À flor da pele

37 Agora foi!


Notas iniciais
Oie, como foi o natal de vocês? O meu não foi legal u.u Fiquei deprê e dodói =( Mas tudo bem, deprê e dodói de barriga cheia ;) Aí sim! XD Boa leitura!

Diana

Fico tão feliz quando estaciono o carro em minha garagem.

O dia foi horrível, exaustivo e muito traumático.

Terry não me deixou em paz nem por um momento e qualquer coisa era motivo para insinuações. Até mesmo uma conversa simples com Janine acabou com putaria. E para ajudar, no meio da tarde, comecei a sentir dor de cabeça, que ainda não passou.

Pela primeira vez desde que Dony me mandou tirar férias, estou feliz por elas. Só falta mais dois dias e então...

Ah não! Ação de graças!

E é em dois dias e nem mesmo fui retirar as passagens no aeroporto ainda. Tyler diz para pegar no dia, mas sempre tem uma fila enorme e já aconteceu de terem vendido nossas passagens, no fim tiveram que nos encaixar em outros voos. Voos diferentes e com estranhos sentados ao nosso lado.

Pelo menos já comprei presentes para os pais de Tyler no mês passado e já tenho algumas peças separadas para a viagem em uma gaveta. Me pergunto se Theodor também pretende viajar...

Assim que destranco a porta, sei que tem alguém em casa. A TV está bem alta.

– Tyler? — Chamo da porta. Nunca dei uma cópia da chave para Terry, de forma que se não for o meu amigo...

Fico na porta, esperando uma resposta. E ela vem.

O volume baixa consideravelmente, até que fique audível apenas um sussurro, e Tyler aparece no corredor. Está de mau humor. O cabelo bem escovado, casaco preto e óculos de Sol dão a dica. Bem, a verdade é que a grande coisa o dedurando são os óculos. Ele só usa dentro de casa quando quer brigar.

– Cadê o cadeado do portão? — Pergunta, de braços cruzados.

– Perdi... — Digo, me sentindo culpada por ter-me esquecido de procurar o cadeado depois de deixá-lo cair. Espero que seja só esse o motivo de sua irritação.

Fecho a porta atrás de mim e fico de frente para ele, que me surpreende ao me receber em um abraço forte.

– Tudo que eu faço é para seu bem, anjo. Lembre-se disso. — Ele fala e beija minha bochecha. Na festa nós só tivemos um momento, agora tenho certeza disso. Estamos de volta à sexta-feira, quando não fui ao médico... O que me lembra que, Eleonor estará vindo para o Natal e uma pequena fagulha de pânico se acende.

– O que foi agora? — Pergunto, tentando parecer calma e me concentro em estudar seu rosto.

Ele está angustiado. Não irritado, como pensei à primeira vista. Está chateado e ansioso e não gosto nada disso. Primeiro porque ele é meu amigo e quero que ele esteja bem. Segundo porque Tyler chateado não é racional.

– Quero minha chave. — Ele diz.

Fico apenas o estudando. Não esperava por isso.

– Do meu apartamento, Diana. — Ele explica, como se eu não tivesse entendido da primeira vez.

Poxa... Faz tempo que não usa essa tática.

Tiro a chave da porta e solto as dele, deixo em sua mão. Espero que isso seja castigo o bastante.

– Você não está pensando direito. — Digo, mas não deveria. Ele franze o cenho, parecendo bem perto de explodir. — Vamos jantar Tyler, estou com fome. Preciso de um banho. Depois podemos discutir isso. — Tento distrai-lo.

O vejo fechar os olhos por um momento, então voltar a abrir e me encarar. Sua mão direita sobe até meu rosto e ele acaricia minha bochecha.

– Dr. Müller vai atender até quarta ao meio dia, depois apenas na segunda. Mas, se você mudar de ideia... — Ele tira a mão do meu rosto, leva ao bolso do casaco e tira um cartão, então me estende. Eu pego, mas não vou precisar. Vamos estar juntos nesse período, fora da cidade.

Tyler levanta sua mão esquerda agora, onde há um envelope.

Minha respiração ficar rápida e a ansiedade começa a me tomar. Ele está sério, determinado, e isso não é bom. Ele pode nunca cumprir realmente suas ameaças. Mas ele gosta de causar algum dano, dar um susto, e é aí que mora o perigo. Um dia ele vai me matar com essa mania.

Pego o envelope em sua mão e abro. Tem minhas chaves e dinheiro.

– O que é isso?

