À Noite Todos os Gatos São Pardos
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Notas iniciais
boa leitura
Era tarde da noite e todos já tinham se retirado para seus quartos. Sakura levantou-se silenciosamente de sua cama e olhou a princesa dormindo na cama próxima da sua, antes de vestir o robe por cima da camisola e sair do quarto.
Fazia muito calor e ela se dirigiu a cozinha para beber um copo de água. Tomava todo cuidado para não produzir nenhum ruído, até o esvoaçar de sua leve camisola podia acordar o rei Kinotto e aí sim ela estaria encrencada.
As muitas escadas que separavam a cozinha do quarto da princesa tornavam a estadia em um castelo desgastante.
Quando finalmente alcançou o andar inferior e acendeu a luz da cozinha se assustou ao encontrar sentado na bancada um belo rapaz de cabelos castanhos, olhos cor de chocolate, lábios carnudos, que trazia a camisa do pijama aberta no peito, o que fez Sakura perder o fôlego e sentir um calor pelo corpo.
-- Boa noite, Sakura – Hajime cumprimentou-a, despertando-a de seu transe.
-- Boa noite, rei Hajime – ela respondeu assustada, com uma profunda reverência.
-- O que faz a essa hora acordada?
-- Só vim tomar água – Sakura permanecia imóvel na porta.
-- Ah, eu vim aqui comer alguma coisa. Servida? – ele ofereceu sua tigela com cereal e leite.
-- Não, muito obrigada, rei Hajime.
-- Não precisa ficar me chamando de “rei Hajime” toda hora, Sakura. Vê? Eu a chamo pelo nome. Por que não faz o mesmo comigo?
-- Porque há uma grande diferença entre um rei e uma dama de companhia.
-- É sério? A única diferença que consigo notar daqui é que sua pele parece mais lisa que a minha.
Os olhos de Sakura se arregalaram e suas faces se rosaram quando ela percebeu o jeito como ele a olhava.
-- Mas venha até aqui – ele disse, puxando um banco próximo ao dele. – Quem sabe me faz enxergar algo mais...
Sakura inspirou profundamente e, olhando temerosa para o alto da escadaria, se aproximou e sentou-se no banco puxado por Hajime, mas não exatamente ao lado dele.
-- Oh, abre a boquinha – ele aproximou a colher com cereal da boca de Sakura e ela aceitou, sorrindo. – Que sorriso lindo!
-- Muito obrigada, rei Hajime.
-- Posso lhe fazer uma pergunta?
-- É claro que pode.
-- Tem medo de mim?
-- Medo? – ela disse surpresa. – Não, é claro que não.
-- Então, por que sentou tão distante?
-- É por que... – as faces dela voltaram a se ruborizar. – Um rei não deve ser visto com uma dama de companhia.
-- Puxa vida, e eu que pensei que sendo um rei não seriam feitas restrições a mim – ele disse tristemente. – Bom, mas dizem que “à noite todos os gatos são pardos”, não é mesmo?
Hajime arrastou o próprio banco pra perto de Sakura.
-- Rei Hajime, eu devo me recolher ao quarto da princesa – ela disse, tentando fugir da aproximação dele.
-- Ah, mas você já vai? Fique mais um pouco, eu nunca tenho a oportunidade de ficar sozinho com você.
-- E por que iria querer ficar sozinho comigo? – as palavras escaparam pela boca de Sakura sem que ela pudesse controlar.
Ela sentiu a mão de Hajime deslizando por sua cintura, virando seu corpo e o puxando pra mais perto. Sakura se assustou com aquela atitude e, antes que pudesse reagir, Hajime aproximou seus rostos e colou seus lábios.
Por mais que quisesse aquele beijo, Sakura afastou-se dele como se tivesse levado um choque.
-- Rei Hajime, o que está fazendo?
-- Quero muito um beijo seu...
-- O quê?
-- Sakura, você é tão linda que eu... Eu não consigo resistir...
-- Resistir a quê? É errado. Se o rei Kinotto souber...
-- Eu quero que Kinotto se exploda com todas as regras dele!
-- Um rei não deve se envolver com uma dama de companhia.
-- Acontece que a única princesa por aqui é Amyoma e ela não faz o meu tipo. Você, pelo contrário, me atrai só de olhar. E como eu gosto de ficar olhando-a...
-- Eu não devo me meter...
-- Por favor, não faça isso. Não imagina o quanto fiquei feliz quando a vi entrando! – ele tornou a puxá-la e, numa tentativa de refreá-lo, Sakura espalmou o peito nu dele e sentiu a temperatura e a rigidez de sua pele, o que a fez afrouxar a tensão do seu braço e permitiu-o puxá-la.
