À flor da pele

24 Anestesia geral!


Notas iniciais
Demorei né? Mas eu tenho várias explicações aceitáveis: Flash, Gotan, Arrow, Agentes da Shield, Os originais e por ai vai u.u Ps: Roupa da Di lo/ http://www.mediafire.com/convkey/31a2/21d4c5oozj8kekhfg.jpg?size_id=4 Boa leitura!

Diana

O caminho até o trabalho é estranho. Terry parece saber que algo está errado, porque ela não diz nada. Ou talvez ela é que esteja com algum problema, mas eu não estou pronta para perguntar. Não posso me concentrar no problema dos outros quando nem o meu eu consigo resolver. E além do mais, assim que Theo me deixou no portão, todo o peso da discussão com Tyler voltou.

Parece hipocrisia me meter em sua vida e dar conselhos. Quem sou eu para ter esse direito? O que eu fiz que deu certo, para que eu possa usar como exemplo? Nada.

Eu não sou a amiga que ela precisa nesse momento, então eu me calo. É melhor desse jeito por agora.

Assim que chegamos ao escritório, Janine nos interrompe.

– O tal do Harold está aí... — Ela diz animada. A animação não é pelo fato dele ser um cliente que quer uma grande obra, e isso trará dinheiro para a empresa. É só porque o cara é bonito. Mas, sei lá... Acho que meu padrão para beleza mudou drasticamente nesses últimos dias. Parece que cara algum consegue alcançar o Theodor quando o assunto é aparência. E gentileza. E humor. E ego. Especialmente o ego!

– Eu não estava sabendo disso! — Digo, menos alarmada do que geralmente ficaria. Acho que isso é resultado do meu cérebro em velocidade mínima hoje.

– O Dony o está atendendo na sala de reuniões, ele quer vocês duas lá.

Dou uma olhada para Terry.

– Vou deixar minha bolsa na sala e te encontro lá. — Ela diz calma. Isso não é normal. Especialmente quando ela, geralmente, faz tanto alarde por causa do tal Harold.

Ok...– Ela se afasta e Janine não deixa de me lançar um olhar interrogativo. — Não faço a menor ideia.– Sussurro para ela. E sinceramente? Eu não lhe contaria mesmo que soubesse de todos os detalhes. Contar as coisas a Janine é pedir para o resto dos funcionários saberem de sua vida.

Passo em minha sala, deixo a minha bolsa e pego minha agenda e caneta. Paro no caminho até a reunião no banheiro, dou uma boa olhada em minha roupa pelo espelho. Calça branca, uma blusinha de seda da mesma cor, por cima um blazer amarelo e um salto marrom claro. Passo a mão no cabelo, que deveria estar preso em um coque, mas alguns fios escaparam, deixando-me com aparência desleixada. Então, o solto e puxo com os dedos, o prendendo em um rabo de cavalo. Esses dias não têm sido os melhores para mim. Meus estresses estão marcados em meu rosto. Olheiras, rugas... Oh, senhor! Rugas aos 25, estou perdida!

Suspiro resignada, quanto a isso não tem nada a se fazer no momento. Recolho minhas coisas e saio do banheiro.

Vou para a sala de reuniões. Bato e então abro a porta, peço licença e vou para o lado direito de Dony, onde ele aponta.

Harold está vestido para matar hoje, espero que Terry se anime um pouco ao dar uma boa olhada nele.

Os cabelos louros estão escovados para trás e ele usa uma camisa branca, de gola V, por baixo de uma jaqueta de couro. Apesar do Theo ser o meu mais novo modelo de comparação para padrão de beleza, eu não posso deixar de admitir que Harold está de abalar corações.

Ele não é um cara velho, talvez minha idade, ou menos. O que é engraçado, no começo, nosso primeiro encontro, ele parecia largado, mais velho... E hoje ele está ótimo, no seu melhor, eu diria! Mas, ele não faz meu tipo. Theo tem um ar todo “eu que mando aqui” e isso é algo que meu cliente não tem, e faz falta...

– Bom-dia, Diana! — E se inclina e aperta minha mão.

– Bom-dia!

Apesar da falta de presença, ele está animado hoje. Nas outras vezes, ele só pareceu relaxado demais. Apagado.