Será que ele vai me pagar para ir ao médico? Poxa, tenho lá minhas dívidas, mas não é pra tanto!

– É o dinheiro da sua passagem. Você não está mais indo para casa comigo no feriado.

Tyler

Foi um final de semana longo. Eu pensei muito.

Jane parecia entender que eu precisava de um tempo, então ela ficou quieta em seu canto.

E Jane quieta é algo realmente raro.

Diana é minha melhor amiga. Eu a amo. É parte da minha família, mas já ficou mais do que claro que passar a mão na sua cabeça não vai ajudar. Eu dei todos os empurrões necessários e ela não prosseguiu nenhuma vez. Eu preciso aceitar que não depende mais de mim. Mesmo que me doa.

E dói. Demais.

Ela vai ficar tão chateada quando o choque inicial passar. Não vai querer me ver por um tempo, mas é o que eu posso fazer no momento. Me retirar e esperar que isso seja o bastante para fazê-la procurar ajuda.

Encaro minha amiga, ela me encara, descrente no que eu disse. Me surpreendo por ela não ter uma crise de imediato. Ou talvez não tenha entendido ainda.

– Você não está mais indo para casa comigo no feriado. — Repito, esperando que faça sentido e que ela tenha alguma reação.

Essa tarde, quando deixei o trabalho, vim direto para cá e desde então fiquei pensando no que dizer. E parecia bem melhor em minha cabeça.

– A casa é dos seus pais, você não pode me proibir de ir! — Ela diz, me surpreendendo um pouco mais. Estou à espera de uma crise, de um ataque de pânico e de lágrimas. Mas nada disso chega. A não ser a raiva, visível em seu rosto. Às vezes acho que a conheço muito bem, que sei como vai reagir a tudo. Tem ocasiões que até prevejo suas palavras antes que saiam de sua boca. Diana sempre foi um livro aberto para mim. Mas não está sendo agora, o que me faz imaginar que ela tem algo em sua mente. Um problema no trabalho talvez. A vontade é de abraçá-la e perguntar o que a incomoda.

– A casa é minha também e preciso de um tempo. Preciso ficar longe de você Diana. Me mata te ver desse jeito e não procurar ajuda. Não sou médico, porra! Não posso te ajudar. Será que você não enxerga isso? Precisa de ajuda profissional, não está bem!

Não gosto de perder a paciência. Sempre acabo sendo grosso demais. Mas Di tem o poder de trazer o pior de mim à superfície.

– Você é doente! — Continuo. — E precisa de ajuda, inferno! E eu não sou essa ajuda.

Silêncio. Ela me empurra e passa por mim. Vai para sala e a sigo. Vejo minha amiga deixar a bolsa no aparador e se sentar no sofá.

– Diana?

Ela levanta o rosto, me encara. Está chateada. Odeio a fazer ficar assim. Mas pelo menos não é uma crise.

– Eu sei que preciso de ajuda. — Isso é novo. Não me lembro de tê-la ouvido admitir em qualquer época de nossas vidas isso. — Mas não agora, Tyler. Nesse momento eu não posso.

Me encosto no batente da porta, a estudando não surtar como o esperado.

– E nem eu, Diana.

Apesar das minhas palavras, me sinto esperançoso. Pode não parecer, mas só o fato dela admitir que precisa de ajuda já um passo enorme. Foram anos tentando fazê-la enxergar que não estava bem. E agora, parece que isso finalmente aconteceu.

– Vou estar te esperando de braços abertos quando decidir que é a hora. Até lá, é assim que vai ser.

As palavras saem de minha boca para me golpear.

Não se trata apenas de estar com Diana. Ela sempre esteve comigo também. Nós dois estamos perdendo algo aqui. Em ambos vai doer. Mas se é isso que é preciso... Está feito!

Me aproximo dela e me inclino, depositando um beijo em sua testa.

– Tenha um bom feriado. Eu te amo.

Fico em pé. Ela não me olha, fica quieta, olhando para o envelope em suas mãos.

Viro-me e saio da sala. Cada passo até a porta é como se esfaqueasse minha própria mão. Mas o faço. Porque é o melhor para ela.

***

Jane está deitada na cama quando chego. Ela se senta e fica me estudando. Não tenta se aproximar. Dessa vez.

Quando a conheci, era apenas uma adolescente curiosa. E muito irritante. Precisava saber de tudo, conhecer tudo, tocar em tudo. E embora eu tivesse crescido a odiando, sem mesmo a conhecer, não consegui não pensar nela. Em toda luz que ela emanava. Sorrindo ou zangada, ela causava um certo efeito nas pessoas. Me encantei por isso, devagar e sem querer.