A mão de Sakura deslizou suavemente pelo peito de Hajime e descansou em seu ombro, quando ele envolveu a cintura dela com os braços. Ela já não conseguiu mais resistir, quando ele tornou a aproximar seus rostos, Sakura enlaçou o pescoço dele com os braços e colou os lábios aos dele.
O beijo foi ardente e profundo, ela permitiu que ele desbravasse cada canto de sua boca e se segurava ao corpo protetor e forte daquele homem que a enlouquecia, acariciando os longos e sedosos cabelos dele, inebriando-se com o perfume de sua pele.
Hajime apertava ainda mais o corpo dela contra o dele, como se ansiasse por fundir seus corpos; ao toque dela, ele era instigado a beijá-la com mais entusiasmo e paixão, embebedando-se do perfume dela, envolvendo-se nas carícias e excitando-se com o temor que ele sentia ao tê-la tremendo em seus braços, lânguida e rendida.
Hajime segurou-se mais junta ao corpo e foi levando-a até encostarem-se em um armário, Sakura envolvia-se nele com devoção e entusiasmo, encaixando-se ao corpo de Hajime sem disfarçar o prazer que sentia ao ser tocada por ele.
Os dois se interromperam, arfando exaustos. Ela descansou a cabeça no peito dele e ele a abraçou forte e acariciou seu rosto.
-- Viu como não há diferenças entre nós? – ele sussurrou.
-- “À noite todos os gatos são pardos”. De dia é que aparecem as diferenças, quando você volta a ser o rei e eu, a dama de companhia. Não devia ter me beijado, Hajime.
-- Eu não me preocupo com o que não deveria fazer, mas com o que quero fazer. E nunca quis tanto uma mulher como quero você!
-- É melhor esquecermos esse momento de loucura – ela tentou se soltar dos braços dele, mas foi puxada para um novo beijo e não tentou resistir.
-- Você quer tanto quanto eu!
-- Quero, mas não posso. Não deve ser visto comigo...
Hajime começou a beijar o rosto de Sakura.
-- Eu só quero poder beijá-la, Sakura. Tê-la em meus braços assim. Por favor, quero que seja minha.
-- É você que não pode ser meu...
-- Já sou seu. Deixe-me provar que é verdade.
-- Eu seria a mais odiada das mulheres do reino se isso fosse verdade.
-- Você é minha favorita!
-- Ah, por favor, não diga isso. Não precisa mais dizer coisas assim para que eu me entregue – ela segurou o rosto dele nas mãos e beijou-lhe os lábios repetidas vezes, depositando vários selinhos neles.
-- Então, se entregue! Seja minha sem temer.
-- As pessoas não pensarão assim...
-- Que pensem o que quiserem.
-- Não, não podem.
-- Não quer ficar comigo? – ele perguntou tristemente, encarando-a com aqueles olhos profundos, baixos e inseguros, desesperados pela felicidade, como um condenado busca fugir da solidão.
-- Como pode dizer isso? – ela perguntou, chorosa, acariciando o rosto dele delicadamente. – Tudo o que mais quero é ficar ao seu lado. Mas não há como. Nunca nos aceitariam juntos...
-- Eu farei de tudo pra tê-la, Sakura. Só quero que seja generosa comigo e me permita estar com você.
-- Nós só poderíamos ficar juntos em segredo...
-- Mas eu não quero esconder...
-- É o único modo, Hajime.
-- Está bem. Mas como faremos?
-- Podemos nos encontrar à noite. Só temos que tomar cuidado...
-- Com o “Inspetor da Moralidade”. É, eu sei.
-- E acho que aqui na cozinha é muito arriscado.
-- Já sei, vamos nos encontrar na biblioteca do Kinotto.
-- Você acabou de dizer que temos que ter cuidado com ele. Não acha arriscado?
-- Não. A biblioteca é grande e quem iria até lá à noite?
-- É verdade. E tem mais uma coisa: Amyoma não deve saber.
-- Mas por que, Sa-chan? A Mimi vai ficar feliz por nós dois!
-- Eu sei, mas ela não sabe disfarçar e Kinotto sempre consegue arrancar qualquer coisa dela facilmente. Teremos que fazer segredo a ela também.
-- Ta bem. Eu disse que faria tudo por você – Hajime beijou Sakura.
-- Então, eu vou voltar pra cama.
-- Ah, eu vou sentir saudades – ele disse, puxando a cintura dela e encaixando-a novamente em seu corpo.
-- Nos encontraremos na biblioteca às 23hs. Até lá, disfarce!
-- Está bem. Vou me controlar – Hajime deixou-a na porta do quarto de Amyoma e lhe deu um beijo – Tenha bons sonhos, minha flor de cerejeira! Sonhe comigo, que eu sonharei com você.
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