Harold tem uma barba rala, está começando a crescer e seu queixo, quadrado, me lembra o do Theo. E eu me pergunto se ele ficaria bem de barba. Se eu gostaria se sentir os pelos recém-crescidos em minha pele...

Uma batida na porta chama atenção e eu tento disfarçar o susto que levo.

– Licença. — Terry entra.

Ela cumprimenta nosso cliente e nosso chefe, então senta ao meu lado.

– Estávamos revendo o esboço que você fez, Diana. — Dony conta, todo sério, totalmente profissional. — Harold estava me dizendo que adorou a sua ideia.

Mas...? Sempre tem um “Mas”.

– Mas... — Não disse? Dony continua. — Você estará entrando de férias após o feriado de ação de graças.

Ah é... Ele precisa mesmo ficar me lembrando disso o tempo todo? Estou pensando seriamente em arrumar um emprego de um mês em algum lugar, só para ter o que fazer. O que me lembra do Theo... Ele me quer...

Tenho que morder o lábio para não sorrir com a lembrança.

– As opções no momento... — Dony me encara, com os olhos brilhando agora. Ele sabe que quero rir e provavelmente acha que estou animada com as férias. Isso é bom, assim não o magoo. — Esperar até janeiro ou prosseguir com a Terry, que é a única designer livre para agora.

Se Harold decidir optar por Terry, eu perco minha comissão no projeto. Mas a verdade é que não me importo. Acho que até faria bem para Terry lidar nisso. Embora Harold seja casado...

Olho na mão dele, que está sobre a mesa. Sem aliança...

Hum... Interessante! Tá explicado o ar de animação, boa aparência... O cara está de volta ao mercado, ou ele é mais um cafajeste, só tirou a aliança para conseguir tirar uma casquinha...

– Acho que deveria fazer com Terry. — Digo, oferecendo a ele um sorriso e evitando o olhar da minha amiga. — Deve estar ansioso para ter as obras concluídas para as festas de fim de ano.

Ele mexe a cabeça, pondera sobre isso por um momento.

– Já não há pressa, na verdade, a situação mudou.

Dou uma cutucada em Terry por baixo da mesa. Ele está de volta ao mercado, sim! Isso é perito!

Ela belisca minha perna, pegando mais o tecido da calça que minha pele, ainda bem.

– Mas acho que seria bom. – Ele prossegue, alternando seu olhar entre minha amiga e eu. — Assim terei com o que me ocupar. — E então ele sorri e Terry, que agora tem sua mão na minha, a aperta levemente. Bom sinal, eu espero...

– Bem – Ela se manifesta – Tenho certeza que podemos pensar em algumas coisas interessantes para fazer em sua casa. — E ela está de volta!

Dony pigarreia.

– Bem, fica ao seu critério usar o esboço da Diana ou não. — Ele diz.

– Eu não me importo de servir de consultora. — Ofereço, vendo nisso uma chance de fazer algo nas férias.

– Não! — Dony diz com firmeza. — Só se for depois das férias! — Declara ele.

Que saco!

– Bem, então é isso. Eu vou deixá-los discutir o rumo do projeto. — Ele avisa, me lançando um olhar cheio de significado.

Meu chefe se levanta, cumprimenta Harold e se retira na sala, lançando a Terry e eu, um sorriso brincalhão, antes de fechar a porta.

– Bem, então... — Terry começa, se inclinando um pouco e deixando seu decote em evidência. Me deixa feliz saber que esse jeito flertador e descarado está de volta. Dessa vez espero que por um bom tempo. É horrível vê-la triste. — Vamos decidir o que fazer em sua casa!

***

Quando vou para minha sala, tenho um sorriso nos lábios. Aquela sala de reuniões estava transbordando hormônios! Eu fiquei quieta, encolhida, com medo de ser esmagada ali. Harold, definitivamente, flertou hoje. E se eu estivesse de bem com Tyler, ligaria nesse instante para lhe contar. Claro que, o flerte não foi comigo. Por isso estou feliz. Terry precisava disso. De um momento para respirar.

Pego meu celular na bolsa e vejo ter 3 ligações, mas o número é restrito. Seja quem for, ligará de novo se for importante.