Eu sempre pensei que acabaria com Diana. Que um belo dia íamos acabar na cama depois de beber e então as coisas finalmente iriam evoluir. Sem pressão, apenas naturalmente. Mas nunca aconteceu.

Acho que fiquei tempo demais esperando por isso. Não porque era o que eu realmente queria, mas porque parecia certo. Estávamos juntos há tanto tempo nessa amizade. E acho que poderíamos ter dado certo em algum momento.

Mas Jane me distraia disso.

Robert Blake foi quem me abrigou quando mudei para São Francisco a primeira vez. Ele me ajudou com um emprego, o que me possibilitou dividir o apartamento com Diana e a uma outra amiga quando decidi me aventurar em Los Angeles. Me apoiou com a faculdade e quando a larguei também. Ele achava que eu podia ir mais longe se tentasse outra coisa e concordei. Acho que estou muito melhor hoje em dia fazendo o que faço do que se tivesse seguido os passos da Di. Sou grato a ele por isso.

Mas, meu benfeitor nem mesmo pode ouvir sobre Jane.

Depois, que mudei para São Francisco em definitivo, me apresentou a um amigo, quando eu não quis trabalhar para ele novamente. Temia prejudicar ainda mais o relacionamento dele e de Theodor.

Jane não tinha espaço na minha vida ainda nesse contexto todo. Sem contar que meu maior apoiador a odiava. E o irmão dela a mim.

Theodor nunca tentou iniciar uma amizade. Eu entendia o ódio do Robert pela mãe dele e até pela irmã, mas era sem sentido em relação a ele.

O filho do meu amigo nunca deixou que ninguém se aproximasse o bastante para ao menos chamar de amigo. Ele era espinhoso, cheio de barreiras desnecessárias. Acho até que tinha ciúmes de mim. É a única forma que posso explicar seu ódio repentino à primeira vista.

Mas Jane aconteceu para mudar tudo...

Tiro meu casaco e penduro no gancho atrás da porta. Deixo o sapato pelo caminho, assim como meus óculos. E então vou para ela. Ela está encostada na cabeceira, usa uma regata preta cortada quase na altura dos seios, o que deixa sua barriga a mostra, e uma calcinha vermelha.

Me deito na cama, a puxo para cima de mim e enterro meu rosto em seu pescoço. Respiro fundo e sinto meu corpo começar a relaxar.

– Oi... — Ela diz em meu ouvido. Tem uma voz suave e muito delicada. Aliás, Jane em si é delicada, apenas espinhosa demais em certas ocasiões. Mas, ela consegue esconder bem esse seu lado quando quer.

Beijo seu pescoço e ela se contorce em cócegas.

– Oi... Senti sua falta. — Fungo sua pele, sentindo seu perfume doce misturado a tinta.

Janet é aquilo que eu chamo de espirito livre. Ela faz o que quer, quando quer e o resto que se foda. Foi assim que ela decidiu largar a faculdade no ano passado, comprar briga com a família toda, e começar a pintar.

O que ela pinta? Nada realmente. Não tem talento nenhum, em minha opinião, e seus únicos compradores até o momento são o pai e o irmão... Eu sei que deveria obter alguma de suas pinturas também, mas são realmente feias. Claro que, isso pode ser apenas uma questão de gosto. E os meus sempre foram muito específicos. No entanto, isso não diminui meu apreço por ela e sua coragem.

– Você parece chateado. — Ela se afasta e me encara. — Foi falar com a Diana?

Concordo.

Jane não sabe dos meus rolos com Di. Ela não imagina que minha amiga tenha algum problema. Sua pergunta é direcionada a nossa viagem do feriado de Ação de Graças. Eu disse a ela que não poderia ir, que não tinha mais espaço em casa e nem passagens disponíveis.

Não é como se ela não conhecesse minha família, minha mãe e ela se trombaram uma vez. Mas apresentá-la como amiga é uma coisa. Levá-la para casa seria como assumir um relacionamento... Ok, estamos em um. Mas às vezes tenho dúvidas se estou pronto para assumir. Só a dor de cabeça que vou ter quando contar ao Robert me faz querer desistir...

A única mulher que já levei para casa em algum feriado foi Diana. E levou alguns anos para que minha família acreditasse que éramos apenas amigos.

O caso agora é, faz quase um mês que Jane está morando comigo. Não parece certo ir com Diana e não com Jane para casa dos meus pais. Antes de morarmos juntos tudo bem, mas agora...

