que isso aconteça, certo?
Me aproximo, tocando sua cintura com minhas mãos, mas não me aproximando mais.
Ela olha em meus olhos, com tanto desespero... Quanto mais ela vai aguentar antes de quebrar? Eu estou tendo um momento difícil aqui! Bolas azuis nunca fizeram mais sentido para mim desde que conheci Diana. É um tormento!
– Você está linda.
Ela morde o lábio, gesto nervoso.
– Você já disse isso hoje...
– E vou continuar dizendo. Você está linda.
Fecha os olhos e sorri.
– Você também...
Começo a rir.
– Eu estou nu...
E as bochechas ganham um leve rubor.
– Eu sei...
Respiro fundo, me segurando para não rasgar suas roupas e ficar resto da noite nesse quarto.
Me afasto dela, com muita dificuldade, e encontro um jeans, o vestindo sem cueca. Então passo desodorante e coloco a minha camiseta para o jogo. Me atrevo a me aproximar dela agora que estou vestido e colar nossos corpos. Beijo sua boca com tanta fome que quase e deixo levar. Mas a campainha nos tira do transe.
Nos separamos, ofegantes.
– Acho que os convidados estão chegando...
– Sim. E mal posso esperar para irem embora.
Ela enterra o rosto em meu peito, leva algumas respirações para se erguer e me puxar pela mão.
Só tenho tempo de calçar meu chinelo antes de ser arrastado para fora do quarto. A abraço por trás quando estamos no fim da escada, para esconder o monte em minhas calças. Talvez eu devesse ter colocado uma cueca.
Antes mesmo de chegarmos a sala, congelo no lugar depois de ouvir a voz dos meus pesadelos.
– Quem convidou a droga do Tyler...?– Sussurro irritado.
Entramos na sala e embora só tenha ouvido a campainha tocar uma vez, a sala está cheia e bagunçada. A mesa de centro está repleta de caixas de pizzas, pratos e garrafas de cerveja fechadas ainda.
Vince e Tom ocupam um sofá, enquanto Amy e Patrick estão amontoados numapoltrona. Tyler e Jane estão em pé andando pela sala e cumprimentando o pessoal. Mas isso não é tudo. Tem um cara novo, que eu já vi antes. O vi na festa fatídica que Jane me ofereceu na casa de Tyler. E ele estava conversando com Diana, é o ex dela.
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