Me acomodo em minha mesa e ligo o computador. Sinto uma ansiedade aparecer e se instalar lentamente. Já são onze e meia, a reunião se arrastou. O que significa que, Tyler já foi trabalhar, já deve estar em seu computador e já deve ter enviado o que prometeu.

Checo o meu e-mail pessoal, nada nele. Checo o da empresa, tem um do Hoen apenas. Talvez Tyler tenha desistido...

Abro o de Hoen, são mais ideias. E todas diferentes das que ele havia falado antes. Que homem mais indeciso. Preciso acabar logo esse projeto, antes das férias. Mas tá difícil.

Adianto alguns trabalhos que tenho e começo a lidar nas alterações que meu cliente chato pediu. Ele é tão incômodo. Aposto que deve ficar vendo revistas ou coisas na internet sobre decoração. Aí sua mente fica uma bagunça. Ou meu trabalho está uma droga mesmo...

Quando é hora do almoço, Terry aparece, visivelmente mais animada, mas ainda tem aquela sombra de antes a rondando. Fico tentada a perguntar o que tem de errado. Eu serei uma amiga ruim se não o fizer?

– Almoçar? — Ela diz da porta.

Estou entretida com o projeto do Hoen e quero acabar com isso o quanto antes.

– Você pode trazer alguma coisa? — Peço, oferecendo um sorriso largo. Ela entorta a cabeça, comprime os olhos e começa a negar.

– Isso não tá certo! Você se alimenta mal pra caralho – Arregalo os olhos pelo palavrão. — E ainda vai pular o almoço? Diana...

– Eu não posso pensar em comer com o Hoen me incomodando.

Ela suspira e relaxa.

– Ele pediu mais alterações?

Concordo desanimada.

– Que droga. Mas olha, vou sentar na sua frente e só vou sair quando você comer, ok?

Levo a mão ao coração.

– Prometo, mãe!

Ela sorri e me dá um tchau. Então fecha a porta.

Me concentro nos desenhos, tentando captar todos os pedidos que Hoen fez, mas é difícil, ele precisaria de alguns metros a mais para encaixar tudo.

Quando finalmente tenho um rascunho aceitável, eu já envio para o chato. Não quero perder tempo deixando isso redondinho e perfeito se ele vai pedir para mexer de novo.

Terry aparece quando eu começo a separar o planejamento do Harold. Ela deixa sobre minha mesa um copo descartável, canudo fechado e um saco de papel, grande e volumoso. Então me dou conta de que não especifiquei a comida...

Pego minha bolsa e retiro a carteira.

– Quanto foi, Terry?

– A sua cara, isso que foi! — Ela diz irritada. Se senta na cadeira de frente para minha e coloca sua própria comida ali. — Eu estou ficando na sua casa e não pretendo pagar pela hospitalidade. — Ela pisca. — Me deixe ao menos alimentá-la.

Outra coisa extremamente pessoal e desconfortável... Isso me deixa envergonhada. Não gosto que paguem coisas para mim. Parece que fico em dívida com a pessoa e não consigo esquecer, até que eu possa pagar algo para ela de volta.

– Não tem que...

– Cala a boca! — Ela diz e destampa um pote plástico com salada. Não sei como ela trouxe tudo isso sozinha...

Me dou por vencida. Não adianta discutir com Terry. Ou Tyler. Ou Theodor. Parece que só atraio pessoas teimosas.

– Obrigada. Já volto.

Saio da sala e vou ao banheiro lavar minha mão. Quando volto, a vejo distraída, olhando para fora, a salada mal tocada.

Me sinto péssima por não perguntar nada... Mas que diabos!

– O que há de errado, Terry?

Me sento de frente para ela, sem encará-la. Começo a desfazer o pacote e fico sem palavras ao constatar que ela me trouxe Fast-food. Um sanduíche em uma caixinha e batatas fritas. Olho para o copo, tiro o canudo do plástico e espeto ali, dando um gole. É refrigerante.

Uau! Essa quer, de fato, me engordar ainda mais. Nem me lembro quando foi a última vez que comi esse tipo de alimento... Aliás, acho que nunca comi. Minha mãe repudiava isso e quando papai levava Julie e eu para passear, eu preferia comer uma salada, com medo que minha irmã me dedurasse em um momento de raiva.