E nem mesmo contei para Diana ainda sobre estarmos vivendo sob o mesmo teto. Não que eu esteja escondendo, mas não tive realmente uma boa oportunidade. E Jane e eu brigamos com frequência, o que me faz dormir fora várias vezes na semana. Na casa do Theo, na casa da Di. Sim, na casa do Theo! É o mínimo, já que eu estou aturando a fera. Mesmo que ele feche a cara cada vez que me vê a sua porta. Não tô nem aí, o ignoro!

Então, não contei por esses motivos. Não tenho certeza se isso é realmente sério. Com tantas brigas, poderíamos acabar a qualquer momento. E Diana só usaria esse breve romance que levei a sério como uma provocação. Pelo menos, eu faria isso...

Essa confusão toda com minha amiga serviu para que eu fizesse algo que não queria. Eu dei a passagem dela para Jane e devolvi o valor investido. Não conseguia comprar outra e já estava desistindo da viagem, mas aí tudo aconteceu e será bom para Diana ficar sozinha. Ela adora Ação de Graças. Especialmente o dia seguinte, quando há promoções por todas as lojas. É o único dia do ano que ela faz questão de enfrentar filas e lugares lotados. Suas compras são sempre pensando no sobrinho, ela adora mimar aquele garoto.

Dessa vez ela terá um bom tempo sozinha, pensando em como não é bom ser deixada de lado. Pelo menos assim espero. Torço para que esse período seja de aprendizagem. Me dói fazer isso. Eu sei que mesmo que tenha algum efeito, ela nunca vai esquecer que a deixei sozinha no feriado. Será uma daquelas coisas que as mulheres nunca esquecem e jogam o tempo todo na nossa cara. Mas, nós vamos sobreviver.

– Ela concordou. — Digo a Jane.

– Não parece... — Ela me encara. — Vocês brigaram?

Nego. Não é mentira. Nós não brigamos, nem dei chance disso acontecer. Será que ela está bem? Será que teve uma crise de pânico? Será que morreu?

– Não. Só estou cansado. Foi um dia longo no trabalho.

Ela concorda, não muito confiante. Não importa que estamos morando juntos, ela ainda olha para Diana como se fosse concorrência.

E era. Mas estamos morando juntos, isso não é motivo para ela se sentir segura?

– Quer saber, vamos sair! — Ela franze o cenho.

– Não disse que estava cansado?

– Estou. Mas não há nada mais importante que estar com você e te fazer feliz.

E o sorriso estampa seu rosto. Jane é nova, 23 anos, ela ainda cai nas mesmas coisas de quando era adolescente. Seria um alvo fácil para qualquer cara. Por sorte está comigo.

– Você conseguiu alguns favores sexuais depois dessa... — Ela sorri e esfrega minha barriga com sua mão, sutilmente, descendo. — Mas não vamos sair. Por que você não vai tomar um banho e vou preparar o jantar?

Isso não parece muito promissor. Janet não sabe cozinhar. Sua família passou por alguns apertos durante um tempo, por causa do temperamento de Robert, mas nunca chegou a passar necessidade realmente, não que eu saiba pelo menos. O pai dela esteve lá quando foi preciso. Então, pode se dizer que ela sempre teve tudo. Inclusive suas refeições preparadas e servidas quando ela queria. Cozinhar, definitivamente, não é seu forte.

– Isso parece bom. — Minto e sorrio. – E depois você vai me fazer os tais favores sexuais?

Seus lábios encontram os meus e ganho um selinho. Ela se afasta sorrindo.

– Pode ter certeza.

A mulher bonita em cima de mim se afasta. Fica em pé e anda descalça, em roupas minimas até onde fica a geladeira.

Fico a observando selecionar ingredientes e não posso imaginar o que vai sair. Fico feliz de ter feito um lanche na casa de Diana, enquanto esperava.

Diana sim sabe cozinhar, ela só não gosta.

Diana...

Suspiro. Tarde demais para arrependimentos. Só preciso lembrar que é para nosso bem.

Certamente nosso bem.

Notas finais
Hummm... Fico só imaginando o Tyler e a Dia como casal, acho que ela iria lembrar a vida toda da orgia dele e, com isso, não o deixaria tocá-la para os paranauê XD Olha só, tenho uma indicação de uma one linda da minha amanta, Rain =) http://fanfiction.com.br/historia/578512/Um_de_Nos/ Leiam, é muito fofa, vocês vão gostar ;) Bj bjs