– Não tem nada realmente errado. — Ela começa. Pensei que ela nem iria falar mais pela demora, estava até um pouco aliviada... — E ao mesmo tempo tudo! Eu não tenho onde viver, o Garry não quer conversar sobre vender o apartamento, e ele fez o favor de contar a minha mãe. Ele pensou que teria algum apoio vindo dela. — Ela revira os olhos. — Bem, ela não só o xingou de tudo quanto é nome ruim que lembrou, como me ligou essa manhã e fez questão de me lembrar que ela foi contra morarmos juntos e que já sabia que ele não prestava.

Ela para de falar e volta a comer.

Ta vendo o que eu disse? O que eu digo para essa mulher agora? Eu nunca tive problemas tão... Complicados, com os caras que saí. E minha mãe, apesar dos pesares, nunca se meteu nessa parte da minha vida. No máximo alguns conselhos, mas nunca se incomodou em perguntar sobre ou querer conhecer algum namorado. Claro que ela deve ter achado que o choque do... Bem, que o que eu acabei presenciando, indevidamente, foi o bastante para me deixar sossegada por um bom tempo. E isso se provou verdadeiro com o passar dos anos... Julie pulando de cara em cara e engravidando, tendo de se casar por causa do bebê e eu aqui... Sozinha.

Bem, não vou dar todo crédito para o que aconteceu também, eu nunca tive um namorado que quisesse apresentar também. Acho que apenas não encontrei o cara certo, aquele que me fizesse querer ser tola. Que fizesse todos os alicerces estremecerem e... O que eu estou pensando? Esse tipo de cara, o que espero, ele não existe. Simples assim.

Desembrulho meu sanduíche e dou uma mordida. Imagino que o gosto não deve ser muito bom, mas praticamente solto um gemido de prazer. Pão molinho, carne macia, queijo saboroso... Como é que deixei isso passar por tanto tempo?

– Ela quer que eu vá para casa dela e converse com seu advogado sobre o apartamento. — Terry continua e preciso escapar do meu quase orgasmo degustável, para lhe dar atenção.

– Você não tem que obedecê-la. — Isso seria motivo para um tapa, no mínimo, se minha mãe ouvisse. Se tem uma coisa que Eleonor nunca admitiu foi desobediência. — Você é uma mulher adulta!

O perigo de se dar conselhos, é que eles sempre acabam virando contra você. Tudo que você diz, tudo que espera e deseja para os outros, é tudo que, geralmente, você precisa fazer para si mesmo. E o pior de tudo isso, é que se a pessoa escuta seu conselho, você acaba sendo a criatura mais infeliz do mundo, cheia de inveja e, como é que dizem hoje em dia mesmo... Recalque!

– Eu sei... Mas... Acho que vou acabar voltando para aquele idiota se não tiver alguém no meu pé falando mal dele e me lembrando de seus pecados. Entende?

– Entendo.

E entendo mesmo, eu sou amiga do Tyler!

Ficamos em silêncio, comendo. Eu acho que sentirei falta de Terry. Engraçado isso, não queria sua presença, agora eu fico triste em pensar que não a terei em casa. Mesmo que não nos falássemos muito, é bom saber que tem outra pessoa em casa. Até mesmo porque acho que Tyler levará um bom tempo para dar as caras...

– Eu pensei em ir amanhã cedo para casa dela. — Terry começa. Ela acaba seu almoço e começa a juntar as embalagens no saco. — Depois nos encontramos na festa.

– Está bom para mim.

Na verdade não está. Nós não falamos nisso, mas eu esperava no mínimo ter um dia de garotas. Ir atrás da fantasia dela, que ela nem começou a procurar, fazer as unhas, ir ao cabeleireiro...

Quando acabo de comer, ela prontamente junta meu lixo e me oferece um sorriso.

– Agora você pode voltar ao trabalho! — Ela pisca para mim e deixa a sala. Ainda tenho o copo de refrigerante. Ele está praticamente cheio, então o deixo de lado e vou tomando lentamente.

Dou uma olhada em meu e-mail da empresa. Hoen me respondeu, pediu para fazer duas alterações. E então entro no meu e-mail pessoal. E lá está...

O e-mail contém apenas o endereço e nome do médico. Não é longe daqui e posso ir andando. Ele marcou para meia hora depois que acaba meu expediente.

Sinto-me um pouco aérea. Ansiosa. Meu joelho começa a se mexer no piloto automático. Sinto as mãos suarem e sei que estou a dois passos de um ataque de pânico. E isso é tão... Errado!

Respiro fundo, tento recobrar o controle da situação.

É só um médico, o que há de errado em ir lá? Eu não tenho nada, ele não poderá dar um diagnóstico para uma pessoa saudável. Ou sim... Já aconteceu antes. Talvez seja por isso o meu nervosismo.

Não consigo me acalmar.

Minha mãe foi casada com um médico, Dr. Ren Yasuhiko. Ele era legal, aliás, muito legal, me ajudava com as tarefas do colégio e sempre tinha uma xícara de chá preparada, para depois de eu levar uma bronca da minha mãe. O casamento deles durou seis meses. Não porque se divorciaram. Nesse caso, nesse único e especifico caso, o interesse dela não foi por dinheiro. Ela o amava e eu amava também. Julie não, ela não ia com a cara dele e evitava ir nos visitar. Quando o fazia, ela sempre criava algum tipo de conflito. Acho que a raiva dela era porque nossa mãe não esperou nem quatro meses depois do divórcio com nosso pai para se casar novamente. A suspeita de uma traição sempre pairou no ar... Admito que senti um pouco de raiva de Ren também por esse motivo. Mas isso logo passou.

Então, um dia, quando ele foi chamado para atender um paciente no meio da noite, o carro dele saiu da estrada e rolou penhasco a baixo.

Eu tinha cerca de 15 anos nesse tempo. Foi um momento difícil. Minha mãe chorou por um dia inteiro, não que eu tivesse visto. Ela apenas se trancou em seu quarto e eu fiquei sentada à sua porta, escutando seu choro... Quando ela saiu, no dia seguinte, era a mesma mulher forte e decidida de sempre. Sem lágrimas, sem dor, sem lamentações. Eu segui seu exemplo.

Sem lágrimas, sem dor... Sem lamentações.

É engraçado que Ren me venha a memória agora. Faz tanto tempo que não penso nele. “O passado é passado, tem que ficar para trás” — Minha mãe gosta de dizer. Acho que aceitei essa frase como um modo de vida. Enterrando tudo que eu pude.

No entanto, agora que eu me lembrei disso, não posso deixar de me perguntar, se Ren estivesse vivo, ele teria visto em mim o que Tyler acha que vê?

Ele teria me oferecido ajuda ou, quem sabe, me guiado por um caminho sem crises? Talvez o casamento dele e da minha mãe só tivesse durado mais um mês e então ele estaria fora minha vida... E não teria feito nada por mim.

O ruim de perder pessoas é que você não pode deixar de pensar, em algum momento, se sua vida seria diferente se ainda os tivesse. Especialmente se a sua situação for uma droga.

Eu não acho que a minha seja ruim. Mas eu me pergunto se ela poderia ser melhor se esse homem ainda estivesse vivo. Acho que mesmo que ele se divorciasse da minha mãe, eu ainda manteria contato com ele. Ele era um grande homem.

Me sinto nostálgica hoje. E amedrontada.

Começo a coçar minha mão. De leve, só para passar essa sensação ruim...

E se eu realmente tiver algo? Ou, se eu não tiver, mas o médico decidir que tenho? E se eu for obrigada a aceitar que, de fato, há algo errado comigo? Eu posso fazer isso?

Eu posso fazer isso, sozinha?

Notas finais
Galera, esse capítulo ficou com cinco mil palavras '-' Então, dividi em duas partes e posto a segunda ainda amanhã cedo. E é isso u.u Indicação do dia: Fic da minha autora de hentai favorita o/ Eu já a indiquei aqui antes, com "quando o sexo chama". Agora a trago mais uma vez, com uma fic incrível sobre dança. A personagem dela é meu alter ego XD http://fanfiction.com.br/historia/404362/Entao_Voce_Pode_Dancar/ Cenas do próximo capítulo: "eu estou atada a laços fortes. Mais fortes e destrutíveis do que um amigo com raiva e magoado pode entender." "...e me curou. A sua maneira." "Seu semblante te denúncia, sua voz te denúncia, seu corpo te denúncia." Até a próxima! Bj bjs